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“Sou pai de uma menina.” Na primeira pessoa.

sou pai de uma menina

Sou pai de uma menina. Foi esse o sentimento. Não era pai de primeira viagem mas senti que era diferente. Aliás, tudo era diferente. 

Ser pai de uma menina. Desconhecia até então as diferenças e só tinha ouvido e recebido indicações que “agora vais ver o que é bom”, “prepara-te para fazeres tudo o que ela quiser” ou “as meninas amolecem o feitio mandão do pai”. Depende. Tenho “feitio de velho”( às vezes – muitas diz a Catarina) e não sinto (ainda) que a Maria Luiza mande em mim. Ainda, repito. Como diz BabyDove: não há mães perfeitas, há mães reais (e ainda bem). Também não há pais perfeitos mas há pais reais, cheios de qualidades e defeitos. 

Tirei pela primeira vez a totalidade da licença de parentalidade, fiquei quatro meses e pouco em casa com a Maria Luiza, pois a Catarina como trabalhadora independente não tinha os benefícios que eu. Foi o melhor que fiz e aconselho aos pais, de primeira viagem ou não, que o façam se lhes for possível. 

Há uma ligação que se cria, mais que merecida, para filha/filho e pai, quer para a relação com a mulher. 

A ideia pré-concebida de que a mulher é que tem de tirar a licença de maternidade e que se for o homem a fazê-lo pode destruir a sua carreira profissional, tem muito, mas muito que se lhe diga ou escreva. Infelizmente, a maioria das entidades patronais, privadas ou não, agem de maneira errada para mulher ou homem. Ambos e digo ambos, deviam ter os mesmos direitos e ao mesmo tempo nos primeiros meses após o nascimento. 

Lá está, não existem pais perfeitos nem existem cenários perfeitos nisto da parentalidade. Existem mães e pais reais que farão o melhor nas suas circunstâncias. 

Durante o tempo que estive em casa com a Maria Luiza reaprendi muito do que já não me lembrava e não falo só das fraldas, falo de tudo. Aprendi também. 

Passamos a viver e respirar com as atenções ao rubro para aquele pequeno ser que está colado a nós. Sim, fiz por passar a fazer tudo de acordo com horários da Maria Luiza. Ainda hoje, podendo, fazemos as sestas às suas horas. E sabe tão bem tê-la colada a mim a adormecer. Infelizmente já não adormece com Frank Sinatra, já tentei e desperta. Mantenho ainda, após quase 2 anos e meio, o ritual de lhe dar banho antes de dormir. É o nosso momento, como diz a Catarina. 

Quando tive de regressar ao trabalho, custou. Senti que o tempo de licença tinha andado demasiado rápido e que não estava preparado para sair de casa e estar tantas horas longe dela. Fomos fazendo por encurtar a distância com envios, muitos, de fotos de telemóvel de casa. Ainda hoje, quando a Catarina e eu temos tempo para nós fora de casa e os miúdos ficam com os avós, acabamos por dar por nós a ver e trocar fotos e a relembrar situações. 

Ter tirado a licença, fez-me dar o merecido valor a quem a tira e também a reavaliar as minhas prioridades na vida. Após quase 23 anos ligado à mesma empresa, a qual me viu e fez crescer profissionalmente, optei por fazer um interregno e viver um pouco mais a família e aproveitar enquanto a Maria Luiza não vai para a escola.

Há dias em que me questiono se fiz o melhor. Há dias em que tenho a certeza. Há dias em que acho que sou um velho (como diz a Catarina), outros em que o abraço da Maria Luiza (e a Catarina) me fazem sentir o melhor pai do mundo.

Não há pais perfeitos, há pais reais. E ainda bem. 

Pedro Góis

 

 

 

 

 

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