O Meu Diário

castigo ou consequência?

eu não sigo nenhuma teoria em concreto, acredito que o melhor é o instinto de mãe, aquele de que duvidei algumas vezes quando tive o meu primeiro filho mas que nunca mais questionei desde que tive o meu segundo filho. já li muita coisa do pediatra Carloz Gonzales e revejo-me na quase totalidade de coisas que defende.

tenho um filho com quase 12 anos o que já me permite ver as consequências das minhas opções. não obrigo os meus filhos a comerem, e comem legumes, um mais do que outro porque gostam de sabores diferentes. dormi com o meu filho mais velho até à madrugada em que fui para a maternidade. nunca foi isso que me impediu de ter uma vida íntima e no dia em que voltei para casa perguntei-lhe se queria vir dormir para ao pé daquela pequena criatura que acordava a toda a hora. inteligentemente recusou. hoje é ele que acalma o irmão se acordar durante a noite. dou mama ao A., com quase três anos, e isso não o impede de pedir para ir para ao pé do pai, cheio de saudades, com quem fica os dias necessários. nunca castiguei os meus filhos. e são os dois miúdos bem educados na forma como agem comigo e com os outros. não grito mas às vezes o cansaço faz-me ser menos paciente.

acredito nessa diferença importante entre castigo e consequência. um castigo é um acto punitivo per si mesmo que não envolva bater [nunca bati]. uma consequência é enfrentar aquilo que se fez: se deitou tudo para o chão apanha [e pode ser a mãe ou o pai a mostrarem como se faz], se teve más notas, estuda mais, se falou mal a alguém pede desculpa. a consequência está diferentemente ligada ao acto errado. envolve aprendizagem e não punição.

acredito na forma como educo mas não acho que quem eduque de forma diferente esteja errado. desde que não envolva violência física ou psicológica, acredito que todos os pais fazem os melhor pelos filhos. respeito os outros, exactamente como espero que me respeitem a mim.

e claro que sabe bem, perante formas de educar que nem toda a gente vê como “saudáveis” ter um pediatra que as apoia com base em estudos e teorias. eu, felizmente, tenho na forma como fui educada pelos meus pais a base da minha forma de educar: nunca me bateram ou castigaram, sempre me ouviram, sempre fui responsabilizada pelas coisas que fiz. liberdade e responsabilidade são faces da mesma moeda, repetia a minha mãe. também nunca me obrigaram a comer mas se não comesse o que estava na mesa estava bem lixada porque não havia mais nada.

podem dizer bem ou mal, no final de tudo, Freud é que sabia, seremos responsabilizados por todas as frustrações ou problemas. resta-nos fazer o melhor possível.

Comentários (17)

  • Adorei e concordo com tudo! Tudinho! 😉

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  • 3 anos? Qual é a vantagem de amamentar após 2 anos?

    beijinhos,

    viagemdoceviagem.blogspot.com | Facebook

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  • é mesmo essa a minha visão das coisas.. mas é difícil encontrar pessoas quem pensem assim, há muita gente por ai que diz "antigamente, dava-se a palmada e nunca fez mal a ninguém" vê-se pela quantidade de pessoas malucas e frustradas que por ai andam.. sou educadora de infância e vejo tanta coisa que mexe comigo, enfim.

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  • Nao podia concordar mais com a Catarina!

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  • "Nunca castiguei os meus filhos(…) não grito (…) nunca bati".

    E assim se descredibilza todo um blog…

    Onde está o real afinal? Mas alguém acredita que uma mãe de 2, que se assume com mau humor e mau feitio, nunca tenha castigado ou gritado???

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    • Nunca bati e não castigo. Não gritar não significa que não me zango. Qual é a parte não real?

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    • Nunca bati na minha filha e conheço imensos pais de muitos filhos que também nunca o fizeram. É possível 🙂

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  • Olá Catarina 🙂
    Normalmente concordo consigo, alias por isso é que a visito tantas vez!E gosto muito do blog. Mas a questão da amamentação faz-me muita confusão. Eu sou mulher, e compreendo que queira manter-se ligada ao seu filho. E amamentar liga mãe e filho, bom pelo menos durante algum tempo da vida da criança. Mas amamentar até aos 3 anos não é nada normal. A amamentaçao faz parte da vida da criança mas deve ser esquecida, extactamente como o processo de nascimento, aprender a andar etc etc. E um menino que fala, tem dentição, pede para ir ao WC já não precisa do peito da mãe. Mas se continuar a amamentar, o leite nao vai "secar" nem daqui a 1ano.A hormona da produçao do leite é uma hormona, digamos que, muito engraçada. Esta muito ligada ao acto de amamentar em si.Há artigos cientificos a falar da sucçao e a produçao de leite. Para além disso nao falo da socialização. Quer que o seu menino vá para a escola e ache normal beber do peito da mãe?
    Espero que não leia isto como uma má critica…

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  • Também acredito na educação sem violência, embora confesse envergonhada que a mão me saltou uma vez com a minha filha mais velha… também uso a noção de consequência dos atos de cada um (incluindo os nossos), como forma de aprendizagem. Infelizmente não consigo não gritar, porque quando me zango sai-me o grito com facilidade, resultado normalmente do meu próprio stress… ninguem e perfeito, e não existem pais perfeitos, e também acho que cada pai deve escolher o que para si faz sentido. E nem sempre isso é facil.

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  • Ké, sem problema nenhum.
    Eu acredito – e leio muito sobre o tema – no desmame natural. Uma opção do meu filho e minha.
    Não ofereço mama mas não nego quando ele me pede. Dado que isso não o tem impedido de crescer, mesmo desligando-se de mim [nos dias e noites que passa com o pai, por exemplo] acho que está tudo bem.

    Se quero prolongar para "sempre"? Não!
    Se lhe consigo dizer quando acabar…. também não mas já faltou mais 😉

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  • Catarina, acompanho o seu blog e facebook e admiro-te bastante. Ser mãe solteira de 2 filhos com tanta disposição positiva é um exemplo de força e como devemos reencarar a nossa vida! Tive ainda mais empatia quando soube que amamentava. Tenho um filho de quase 2 anos e meio e que também amamento. Sei que faz confusão para muitas pessoas, mas acho que só quem amamenta e sente isso como um momento mágico entre mãe e filho/filha é que pode perceber..eu costumo comparar com o prazer de ter o nosso bebé na barriga e o sentimos mexer. é também mágico e não se consegue exprimir o sentimento e sensação. O encarar a amamentação como algo natural, genuíno, faz toda a diferença. Nunca pensei que ia amamentar durante tanto tempo, tem sido natural. Também não sei quando terminar, mas quero que seja como tu dizes, naturalmente

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  • O meu filho tem 3 anos e 1 mes. ainda mama. e adora… nao vive sem a mama. diz que gosta do leitinho… criticas? tb quero que seja natural e nesse dia sei que vou ter saudades.Mas sao tantas as criticas…

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  • Gosto sobretudo do seu post pelo assumir de posições e atitudes da forma frontal e confiante com que o fez. A amamentação, a educação e a gestão do comportamento não são, nem nunca serão temas de consenso, nem me parece que o venham a ser. A vantagem de assumir posições pessoais de forma pública como o fez, é a de que outras mães e pais se libertem das suas inseguranças e passem a dar mais espaço e tempo aos afectos, sem tantas hesitações em se damos colo demais, mama demais, ralhetes a menos, e quando damos conta passou o prazo…

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  • Adoro mais uma vez Catarina. É engraçado o meu filho o salvador tem 6 anos e precisa da chupeta, anda no dentista e ele próprio diz que não esta a prejudicar a dentição e para deixar o s deixar a Chucha naturalmente mas sou altamente criticada, e o meu filho fica triste porque este natal foi se não deres a Chucha ao pai natal ele não vem, se não deitares a Chucha fora não a presentes de aniversario, eu sei que um dia ele não a vai quer mais, acabei por não ligar mais a comentários, quando deixar deixou, mais uma vez parabéns !!

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  • […] falámos aqui no blogue sobre castigos e sobre como lidar com birras. Nisto de castigar fica sempre a faltar a componente pedagógica. […]

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  • […] falámos aqui no blogue sobre castigos e sobre como lidar com birras. Nisto de castigar fica sempre a faltar a componente pedagógica. […]

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