Maternidade

Eu não gosto de brincar com os meus filhos

Eu não gosto de brincar com os meus filhos

Ainda na segunda feira vos trazia a questão dos influenciadores. Este post veio de um blog que adoro – Cupcakes and Cashmere e ficou indevidamente identificado. Imediatamente tive um comentário a acusar-me de desonestidade. Este blog está cheio de posts que trago de outros lugares que adoro. Tenho sempre o cuidado de identificar mas entre o copy e o paste de onde o tinha escrito – entre um parágrafo meu e estas questões –  faltou a fonte. Não tenho qualquer interesse em apropriar-me de conteúdos assim como desejo que não levem os meus. Justifico-me porque venho do jornalismo onde não citar a fonte é uma enorme falta de ética. Mea culpa. Voltemos aos influenciadores e ao que sentimos quando vemos algumas contas de instagram. Eu demorei muito tempo a não sentir culpa por não gostar de brincar com os meus filhos. Sim, leram bem, eu não gosto de brincar com os meus filhos.

Quando o Gonçalo era pequenino lembro-me de ir para o parque e voltar cheia de problemas de consciência e a promessa que nunca mais lá ia. Só servia para empurrar o baloiço e bater as palmas quando chegavam aos lugares mais altos. Na praia, a mesma coisa: castelo na areia, piscinas, bolinhos e jogos variados. Eu sou especialista em ir buscar baldes de água e, quando conseguem, jogamos às cartas. E em casa, eu deixo-os a brincar. Sirvo para dar mimo, ajudar a arrumar e leio história sempre que pedem. Mas brincar… Eu não gosto de brincar com os meus filhos. Se calhar porque, algures na vida, deixei de saber fazer o faz de conta.

Sigo no Instagram a Andreia, uma mãe que adoro – é excelente para tirar ideias para actividades com os miúdos (mesmo para quem não gosta!) – e são tantos os momentos em que lhe invejo a criatividade e a paciência. É inveja da boa, em forma de admiração, e daquela que nos impulsiona a fazer coisas boas. Por vezes até vou buscar os lápis e ficamos a fazer desenhos juntas.

A Maria Luiza está connosco em casa (irá no próximo ano para a escola). No plural porque está comigo, com o Pedro e com a minha mãe, num horário adaptado às necessidades e à vida em casa semana. Cada um tem as suas rotinas e a sua forma de estar. Felizmente a minha mãe adora brincar, fazer actividades, ir ao parque. E tem uma casa em que Maria Luiza pode brincar ao ar livre e fazer o que mais gosta: bolinhos de terra.

Eu sou a mãe que observa. No sofá, no computador, na cozinha, a estender roupa, sempre pronta para dar colo, mimo, e uma ajuda. E sou a mãe que ajuda nos trabalhos de casa e no estudo. Sentada ao lado: exigente mas paciente e disponível. Sou mais a mãe que conversa e a que prepara pizza (das que já estão feitas, atenção!) para os amigos quando aparecem cá em casa.

Eu não gosto de brincar com os meus filhos. Verdade! Gosto de tantas outras que já não sinto culpa por isso. Pelo menos já não sinto tanta culpa.

 

E vocês?

 

Comentários (11)

  • Olá Catarina, gostei muito deste texto e identifico-me com ele. Nunca fui daquelas mães que brincam com os filhos e sempre achei que não estava bem no meu papel. hoje em dia elas têm 14 e 10 anos e são miúdas felizes e bem resolvidas.
    Bjs e obrigada pela partilha, não estás sozinha!

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  • Também não gosto! Ufa…obrigada por partilhar! Por sorte, a minha filha mais nova é muito independente e tem uma avó maravilhosa que brinca com ela.

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  • Tal e qual. Mas detesto brincar. É uma seca
    Mas adoro ve -los a brincar.

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  • Bem; as mães não sei. Lá farão com entenderem.
    Os pais é que devem repensar muito bem se devem ou não brincar com os filhos, sobretudo se forem filhas porque não só são muito imaginativas como imprevisíveis.
    Como aquele pai, por exemplo, que ficou a tomar conta da filha, de três anos, quando a mãe teve de se ausentar.
    Ela foi buscar o serviço de chá que a madrinha lhe oferecera, e pelo qual a criança se apaixonara de tal maneira que em todas as brincadeiras o incluía.
    O pai estava ver as notícias na TV, mas colaborou e, deliciado, ia bebendo chávenas de chá, naturalmente só água, que a filha não menos deliciada do que o progenitor, num rodopio se encarregava de ir buscar e servi-lo.
    A mãe chegou e o pai, deveras encantado, empatou-a um bocado na sala para ver o divertimento.
    A mãe viu, e nadinha espantada, perguntou-lhe:
    – Tu já pensaste que ao único sítio com água a que ela chega é à sanita?

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  • Na verdade, se pensarmos bem, os nossos pais também não brincavam connosco. No entanto, estavam lá para o que precisávamos. Hoje, olho para trás e não vejo traumas por não brincarem comigo, pois o que era importante ficou registado. Saber brincar sozinho, ou com os irmãos estimula a autonomia e criatividade. Às vezes brinco com os meus filhos. Por vezes, porque me apetece, outras vezes forço-me a isso, quando sei que querem mesmo muito que esteja ali com eles a fazer aquela brincadeira. No entanto, também me permito deixá-los brincar sozinhos, quando não me apetece mesmo nada brincar com eles. Estou ali para o que precisam. Acredito que não os belisco em nada no crescimento por não brincar com eles a toda a hora e por tempos infinitos. Mãe serve para muito mais. Se puder, espreite o meu blog (muito amador): Uma Família Raríssima. Obrigada

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  • Afinal acho que tambem não gosto muito de brincar com a minha filha e só agora depois de ler este post é que dei conta disso!! Eu bem tento, mas rápido me farto! Tambem sinto essa inveja boa da Andreia, acho lindo o que ela faz para e com os filhos!! Mas lá está, adoro ve-la a brincar sozinha ou com o pai (q tem mais paciência do que eu) só não sei como brincar com ela, como ela se farta rápido eu tb me farto,… talvez daqui a um ano ou dois seja diferente!!

    Obrigada pela partilha e por me fazeres ver que afinal não sou a única!! Beijinhos

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  • Ufaaa… sinto que afinal não sou a única… não gosto de brincar com os meus filhos. Também me farto rapidamente… Gosto de os ter por perto. Gosto de cozinhar para eles. Gosto de sofá, um filme e pipocas e os nossos braços enrolados uns nos outros. Mas de brincar não gosto… também perdi a inocência em alguma altura da minha vida. É muito bom é libertador admitir que não gosto de brincar com eles. Mas não somos piores mães por isso. Beijinho

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  • Eu não gosto de brincar. Nunca gostei… Quando ainda vivia com o meu ex-marido ficava um pouco triste porque ele é que era o fixe porque brincava (apesar de não contriur em nadinha de tudo o resto) e eu que lavava a roupa, passava a ferro, arrumava a casa, trabalhava, fazia as refeições, tomava conta das míudas 95% do tempo em que não estava no trabalho, era a mãe aborrecida. Hoje elas são mais crescidas e percebem que há diversas formas de dedicação e amor, valorizam a forma de dedicação lhes dei e dou. Infelizmente o pai fixe cansou-se de brincar e como nunca fez mais nada, dedicou-se à ausencia. Mas de facto invejo as mães e pais com o gosto genuino pela brincadeira.

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  • Olá Catarina! Identifico-me imenso com o que escreve. Este post podia ter sido escrito por mim 😉. Obrigada pela partilha.

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  • Eu amo os meus filhos mais que tudo, mas tambem nao gosto de brincar, acho uma seca e enerva-me :D. Mas adoro tudo o resto que faço com eles, toda a companhia que lhes faço, o apoio, os passeios, mas brincar… NOP!

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  • Fale cedo demais. Cá está!
    Fico feliz por afinal de contas… não sou assim tão má dentro do tema brincar.. secalhar é isso.. admiro a capacidade de faz de conta que já não me assiste.
    Trouxe-me conforto ❤ grata!
    Um beijinho

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