Maternidade

Os bebés que não vão à escola ficam anti sociais?

bebés que não vão à escola ficam anti sociais

Já me fizeram esta pergunta diversas vezes: tenho medo que a Maria Luiza fique anti social por não andar na escola? Não, não tenho. Os bebés que não vão à escola ficam anti sociais?

Porquê? Por duas razões. Primeiro, e isto pode ser generalizado para todos os bebés, até aos 18 meses (atenção!!! mais coisa, menos coisa, porque cada criança é um caso único) não existe desenvolvimento das capacidades sociais. Mesmo que pareça, os miúdos não estão propriamente a brincar uns com os outros.

Por isso, mesmo que não existam irmãos, primos, nem amigos com filhos, não estamos a criar seres anti sociais se não os pusermos na escola quando são mesmo muito bebés.

Segundo, no caso específico da Maria Luiza, há irmãos todos os dias, há primos todos as semanas, e há crianças em várias situações das nossas rotinas. Por isso, continuando a ter flexibilidade (que isto é tudo muito bonito porque eu tenho essa opção), quero que a Maria Luiza fique em casa até aos 3 anos.

Com o Afonso tive a experiência de tentar por aos dois anos e, sendo a idade em que tomam consciência do eu e do “é meu”, correu muito mal. Aos três anos foi muito pacifíco.

Por isso, na minha opinião a escola até aos três anos deve ser gerida de acordo com a necessidade (e possibilidades) de quem cuida (pai, mãe, pai e mãe, família alargada).

Há bebés e bebés (leia-se por bebés crianças até aos três anos). Umas são mais sorridentes, outras mais trombudas, uns vão aos colos alheios, outros – quase todos – têm uma fixação pela mãe. E as pessoas que insistem em criticar: é tão agarrado à mãe! A quem havia de ser?

Alguns estão em casa e chegam ao parque e querem brincar com todos os outros meninos. Outros andam na escola e detestam socializar. Acrescento ainda, o mais sociável dos bebés pode vira ser o mais fechado dos adolescente (e vive versa).

Repito o mais importante: há bebés e bebés, há crianças e crianças. Cada caso é um caso e isso do que é normal ou não é demasiado relativo. Os bebés que não vão à escola não ficam anti sociais. E os que vão à escola podem nunca gostar de pessoas. É mesmo assim. E é normal.

 

 

Foto: Marta Dreamaker

 

Comentários (8)

  • Os meu estiveram em casa até aos 2 anos e pouco e de anti-sociais não têm nada, sendo que um então, não tem mesmo nada. Sempre foi muito conversador, com um discurso “muito velho” para a idade e uma excelente companhia em qualquer situação.
    Isso não tem nada a ver.

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    • Se toda os traços da nossa personalidade ficassem definidos tão cedo, muitas crianças que andam em infantários tornarse-iam adultos tristes e revoltados. As crianças que ficam com familiares até aos 3 são mais saudaveis em todos os sentidos, imunitariamente e emocionalmente falando.
      Têm a vida toda para socializar 😉

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  • […] Por isso, mesmo que não existam irmãos, primos, nem amigos com filhos, não estamos a criar seres anti … Ver artigo completo no Blog […]

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  • Tenho a felicidade de poder deixar os meus filhos com as avós. Passeiam, brincam no jardim, apanham flores e caracóis, vão ao parque, sujam-se, dão comida aos gatos, molham os pés. Aos 3 e 4 anos é altura de abraçar a escola e os amigos que por lá andam…até lá têm muito que aprender em casa.

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  • Não sei de onde vem essa ideia! Os pediatras aconselham (a quem tiver essa possbilidade, claro) a entrada na escolinha apenas aos 3 anos, e aos poucos, calmamente!
    Felizmente eu tive a quem os deixar e os meus entraram apenas aos 3 anos. E no primeiro ano da minha filhota, ela só ía de manhã porque queria dormir depois do almoço, coisa a que a educadora não achava grande piada… e quando perguntei ao pediatra o que devia fazer, ele respondeu-me de imediato: “Deixe-a dormir! Quem me dera a mim dormir a sesta depois do almoço, ela só tem 3 anos!”

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  • Tanto da mais velha como a mais nova fiquei com elas em exclusivo até aos 3 anos( onde faxia actividades e conviviam com o mundo), a partir daí ia fazendo trabalhos e tive oportunidade de tanto umo como a outra estarem 1 ano num colégio a seguir aos 5 anos pré primária na escola pública onde fizeram o 1 ciclo.

    Da primeira aconteceu uma avaliação aos 6 anos, no 1 ano onde ainda falava mto abebezada, avaliaçao durante 1 ano na psicóloga do centro de saúde onde o relatório talvez por não detectar nada dizia que a tinha privado do contacto social daí este “atraso ” na fala que só aos 8 anos com complicações com a professoura em final de carreira e com educação à moda antiga e num momento extremo ela foi avaliada pela professora de ensino especial onde comprova que estava tudo bem mas a inseriu na terapia da fala e em 2 meses os tiques da fala foram ultrapassados.

    Hoje são as duas já bem crescidas, miúdas bem formadas, mto adultas para a idade, meigas, sempre atentas ao outro ( prejudicam se por isso) mas noto as muito inseguras e indecisas para a vida.

    Se foi da forma ( maravilhosa 😍) que cresceram, não sei. O que sei é que educar é uma grande aventura.

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  • De modo algum! Qual anti-sociais?
    A creche e a escola que conheci foram as selvas africanas onde o meu pai espetou comigo até aos oito anos quando fui para a escola, e de anti-social não tenho nada e muito ao invés. 🙂
    E os meninos que conheci foram os pretinhos das senzalas e socializávamos que era um regalo ver-se. :)) Em quimbundo que no português não íamos lá.
    E por acaso não era nada agarrado à mãe e era mais agarrado ao matulão de quarenta e tal anos a quem o meu pai delegara a responsabilidade da minha segurança, com quem ia para cima das árvores ver as onças e os mabecos perseguirem as presas e devorarem-nas às nossas vistas.
    Tudo sociabilidade, portanto. :)))
    Acho que as mamãs de hoje, sempre temerosas dos seus rebentinhos, não percebem nada de anti-sociabilidade infantil

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  • Tenho um filho que fez agora, em abril, 3 anos. Está até ao momento comigo sozinho em casa e de anti-social, realmente, não tem nada 🙂 irá em setembro para o pré-escolar… Isto para concordar com a Catarina e dizer que as crianças são todas diferentes! O importante é que sejam felizes! 🙂 um beijinho

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