Aqui me confesso: detesto parques infantis.

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Como mãe de um filho pequeno registo na nossa existência um grave problema: detesto parques infantis.

Primeiro.

A paciência para andar atrás dele, entre as várias brincadeiras, esgota-se com uma rapidez assustadora. E a situação agrava-se pela facto de eu não tolerar o cheiro a metal. Lembro-me de ter seis anos e lutar entre a vontade de andar de baloiço e o cheiro a metal que ficaria nas mãos.

Segundo.

Aos sábados e domingos já me custa o suficiente tentar merecer um título para além de progenitora e sair de casa antes das onze da manhã, quando mais ser simpática com a quantidade de mães e pais que também estão no parque infantil. A simpatia é mesmo necessária porque a proximidade física é grande quando – todos e ao mesmo tempo – tentamos que os miúdos não se matem de cima do escorrega. Neste caso posso sempre fingir que sou a irmã mais velho do puto, que fui obrigada a sair em vez de me terem deixado a ressacar em casa – deste modo a antipatia, ainda que não desculpável, terá uma justificação.

Terceiro.

Contrariamente ao que é vendido nos filmes – e quase tão grave como a fraude das histórias de amor com música de fundo – os parques infantis não sou um bom lugar de engate. Os únicos pais que encontramos são casados e juntos porque – a bem da verdade – é necessário a existência de uma mulher que os tenha obrigado a estar ali. Os poucos pais divorciados ou solteiros que levam os filhos ao parque infantil fazem-se acompanhar das potenciais sogras o que, por princípio, não é um bom… princípio. Por isso o estímulo de me arranjar de manhã na perspectiva de me cruzar com o homem da minha vida também não existe.

Quarto.

Mesmo que o parque infantil estivesse a transbordar de homens lindos e inteligentes, eu, que apesar de ser uma mãe [um bocadinho] preguiçosa, não sou uma mãe negligente, não conseguiria conjugar a actividade de olhar para eles e tomar conta do meu filho. Estar no parque infantil exige uma atenção do caraças porque, já o meu paizinho me dizia, “evitem-se os riscos que podemos evitar”.

Conclusão. Espero que o meu filho um dia me perdoe todas as idas ao parque infantil que consegui passar à minha rica mãe.

O texto foi escrito em 2006. Continua a ser verdade: detesto parques infantis. E não gosto de brincar com os meus filhos.

4 Comentários
  1. Mãezite says

    “Os únicos pais que encontramos são casados e juntos porque – a bem da verdade – é necessário a existência de uma mulher que os tenha obrigado a estar ali.”

    Falso, falso, falso.

  2. lady says

    Mãezita, ainda bem! [é um exagero, claro. embora a mim tenham que me obrigar]

  3. MC says

    os parques são uma seca. tento sempre dar a volta e quase sempre consigo encontrar uma alternativa igualmente aliciante, com ar livre e correrias e putos … mas quando era pequena…era do melhor que me podiam dar!

  4. Jack London says

    Eu não acredito (ou, melhor, não quero acreditar) que, nos parques infantis, há homens que se fazem acompanhar pelas suas respectivas sogras…

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