Maternidade

Sarampo e Vacinas (esta história do sarampo assusta…)

sarampo

Quando a Maria Luiza esteve internada com tosse convulsa (antes de tomar a segunda dose da vacina para esta doença) escrevi sobre vacinas. Foi um susto enorme. Este post tem sido tão lido que sei que estou referenciado como uma pessoa não grata para a comunidade anti vacinas. Mantenho a minha posição: o Plano de Vacinação Nacional devia ser obrigatório e não uma referência. Por exemplo através da sua obrigatoriedade para as crianças andarem na escola. Obviamente que me dirão que alguns miúdos não vacinados não andam na escola mas partilham o jardim com outras crianças e bebés (em estado ainda vulnerável). É verdade! Mas seria um primeiro passo.

Esta história do sarampo assusta-me muito. Em Portugal vivíamos (e o que me assusta é escrever isto no passado) uma situação privilegiada de imunidade de grupo, fruto de um Plano de Vacinação Nacional bem estruturado e posto em prática. Sei que o nossos Serviço Nacional de Saúde tem muitos defeitos mas acreditem (e perguntem a amigos emigrados) que tem muitas coisas boas.

Há reações adversas às vacinas, seja a do sarampo ou qualquer uma das outras? Há sim. Também há a medicamentos, tampões, e até alimentos.

Não há garantia de 100% de protecção contra a doença? Não há mas o valor passa a ser bastante elevado e mesmo que tenhamos contacto com a doença o corpo já terá mais informação para a combater.

Há obviamente excepções à vacinação que estão comprovadas em termos médicos. E nesses casos a imunidade de grupo é ainda mais importante. Reparem no caso da filha de uma amiga que, por um problema cardíaco, não foi vacinada até aos 2 anos. Esteve protegida porque todas as outras crianças estão (deviam estar) vacinadas.

Eu defendo a liberdade no geral. E defendo ainda mais que cada família sabe a forma como cria e educa os filhos. Mas a nossa liberdade termina como interfere com a liberdade dos outros. E, neste caso, falamos de saúde pública. Para mim, essa é uma limitação inquestionável da liberdade individual.

Vacinem os vossos filhos.

 

Comentários (9)

  • Eu vivo en Marrocos, venho a PT de propósito por causa das vacinas. Partilho da mesma opinião.
    A filha filha de dois 2anos começou a creche e a cada 3/4 dias fica com febre. Agora já nem tanto. Os pediatras daqui ficam.surpreendidos como a Alice está tão bem vacinada (PNV + complemento donpediatra PT). Sinto-me segura em ter a Alice, a viver em Marrocos, o nosso PNV da-me confiança. Mesmo que vivesse em PT a opinião seria a mm. É u.a.questao de saúde pública. Obrigada

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  • “Mas a nossa liberdade termina como interfere com a liberdade dos outros.” Concordo plenamente e é preciso não esquecer que há pessoas particularmente vulneráveis que podem morrer com doenças como o sarampo (mesmo que vacinadas) porque têm o sistema imune deficitário. É o caso de pessoas a fazer tratamentos de quimioterapia ou de pessoas com doenças imunes, como o HIV, ou de alguns idosos. Estas pessoas só estão protegidas pela imunidade de grupo, ou seja, porque se toda a gente vacinar os filhos, os surtos destas doenças não aparecem.

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  • Olá Catarina,
    Estou 100% de acordo, é de louvar a sua postura e os seus posts sobre este tema são muito importantes ! Como farmacêutica gostaria de reforçar que uma vacina, ao ser administrada, dá origem a uma resposta do sistema imunitário (o sistema de defesa do nosso organismo) específica contra determinados microrganismos, criando uma protecção – imunidade contra a doença causada pelos mesmos.
    Vacinação tem assim uma função preventiva, não causando doença, mas também não a curando, mas sim evitando o seu desenvolvimento ou atenuando os sintomas da doença caso esta, mesmo assim, venha a ocorrer.
    Está cientificamente comprovado que a vacinação permite salvar mais vidas e prevenir mais doenças do que a maior parte dos tratamentos médicos.
    A implementação de programas de vacinação permitiu controlar, ao longo dos anos, inúmeras doenças que talvez a maior parte das pessoas, nem saiba que existiram como a poliomielite, tosse convulsa ou difteria,
    Além dos benefícios a nível individual, a vacinação de uma elevada percentagem da população, dá origem à tão falada imunidade de grupo, responsável, em parte, pelo controlo e/ou erradicação da doença numa dada região das doenças referidas.

    A imunidade de grupo é uma protecção extra ao impedir que alguns microrganismos circulem entre as pessoas (por estarem vacinadas) e evitando que algumas doenças se espalhem na comunidade, promovendo a sua erradicação.
    Para além disso a imunidade de grupo permite proteger alguns grupos que não podem, em algumas situações, ser vacinados (grávidas, crianças que não têm ainda idade para que lhes sejam administradas determinadas vacinas ou doentes com o sistema imunitário enfraquecido, devido a algumas doenças).

    Cada indivíduo não vacinado corre o risco de adoecer e aumenta o risco de transmissão da doença na comunidade.

    Por isso para mim A vacinação é um acto de protecção, é um direito, mas também um dever!
    Beijinhos,

    Luísa Leal
    a farmacêutica

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  • Olá Catarina! Também sou a favor da vacinação mas não concordo com a sua obrigatoriedade. Ninguém deve obrigar-nos a apanhar uma vacina assim como ninguém nos deve impor um tratamento médico.
    A meu ver é sim mesmo muito importante que se tirem todas as dúvidas a estes pais. Há muita desinformação a circular pelas redes sociais e não só. E, a meu ver, esse é o maior flagelo a combater. Concordo com a vacinação mas acho a obrigatoriedade abriria precedentes indesejados.

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    • Na realidade a maioria dos pais que opta por não vacinar já leu muito mais do que aqueles que optam pela vacinação. Sou sincera, eu vacino os meus filhos mas estou ciente que não li metade das coisas que amigas minhas que optaram pela não vacinação leram. Além disso à também alguns médicos a defenderem a não-vacinação, fora a questão da industria farmacêutica e o dinheiro envolvido por detrás. Pessoalmente acredito que, pensando na balança, a vacinação acaba por ser a melhor opção quando falamos de doenças que podem levar à morte. Penso que essas deveriam sim ser obrigatórias, as restantes não. Embora concorde consigo que abriria margem para o governo passar a controlar muito mais coisas na nossa vida, o que também não me agrada…é uma situação complicada.

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      • ops, desculpem os erros acima (à deveria ser há e pensando deveria ser pesando)

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  • Concordo tanto tanto. E assusta pensar que a minha pipoca, ainda sem um ano e, logo, sem a vacina do sarampo, possa apanhar esta doença que quase já não ouvíamos falar..

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  • No Youtube pode ver a palestra de uma especialista de Harvard! Quase duas horas de imensa aprendizagem.
    Dr Tetyana Obukhanych, Ph.D. – Natural Immunity and Vaccination

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