Maternidade

milk blues ou “depressão” pós-introdução alimentar

Baby blues

Ninguém fala nisso. E eu, só quando consegui falar do tema é que percebi que não estava sozinha. E foi preciso ter o terceiro filho para juntar os factos e perceber que não podia ser apenas coincidência. É a força das hormonas e uma pessoa ainda tem dúvidas.

Nunca senti o tal “baby blues”. Aliás quando nascem sinto uma espécie de bolha de felicidade, como se flutuasse. Sinto-me num mundo paralelo em que tudo acontece ao ritmo e de acordo com a disposição dos meus bebés. E eu gosto dessa lentidão. Desse momento em que as expectativas estão reduzidas ao única objectivo de ser mãe.

O meu “blues” acontece quando a mama deixa de ser a forma de alimentação exclusiva. Como se as hormonas comunicassem ao cérebro que já não sou insubstituível nem fundamental. Como se o corpo assumisse: podes relaxar. E eu sinto algo mais : podes sentir todo o cansaço que está acumulado. Chamei-lhe o “milk blues”. Assim tipo: menos leite e alguma coisa estranha acontece.

Foi assim com o Gonçalo, foi assim com o Afonso e tem sido assim com a Maria Luíza. Algures quando eles têm um ano sinto-me uma paulada na cabeça (perdoem-me mas não encontrei uma expressão melhor). E as coisas tendem a melhorar quando fazem dois anos. Sempre achei que essa sensação se devia à minha ansiedade quando começavam a andar mas a Maria Luiza nunca deu trabalho acrescido nesta fase.

Assim sendo falta pouco tempo para isto começar a melhorar. O cansaço já esta estabilizado e sinto-me bem. O pior tem sido a fome (mais por descontrolo do que por comer o cansaço). Desde o Verão já engordei 5 quilos. Que não me incomodariam se não fossem sinal de que não me sinto tão bem como queria.

Mas os momentos em que nos sentimos menos bem fazem parte desta missão de ser mais mais felizes todos os dias. E aceitar isso sem ansiedade ou pressa também é ser feliz. Por isso “milk blues” fica mas não te demores.

milk blues ou “depressão” pós-introdução alimentar, sentiram?

 

 

foto: Marta Dreamaker

 

Comentários (5)

  • Eu senti aos 6 meses quando a maminha deixou de ser exclusiva. Amamentar foi, sem dúvida, uma das melhores experiências da maternidade…

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  • Olá Catarina!
    Revejo-me totalmente neste post!
    Senti. E senti tanto que, na 1ª semana em que deixei de vez de dar de mamar, fartei-me de chorar…
    Faz parte de todo o processo de “darmos” os filhos ao mundo, primeiro com o nascimento pois nunca mais vão ser só nossos… depois quando deixam de mamar….depois com a ida para escola… E assim vão nos arrancando bocados que pensávamos ser nossos, para percebermos que afinal isto de ser mãe tem um lado quase injusto se não mesmo cruel, mas que vale cada segundo!
    Obrigada por partilhar coisas tão banais como intensas, continue!

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  • Tambem senti isso,mas tive vergonha de partilhar,pois pensei que fosse uma coisa minha.A minha filha tem 2 anos e parou de mamar aos 18 meses por escolha própria.Senti-me tão mal.E o mesmo senti com a do meio quando não pude continuar a dar a mama.Foi uma tristeza tão grande.Que bom que a Catarina partilhou a sua experiência connosco.Assim até já sinto que afinal não era coisa da minha cabeça.

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  • O desmame foi muito difícil com os meus dois filhos. Quase contra natura. Tanto que acho que daqui a uns anos a OMS vai aconselhar a amamentação em exclusivo até mais do que os 6 meses (teorias… ). A verdade é que o meu corpo sempre me disse que eu devia amamentar em exclusivo durante mais tempo

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  • Só hoje encontrei este blog… e estou a adorar!
    Revejo-me tão bem em cada post!

    Mas este tocou-me de maneira especial. Sou defensora do desmame natural. O meu primeiro filho deixou de mamar aos 29 meses. O primeiro dia em que não amamentei foi um “funeral”. Tive de fazer um autêntico processo de Luto pela amamentação…

    O meu segundo filho tem 18 meses. Já come de tudo – mas mama pelo menos 3 vezes por dia: pequeno almoço, ceia…e a meio da noite.
    Mas esta mamada nocturna está a deixar de ser necessária. Já aconteceram várias vezes em que ele não precisou.

    Resultado?… Já ando a sentir vontade de chorar, só de pensar que se vão acabar as mamadinhas! Que ele, tal como o irmão, está cada vez mais independente. Que a mamã se vai tornar “dispensável”… Ai, que dor! 🙂

    Mas afinal, não sou a única a sentir-me assim: “milk blues”… bem apanhado!!

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