O Meu Diário

Aceitar o corpo que tenho (aceitação não é desleixo)

aceitar o corpo que tenho

Neste fim de semana passei pelo espelho que me fez companhia em tantas fotografias quando estava mais magra e com o corpo definido e depois no crescimento da minha barriga de grávida. Olhei e percebi que não tenho tirado muitas fotos. Tirar auto-retratos (selfie, como agora o estrangeirismo obriga) é um exercício egocêntrico. Verdade! Mas é por isso mesmo uma forma de curar feridas e encontrarmos os ângulos em que gostamos da nossa imagem. É aceitar o corpo que tenho.

Neste fim de semana percebi não tenho registado a minha imagem. Porquê? Porque não gosto de me ver com mais uns quilos, os olhos cansados e a pele mais flácida. Mas não sou eu que defendo a aceitação? Não sou eu que grito ao mundo a necessidade de gostarmos de quem somos? Neste fim de semana percebi essa imensa incoerência. E prometi resolvê-la. Não apenas em teorias escritas mas em exercícios práticos.

Talvez ter tido uma rapariga que tenha tornado muito mais sensível a este tema da aceitação do corpo e da imagem. Muita para além das questão da minha própria aceitação. Tenho medo dessa pressão do crescimento da minha rapariga.

Como me dizia uma amiga: “não aguento as redes sociais, as corridas, os treinos, o ioga, e as refeições perfeitas e orgânicas”. E fiquei a pensar nessa linha tão ténue que separa a motivação da pressão.

Há dias em que somos capazes de tudo: de comer de forma perfeita, de preparar todas as refeições, de ir aos treinos e acordar mais cedo para correr (assim como há dias em que brincamos com os miúdos, temos sopa, de preferência feita com legumes biológicos, em que falamos sempre no tom de voz certo). Há dias em que comemos bolachas e só nos apetece pão com tudo. Há dias em que a vontade de focar deitada no sofá é muito maior que a motivação para treinar. Há dias em que queremos descansar sem que isso seja preguiça ou inércia. Há dias em que queremos comer sem que isso seja sinónimo de ser a favor do açúcar e da obesidade (a nossa e a infantil).

Naturalmente, ser fit, ter um corpo definido com os abdominais a espreitar não é compatível com excessos. Mas não ser fit não significa que não entendamos a necessidade de sermos saudáveis. Podemos treinar, conhecer a importância da alimentação saudável e não termos os abdominais definidos. E podemos adorar o nosso corpo tanto como aqueles que vemos nas redes sociais e achamos perfeitos (o vídeo que partilhei quando escrevi sobre a Rita Pereira era exactamente sobre isso: a perfeição é uma questão de perspectiva).

Não sei se a minha disponibilidade e a minha vontade me levarão a outra fase daqui a uns tempos. Este blog, que é um diário, guarda as provas de todas as minhas fases. A vida não é linear. E somos todos diferentes.

Neste fim de semana prometi que também tiraria fotografias com mais uns quilos. Aceitação não é desleixo. E motivar para que gostemos de nós como somos e mudemos aquilo que não gostamos é importante. Para mim é.

 

 

(na foto está a Maria Luiza ao espelho. devíamos manter este fascínio a vida inteira.)

 

 

Comentários (5)

  • […] Neste fim de semana percebi não tenho registado a minha imagem. Porquê? Porque não gosto de me ver com mais uns … Ver artigo completo no Blog […]

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  • 🙂 Pois… eu não sou fit… Sou magra, de mim… Em quase um ano em casa (fim de gravidez e licença de maternidade) perdi 10 kg, só com o dia a dia, alimentação (cuidada, mas com excessos pontuais), e acompanhamento dos filhos… Regressei ao trabalho há 1 mês… “recuperei” 2 kg… Simplesmente o corpo fica parado durante o dia…
    Não gosto de mim mais nem menos… Tenho consciência que estou diferente, que vou continuar a mudar, e tenho que me habituar à mudança, ou lutar contra ela (ou com ela) se for caso disso…
    Beijinhos e aguardo pelas fotografias!

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  • Cara Catarina. Revejo-me em quase tudo o que escreve e adoro ❤ é difícil entender se é desleixo ou aceitação. Penso nisso várias vezes… mantenho com um misto de amor e raiva, os 15 kilos a mais desde que a minha segunda filha nasceu, há 9 meses. Amor porque a transportei e amamento, raiva porque sinto falta de ter cintura e caber num 38. Mereço sentir-me bem assim?? Beijo

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  • Tem que se aceitar como é, faz bem, se gostam de si assim porque não?
    Quando tiver mais vontade, pois este tempo não nos deixa ter vontade para fazer certas coisa, pelo menos aqui no Porto onde o tempo está péssimo, chuva e muito frio, só apetece ficar no quentinho de casa:)
    E tem razão aceitação não é desleixo.

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  • Revi-me neste texto…aliás revejo-me em muitas coisas com a Catarina 🙂

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