aprender sempre [e perder o medo]

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já não sei o que é ter preguiça de treinar. só sei o que é amuar quando não consigo ir treinar. e sei que, para isso, é preciso gostar muito do que se faz. e acreditem, não foi sempre assim: há três anos não mexia o rabo!

era muito pequenina quando fui para a natação. tinha jeito, se não tinha a prática deu-me jeito suficiente para ganhar uns segundos lugares quando nadava bruços. a natação era o meu desporto: solitário e muitas vezes sem vontade nenhuma. teria sete ou oito anos quando pedi para ir para a ginástica como todas as minhas amigas. fiquei traumatizada e ao fim de duas aulas implorei para nunca mais voltar. não consigo precisar quando foi sei que fiquei cheia de medos. nunca soube saltar à corda, fazer o pino ou a roda. fugia dos desportos colectivos e implorava que me deixassem ir à baliza porque os meus amigos eram tolerantes comigo (as minhas amigas criticavam-me com aquele ar feminino e fino que eu invejava). safava-me no atletismo, tinha pesadelos quando sabia que me obrigariam a fazer um serviço no vôlei.

consigo lembrar-me do terror que senti quando, há dois anos, nas primeiras aulas de crossfit que fiz em Cascais, percebi que tinha que saltar à corda. e nunca esquecerei a calma com que o Mikael, meu treinar me disse: claro que és capaz. e fui. até já fiz um duplo e farei muitos mais. a mesma calma com que nunca duvidou que saltaria para a caixa as vezes que fossem necessárias. escrevi sobre isso. ainda hoje mato muitos demónios quando salto para a caixa. às vezes tropeço, magoo as canelas, mas recomeço. já não tenho medo.

na segunda-feira fiz o pino. o Luís, meu treinador no Crossfit Rato, não tem dúvidas que sou capaz, que serei capaz de fazer cada vez melhor. eu tento. sem medo das figuras que faço, sem medo de falhar, sem medo de repetir vezes sem conta. já não tenho medo.

[estava a ler este post do Salgueiro. para além de, finalmente ter percebido porque não há espelhos lá na box, gostei muito disto: ‘Podes ter cinturão negro em Jiu-Jitsu Francês ou campeão Mundial do Halterofilismo do Barreiro mas quando estás a fazer uma aula estás na qualidade de aprendiz.’ sei que deixei de ter medo porque acreditei nas pessoas que me treinaram. porque enquanto treino não sei nada e quero aprender. devo-lhes muito.]

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2 Comentários
  1. Miguel P. says

    Olá, Catarina,

    A verdadeira coragem está precisamente neste facto: ter medo, saber conquistá-lo e utilizá-lo a nosso favor. Quem não tem medo não sabe analisar os riscos e é temerário.

    Parabéns pelas pequenas “grandes” vitórias que motivam e nos fazem seguir em frente. Sempre!

    “Vemo-nos” nos treinos de CrossFit! 😉

    MP

  2. […] Ainda a propósito do medo que perdi, recuperei este p0st escrito no blog Dieta das Princesas. […]

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