dieta das princesas viver saudável

Inspiração: “Escrever sobre perda de peso é sempre complicado”

Escrever sobre perda de peso é sempre complicado. Escrever sobre a minha perda de peso ainda se torna mais complicado. A Catarina convidou-me a contar a minha história, e eu vou contar com o maior do prazer. Atrevo-me a dizer que teria de começar a contá-la desde a barriga da minha mãe [não vou fazer isso, estejam descansadas]. Apenas conto que geneticamente tenho 100% de probabilidades de ter excesso de peso. Não tenho ninguém na minha família que seja magro ou que não tenha excesso de peso.

Desde que me conheço sempre fui gordinha [genes do demónio]: a minha mãe regava sempre o bife com molho e alhos [era maravilhoso para mim], comia croissants com chocolate no intervalo das aulas e bolo de bolacha sempre que íamos ao nosso restaurante [não vou falar nas latas de leite condensado escondidas debaixo da cama prometo].

Quando vim para a faculdade foi a desgraça total, o meu peso quase alcançou os três dígitos na balança [sim para mim a balança ainda é um medidor das minhas atitudes, e sim ainda me vejo como um número, mas isto vai acabar prometo]. Um dia, quando cheguei a casa super-cansada de subir um lance de escadas disse “isto tem de acabar, eu vou conseguir perder peso”. A balança estava quase nos três dígitos e o meu colesterol a rebentar por tudo quanto era canto do meu organismo. Decidi que bastava. Tinha 23 anos.

Fui a uma clinica de emagrecimento, não é a melhor porta de entrada para um mundo saudável [digo isto por experiência própria] e também não é a melhor porta de saída. Mas eu tinha de começar por algum lado. Felizmente os meus colegas da faculdade, especialmente o G. percebeu que algo se passava [comer uma peça de fruta e um iogurte por dia não é de todo ideal] e não me deixava sair da mesa sem terminar as refeições e mesmo com elas já terminadas ele esperava que a comida me assentasse na barriga.

Sou uma miúda de emoções e como por emoções [fome emocional, sim ela existe e em grande quantidade na minha mente].

Em 2010 tinha perdido cerca 25kg  com o tratamento e com ginásio [eu e a balança tínhamos mais ou menos feito as pazes]. Fiz a asneira de parar o tratamento que estava a fazer na clinica e o peso começou a aumentar [pouco me importei, confesso].

Continuo a ser uma miúda cheia de emoções e em 2013 o meu peso já estava novamente quase lá no cimo do Evereste da minha vida. Perdi o meu tio [o-meu-pai-emprestado] e perdi o meu melhor amigo. Mas também fiquei noiva.

A verdade é que pouca coisa estava a meu favor, nem a favor da minha relação amor-ódio com o peso e com a balança. Tinha combinado com o meu melhor amigo que íamos os dois fazer dieta. Não podia desistir. Foi mais ou menos no inicio de 2014 [ano-novo-vida-nova-para-curar-feridas] que decidi que tinha de fazer algo por mim. Entrei num novo ginásio e conheci uma das pessoas que hoje em dia sei que tem uma paciência infinita para aturar o-meu-mau-humor com fome emocional: o meu PT. Em 2015 continuei o campeonato e casei com o homem-para-a-minha-vida.

Para perder peso é muito importante estarmos rodeados de pessoas que gostamos, que acreditam em nós e naquilo que somos capazes [eu não acredito em mim própria].

Mudei todos os meus hábitos, todas as minhas rotinas. Quando escolho um restaurante demoro ainda mais tempo para além daquele que já demorava. Vou para o ginásio exatamente com a mesma cara com que sempre fui, mas saio de lá sem peso nas costas, sem o sorriso encolhido, sem gritos mudos. Faço as minhas escolhas alimentares, faço-o pela saúde e por mim e sinto-me melhor. Já não escondo as latas de leite condensado mas como, de mês a mês, um salame de chocolate às escondidas, a ouvir ao longe a minha consciência que é um pecado. Tenho dias que não me suporto, tenho outros que até me tolero e tenho aqueles maravilhosos em que me olho ao espelho e me consigo ver.

Neste processo todo não me identificava. E hoje já me vou identificando todos os dias mais um bocadinho. Os meus estiveram e estão comigo e só posso agradecer o camião de paciência. Planeio muito as minhas refeições para ter um estilo de vida saudável. Ganhei saúde, ganhei vida. E sim vou ganhando todos os dias coragem de enfrentar aquele que eu odeio-mais-que-tudo, o espelho. Não quero ser perfeita, mas quero ser eu sem medo de olhar para baixo quando a balança diz que já posso ver o meu peso. Perdi X kgs, peso . Sou cada vez mais aquilo que como. E menos um número.

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Comentários (8)

  • […] Desde que me conheço sempre fui gordinha [genes do demónio]: a minha mãe regava … Ver artigo completo no Blog […]

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  • É muito bonita! Parabéns por tudo o que alcançou. Força! 🙂

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    • Obrigada é preciso calma, paciência, persistência, motivação. existem dias que dá vontade de desistir mas um dia de cada vez e sempre sempre muito foco, para nao haver deslizes!

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  • Fantástico! É muito linda e amada, de certo. E nao pelo peso a mais ou a menos, mas por ser quem é. Nos livros que tenho lido acerca de fome emocional apontam a terapia cognitiva-comportamental como o modo eficaz de combater essa fome, e logo, o peso. Sao livros, teorias… valem o que valem. Acredito que ainda vai gostar muito de se ver ao espelho. Continue a perseverar no caminho de um estilo saudável de vida. Parabéns pelos feitos conseguidos até agora.

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  • Obrigada, sim terapia cognitiva-comportamental, foi mesmo fundamental, aliás é!
    obrigada pelos elogios:)
    tenho tentado todos os dias preservar esse estilo.
    beijinhos

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  • […] dei-vos a conhecer a história inspiradora da Ana Luísa. vou deixar-vos pequenas histórias deste diário de mudança. porque são estas pequenas coisas que nos são motivação e força para sermos mais felizes. aqui fica também um bocadinho da minha história. no fundo estas histórias têm sempre dois pontos em que se ligam: a vontade de ser mais feliz e o click, antes do qual tudo parece impossível. […]

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  • […] de inspiração: a história de Ana Luísa, de Sandra Gonçalves, de David Storch, de Joana Moura, de Catarina Gonçalves ou de Constância […]

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  • […] mais textos da Ana Luísa Gil no”U Choose Unpredictable Life” ou recordar o post “Escrever sobre a perda de peso é sempre complicado“, publicado aqui no […]

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