“quando amo-te era mesmo amo-te”

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há quem diga que sofro de um distúrbio que me impede de assumir a idade que tenho. é mentira. eu sei que tenho 40 anos. mas também sei as saudades que guardo de tudo aquilo que podemos sentir quando somos adolescentes. digo e repito que serei sempre adolescente. assim como quando amo-te era mesmo amo-te com sabor de ir ao fim do mundo e voltar. ainda é.

hoje enquanto organizava o blog – que nunca deixará de ser o meu diário – encontrei este post. tem exactamente oito anos. voltei ao blog que encontrei nesse dia. 

lembro-me de ter estado perdida a ler e a invejar aquele pedaço de adolescência. a Marta cresceu mas continua linda. e eu conto adormecer nos próximos dias a descobrir aquilo que não li nos últimos anos.

 

morro – mas morro mesmo um bocadinho, mas só um bocadinho – de saudades de ser adolescente. falta-me a fluidez das palavras no tempo em que todos os minutos são poesia. tenho saudades do tempo em que morrer de amor era um sofrimento literário e não uma angústia castradora. tenho saudades do tempo. porque falta viver a vida toda quando se é adolescente. porque existe uma beleza infinita quando a ingenuidade ainda é só ingenuidade mas a vida já sabe a vida-a-sério.

tenho saudades de ter saudades-adolescentes. queria voltar a escrever declarações de amor eterno nas calças que nunca lavei. e levantar-me às seis da manhã para secar a minha camisa aos quadrados porque morreria – e morria mesmo um bocadinho – se não vestisse exactamente aquela camisa. tenho saudades do cheiro da adolescência: cheira a imperiais e pastilhas de canela. e morro – morro mesmo um bocadinho – de saudades quando amo-te era mesmo amo-te e sabia a ir ao fim do mundo e voltar.

 

i wish that we were magic
so we wouldn’t be so young and tragic

 

“quando amo-te era mesmo amo-te”

14 Comentários
  1. Margarida says

    É nestas alturas que me (re)lembro o quanto gosto de ti e apetece-me mandar-te um bilhete na sala de aula a pedir para que sejas a minha amiga e perguntar se me vais fazer companhia quando for "ao cantinho" fumar um cigarro. Depois, quando formos comer um gelado à baixa, logo depois do jantar, pedir-te-ia a blusa emprestada, aquela com decote de renda. Tu ficas com o Pedro e eu fico com o João. (as botas não quero, poupa-me)

  2. Dias de uma princesa says

    o amor da minha adolescência chamava-se Nuno. cheirava a tabaco e champoo johnson – daquele amarelo.
    nunca mais o vi…

  3. Margarida says

    O meu chamava-se Rui (é… tenho queda para ruis), parecia o Bryan Adams e tinha ar de perdido. Vi-o há pouco tempo no facebook. Digamos que há quem melhore com a idade e há quem não. Definitivamente ele não 😀

    (vou-me embora. Tenho um almoço com uma pessoa adorável)

  4. CLÁUDIA says

    E, nem sei bem porquê, mas as lágrimas correram-me com a mesma facilidade de quando era adolescente enquanto te lia…

    Para logo de seguida dar por mim a esboçar um sorriso. 🙂

    Saudades, tantas…

    ***

  5. Vera says

    Também eu tenho tantas saudades deste "amo-te". Cada vez mais. Cada vez mais penso que nunca mais o irei ouvir 🙁
    Um beijo

  6. CAP CRÉUS says

    Também gostei muito de ter descoberto esse blog!
    Impecável! emuito boas as fotos.

  7. *sarinha says

    gostei muito de ler o teu blog. vou aparecendo 🙂 *
    http://bolasdesabaonuvensdealgodao.blogs.sapo.pt/

  8. Ângela says

    Likewise…

  9. Antonio says

    És Linda.

  10. marta filipa says

    (:
    (queria dizer mais alguma coisa, mas…)

  11. Irina Cardoso says

    Este sábado faço 31 anos e sinto saudades de ser adolescente… Da forma leve como encarava a vida…
    Da escola, dos amigos, das saídas, das noites de copos, da despreocupação com que levava a vida…
    Os amigos da adolescência mantêm-se nos dias de hoje, mas com outras responsabilidades: maridos/mulheres, filhos, trabalho, cuidar dos pais…

  12. Golden Cage says

    Tenho muita sorte. Odiei a minha adolescência. Que período mais horrível da minha vida. Zero saudades. Evito voltar lá.

  13. […] outro dia falava sobre as saudades de quando “amo-te” era mesmo “amo-te”, assim em modo de adolescente que sente tudo intensamente, quer seja amor, alegria, ou dor e […]

  14. […] outro dia falava sobre as saudades de quando “amo-te” era mesmo “amo-te”, assim em modo de adolescente que sente tudo intensamente, quer seja amor, alegria, ou dor e […]

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