Maternidade

Phancy: dar qualidade de vida ao doente oncológico

Phancy: um espaço de bem-estar e estética para doente oncológico

Quando ouvi falar pela primeira vez da Phancy senti logo que tinha de escrever sobre isto. Não é fácil falar de cancro mas é necessário. A ideia é genial. É um projeto em que acredito porque vi de perto as transformações e as necessidades do doente oncológico. A Joana Miranda, CEO e uma das mentoras do projeto é enfermeira, mas também sentiu isto na pele.

“A ideia para o projeto surgiu pelo facto do meu pai também ser doente oncológico. O diagnóstico da doença foi algo difícil. Foi difícil porque eu sou enfermeira de profissão e a doença já foi detetada numa fase avançada, com metástases. Culpabilizei-me, porque não entendia como é que isto me tinha passado despercebido”, conta.

Com duas quimioterapias e três operações, o pai da Joana passou por aquilo que é comum a estes doentes: “Ele sempre foi uma pessoa extremamente ativa e quis manter-se assim. Mas, quando saia à rua, naquela fase com a pele mais acinzentada, havia sempre alguém que lhe lembrava que estava doente: ‘coitadinho, está doente.'”

Esta é a realidade para do doente oncológico. Querem normalizar a vida. Querem esquecer-se dos problemas, nem que seja por uma fracção de segundo. Mas há sempre uma voz que os puxa para baixo. É carregar a doença para além daquilo que o corpo sente.

“Depois, durante a quimioterapia, ele teve de usar chapéus, porque a pele fica mais sensível, por exemplo. Aí levantava-se a questão: onde comprar?. Além disto, as dúvidas da alimentação. Se formos ao Google há muita informação e desinformação. Era uma grande dificuldade para a minha mãe, que sempre cozinhou, perceber o que é que podia e não podia fazer.”

 

No longo prazo o doente oncológico viverá cada vez mais tempo. E precisa de qualidade de vida. Todos precisamos de gostar do que vimos no espelho. Mesmo que tudo o que vimos sejam as marcas do que nos salvou.

 

 

A Phancy – fundada pela Joana e mais três amigas, duas enfermeiras e uma farmacêutica – nasce de tudo isto: da vontade de normalizar a vida de quem está doente e de reunir num só espaço todos os serviços que quem atravessa esta fase dolorosa necessita. É uma marca que luta contra a “morte social”, uma consequência que tem um impacto negativo na autoestima de quem passa por este período. É, como bem se descreve, a “marca dos afetos”, que se materializa num espaço que “oferece serviços na área do bem-estar, cosmética, estética e nutrição a clientes com patologia oncológica em fase activa ou remissiva.”

A ideia é que o clliente entre, escolha o que precisa e saia à rua de forma a que a sociedade não o relembre que está doente”, explica. “Queremos dar qualidade de vida às pessoas.”

 

É uma ideia – que “não é um spa, nem um hospital, mas sim um espaço” – pioneira em Portugal e que existe pouco por este mundo fora. Como explica, “há, por exemplo, espaços que também têm serviços para doentes oncológicos, mas não há ao contrário: sítios dedicados a doentes oncológicos que também têm serviços para pessoas sem a doença.”

Chamam-lhe a marca dos afectos. O espaço fica em Entrecampos, em Lisboa, no segundo andar de um edifício onde há casas e escritórios. A ideia é essa mesmo: ser um espaço descaracterizado, onde o cliente – só se recebe um de cada vez – entra sem que ninguém saiba para onde ele vai. O serviço é pré-marcado e o cliente tem tudo ao seu dispor. A família também é bem recebida e pode participar nos tratamentos.

Há serviços de dermopigmentação 3D (mamilo, sobrancelha, pestanas, lábio), naturopatia oncológica, acupunctura e tuina, reiki, yoga restaurativo, pedopsicologia, psicologia clínica, de personal trainer, técnico de cabelos, especializado em perucas, designer de lenços, toucas e turbantes e maquilhagem. A equipa é formada, com profissionais qualificados.

Na altura em que já tínhamos espaço e conceito ficou a faltar-nos o nome e ela fez a sugestão. Eu gostei, porque o elefante é um símbolo transversal a todas as culturas que representa a força e a coragem.”

 

Para serviços mais agressivos, como o das tatuagens, por exemplo, é obrigatório o consentimento do médico, “caso esteja em fase de doença”, explica. “Um ex- doente oncológico já não precisa do consentimento médico.”

Também há um acordo com um escritório de advogados, porque muitas vezes as pessoas têm de deixar de trabalhar e “não conhecem os seus direitos”. Assim como não sabem que muitos destes serviços são comparticipado.

Nada do nome do espaço nos remete para a doença. E não é ao acaso. As palavras doença, cancro ou oncologia ficariam sempre de fora. Afinal, o projeto é positivo e a ideia é fazer os clientes sentirem-se bem e longe dos problemas. “É a junção de fancy, que nos remete para a moda, com elefante. Era o boneco preferido da minha filha Inês, que dizia sempre ‘fan’. Na altura em que já tínhamos espaço e conceito ficou a faltar-nos o nome e ela fez a sugestão. Eu gostei, porque o elefante é um símbolo transversal a todas as culturas que representa a força e a coragem.”

 

A Joana é uma, mas é um daqueles seres humanos que se desdobra em vários, só para fazer coisas boas. Porque além de ser enfermeira, também é mãe de duas meninas e agora CEO da Phancy. Obrigada Joana, precisamos de mais pessoas assim no mundo.

 

 

*a Phancy já tem facebook e instagram. o site está em construção mas chega em breve.

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