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Meik Wiking: “É difícil para os jovens serem felizes por estarem expostos às redes sociais”

Continuamos a falar de felicidade. Mas hoje o protagonista não é o livro “Ser Feliz Todos os Dias”. Provavelmente já ouviram falar nele. E é até provável que já o tenham lido. O entrevistado da inspiração desta semana é o dinamarquês Meik Wiking,  presidente do The Happiness Research Institute, autor de “O Livro do Hygge – O Segredo Dinamarquês para Ser Feliz” e do mais recente “O Livro do Lykke – Os Segredos das Pessoas Mais Felizes do Mundo“, da IN Editora, onde se contam histórias de momentos felizes, onde há muitas dicas para se viver melhor e tornar o mundo num sítio melhor.

O guru do Lykke (que significa felicidade) – que mudou de vida para estudar a felicidade e mais tarde criar o instituto – inclui informação com suporte de estudos realizados por todo o mundo (onde se conclui que Portugal é um dos países com os pais mais felizes do mundo, por terem uma rede de suporte maior, muito suportada pelos avós, e por terem mais tempo livre e liberdade).

 

Entrevista a Meik Wiking

Meik Wiking: "É particularmente difícil para os jovens serem felizes"

1. Quais são os grandes segredos das pessoas mais felizes do mundo?
Acho que é a própria noção do valor que a felicidade tem para todos no mundo. Acho que que sobrevalorizamos as nossas diferenças. Podemos ser da Dinamarca, do Reino Unido, dos Estados Unidos, da China ou da Índia, mas mais do que tudo e primeiro lugar somos humanos.

2. A felicidade não é um estado permanente. O que é então?
Nós consideramos três dimensões diferentes da felicidade: satisfação de vida, felicidade afetiva (que tipo de emoções as pessoas experimentam todos os dias), e a missão e sentido (entender como é que as as pessoas encaram o sentido de missão ajuda-nos a compreender o que faz com que as pessoas se sintam felizes.)

3. Há pessoas muito céticas relativamente ao conceito da felicidade…
Sim, as pessoas são bastantes céticas. E perguntam-me:“Como é que podes quantificar uma coisa tão subjectiva como a felicidade?”. Eu respondo: “Se estivesse a estudar a depressão, fazia-me a mesma questão?”. Até agora nunca ouvi um argumento convincente sobre porque não podemos estudar a felicidade de uma forma científica. Porque não havemos de tentar compreender a coisa que mais nos importa?

4. Na sua vida, já suportou situações complicadas e infelizes? Como é que as ultrapassou?
Uma vida normal tem altos e baixos e a minha também. Mas a sua questão relembra-se a razão porque criei o Instituto de Pesquisa da Felicidade.

Em dois meses, deixei o meu emprego e comecei a prestar ainda mais atenção ao interesse global naquilo em que nos faz felizes.

Em 2011, as Nações Unidas publicaram uma resolução que afirmava “a busca da felicidade é um objetivo humano fundamental” e em 2012 lançou o seu primeiro Relatório da Felicidade Mundial. Tomando em consideração um conjunto de factores, o relatório foi,  desde então, publicado todos os anos e tenho o prazer em dizer que a Dinamarca ficou em primeiro lugar nessa lista quatro ou cinco vezes. Ocorreu-me que alguém na Dinamarca devia tentar recolher alguns dados sobre o assunto. E tentar perceber porquê que estamos a ter resultados tão positivos no ranking da felicidade. Pensei: “Talvez deva ser eu a fazer isso.” Em dois meses, deixei o meu emprego e comecei a prestar ainda mais atenção ao interesse global naquilo em que nos faz felizes.

Em segundo lugar, ao mesmo tempo que estudava isto, o meu mentor no trabalho, um bom colega e amigo pessoal, ficou muito doente e morreu com 49 anos. A minha mãe também morreu quando tinha 49 anos. Então, comecei a pensar: “E se eu também só chegar aos 49 anos? E porque não criar algo que seja verdadeiramente excitante?”

5. O que considera serem os maiores problemas na sociedade hoje em dia?
Penso que muitas pessoas estão com dificuldades em encontrar a felicidade, penso que as nossas sociedades por vezes falham em transformar a riqueza material em bem-estar. Para os jovens, penso que é particularmente difícil por estarem tão expostos às redes sociais . sabemos que as comparações sociais podem ter um efeito negativo na felicidade.

6. Acredita que a geografia dos países influencia os nossos níveis de felicidade?
Sim, muito. Podemos ver que o sítio onde nascemos – o país – tem um impacto no nosso nível de felicidade. E por boas razões. Por exemplo, o país onde nascemos define se existem oportunidades iguais para homens e mulheres, liberdade e segurança.

7. Lembra-se de alguma história, caso, ou exemplo de uma pessoa feliz que tenha marcado mais?
Sim, no meu livro falo de ter conhecido um jovem e brilhante rapaz da Coreia do Sul. Ele passou por dificuldades incríveis, mas conseguiu dar a volta e transformá-las num sentido para a sua vida. Ele agora lidera uma fundação que tenta reduzir o estigma social sobre as doenças mentais na Coreia do Sul.

 

E logo às 21h30 conto com a vossa presença na apresentação do livro Ser Feliz Todos os Dias na FNAC do Almada Fórum. Vamos conversar sobre ser felizes.

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