Maternidade

ser mãe solteira e feliz. ser pai solteiro e feliz. vai correr tudo bem.

mãe solteira e feliz

O Paulo Farinha tem esta capacidade de escrever pela voz de personagens que cria e dizem as coisas certas. Antes de ler pensei: o que sabes tu sobre isto de ter filhos e separações? Depois li e comovi-me. Leiam aqui.

Recebo muitas mensagens de mulheres em processos de separação e divórcio. Têm muito medo de estar a tomar a decisão errada “por causa dos filhos”. Sei que recebo estas mensagens porque fui mãe solteira durante mais de 10 anos. Sei que estas mulheres procuraram alguém que lhes diga: “vai correr tudo bem”. Sei que cada história é uma história e não há certezas absolutas. Mas também sei que os filhos não podem ser aquele que nos impede mas aquilo que nos motiva.

Motiva a que pensemos nas coisas com calma antes de tomar uma decisão. Motiva a que demos oportunidade às relações às vezes apenas moribundas de cansaço. Motiva a que sejamos um exemplo de alguém que não desistiu de ser feliz.

Há alguns anos, num momento de desanimo e carregando a imensa culpa por outro projecto de vida que tinha falhado, disse ao Gonçalo:

– Não quero conhecer ninguém. Não quero correr o risco que as coisas corram mal e pôr essa pessoa dentro de nossa casa…

O Gonçalo olhou para mim, muito sério:

– Sabes que única coisa que queremos é que sejas feliz? Se tu estiveres feliz, nós estamos felizes.

E eu fiquei com aquilo a martelar-me na cabeça. Era mesmo verdade. A única verdade.

Sei também que agora vocês estão meio aliviados, meio ansiosos com o que vai acontecer. Pois eu digo-te que vai correr tudo bem e não tens nada de estar assustado.

A quem está desse lado, nesse momento de angústia, na certeza depois de todas as tentativas, aos pais e às mães que carregarão esse estranho estatuto de mãe solteira (ou pai solteiro) como se o estado civil acrescentasse ou retirasse alguma coisa às nossas capacidades parentais, como se de repente estivéssemos sozinhos no mundo, eu digo: vai correr tudo bem. Vai mesmo.

 

 

ser mãe solteira e feliz. ser pai solteiro e feliz.

 

 

 

 

Comentários (10)

  • […] Recebo muitas mensagens de mulheres em processos de separação e divórcio. Têm muito medo de estar a tomar a decisão errada “por causa dos filhos”. Sei que recebo estas mensagens porque fui mãe solteira durante mais de 10 anos. Sei que estas mulheres procuraram alguém que lhes diga: “vai correr tudo bem”. Sei que cada história é uma história e … Ver artigo completo no Blog […]

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  • <3 Não são necessárias muitas palavras…disse tudo <3

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  • Já te disse que gosto muito do Gonçalo? 🙂
    Beijinhos!

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  • Duvidas todas as mães e pais têm (será que estamos a fazer tudo bem?); ou a culpa de não ter tempo suficiente para estar com os filhos, ou por estar tão cansado, que sabemos perfeitamente que não estamos a fazer as coisas da melhor forma, mas da forma possível no momento, e assim nos vamos “arrastando” na vida, que é como quem diz sobrevivendo, e nessa postura os nossos filhos também a reboque… Isto deve acontecer mais acentuadamente a quem está sozinho (mãe solteiras), porque o que mais dói é a solidão de não ter com quem partilhar os desafios, ter outra cabeça a pensar connosco, outro ponto de vista, ou simplesmente com quem desabafar e aliviar o peso de fazer tudo sozinha. Não sei se há diferença no sentir, entre uma mãe solteira [sem ter sido casada e cujo progenitor nem acompanhou a gravidez e desde sempre a mãe esteve sozinha], e uma mãe divorciada, a que muitas vezes também parecem chamar de mãe solteira, mas gostava de saber. Alguém? Obrigada

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  • Tenho 42 anos, 1filho de 5 e estou separada. O pai do meu filho era o meu marido. Que por ambicoes profissionais esteve ausente ate aos 18meses e qd voltou praticamente continuou ausente porque qd chegava a casa ja era tarde e estava tudo feito. Quem tomou a iniciativa de se separar fui eu, tentei durante 2 anos que a coisa pudesse resultar,mas era impossivel.
    O meu marido era “outro filho” que eu tinha, a contribuicao dele era mt pouca no dia a dia e eu estava completamente sobrecarregada. Da minha experiencia o que eu posso dizer e que eu fui sempre mae solteira- casada, agora sou so mae “solteira”. O processo em termos de exigencias fisicas e quase o mesmo- dureza de ter de fazer tudo sozinha,gerir horarios para levar e buscar a creche, nao trabalhar quando ele esta doente (e o meu esta mts vezes),ter tempo diariamente para participar nos seus feitos, mimar,ajudar a lavar,vestir,cuidar,etc, e acreditem sou trabalhadora recibos verdes,nao tenho familia de auxilio mas as vezes nem sei como la vou andando e superando as barreiras.
    Agora o que eu gostava de sublinhar e que em termos emocionais e mt + leve, porque so conto comigo e nao tenho aquela pressao de ter alguem que opina mt mas que na pratica pouco faz, ou pouco abdica de si,os ” nhe nhes que nos empatam a vida. Tenho uma tranquilidade de espirito mt maior e isso permite dar mais de mim e melhor ao meu filho..
    Apesar dos medos iniciais, se fosse hoje que tivesse de escolher teria-o feito mais cedo, felizmente o meu filho nao teve nem tem qualquer sinal de tristeza pela separacao porque a uniao nao foi algo em que ele cresceu. Sou mae solteira mas de so nao tem nada! Tenho tudo: a forca e aquele abracinho compensador do meu filho!

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  • Gostei muito do artigo. Pequeno e poderoso (risos). Sou mãe solteira a 13 anos. Meu filho foi tudo de bom que mim aconteceu. Sinto nele muita força e coragem porque para ele também é um desafio. E de facto tem corrido tudo bem. 😚

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  • Pois eu digo vos que é possível ser mãe solteira e muito feliz, apesar de todos os momentos de angústia e incertezas. O pai da minha filha saiu de casa quando ela tinha um ano, ela foi criada exclusivamente por mim e sinto um orgulho enorme na pessoas que ajudei a formar: uma menina cheia de carácter e princípios!

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  • Adoro ler os textos do Paulo Farinha. No meu TOP está a carta da mãe para a avó e a resposta. Esta acabou de ficar em terceiro no meu top. Porventura porque a realidade do divorcio não tenha feito parte da minha vida.
    Mas são importantes todas as coisas que são ditas.
    O diálogo é fundamental. É crucial acreditar que a vida pode ser melhor, que a família continua a ser família mesmo quando a mãe e o pai deixam de se amar enquanto homem e mulher.
    Deve continuar a amizade e a cordialidade tão necessárias para criar uma criança num ambiente saudável.

    http://blogbestialmenteconhecido.blogs.sapo.pt/

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  • Em primeiro lugar obrigada pelas palavras!
    Sim, é mesmo necessário estarmos rodeados de pessoas que nós ajudem a acreditar que vai correr tudo bem.
    Infelizmente, existem uma conexão muito negativa ligada ao divórcio. Claro que não é o momento mais feliz da nossa vida e para chegar a essa decisão foi um caminho muito duro. Mas se foi tomada essa decisão é porque acreditamos que algo ainda melhor poderá caber na nossa vida.
    Além disso não vejo pela perspectiva de pais solteiros. Até porque o que deve acontecer é uma coparentalidade.
    A parentalidade deve continuar a ser partilhada para nosso bem e mais ainda dos nossos filhos.
    Mas claro cada situação é única.
    Mas é muito importante semear esta ideia nas pessoas, até porque, se cada vez mais existem divórcios e pais a assumir a parentalidade sem que seja necessário estabelecer uma relação entre os progenitores, também deve passar a ser “normal” que isso aconteça sem estar embrenhado no conflito.
    Neste momento sou mãe recém divorciada mas muito crente em dias felizes e uma coparentalidade sem conflitos.

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  • […] depois da separação dá trabalho, mas compensa. E sim, para todos os pais e mães solteiros, vai ficar tudo bem. Eu vivi […]

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