Maternidade

Trabalhar no pós parto. Quanto tempo devemos esperar?

Trabalhar no pós parto

Ainda a propósito do regresso da Rita Pereira à apresentação do programa Dança com as Estrelas uma das críticas que li foi sobre a rapidez com que a recente mãe foi trabalhar no pós parto.

É sobre isso que escrevo hoje. Mas antes deixem-me reforçar que a minha análise, no post anterior, era sobre o padrão de recuperação no pós parto. E nunca uma crítica negativa à Rita Pereira! Posso achar que o útero precisa de mais tempo antes de fazer alguns movimentos de dança mas cada mulher sabe dos seus interiores. E cada família gere a recepção a um bebé! Assim podemos passar ao tempo que me trouxe aqui.

É a mulher que passa pelo processo físico do parto mas um filho tem mãe e pai (e avós se for necessário). Mesmo num cenário paradisíaco em que a licença de parentalidade * durasse três anos a receber todo o dinheiro necessário as pessoas têm objectivos que são compatíveis com um bebé. A mãe pode ir trabalhar logo no dia em que sai da maternidade. Basta garantir que o seu bebé está bem. E num cenário normal o bebé está bem com a mãe e com o pai.

Depois temos outras hipóteses. Há negócios próprios em que não é possível parar e aquele que não gosto (mas existe tanto), situações em que economicamente não é viável tirar a mãe tirar a licença (imaginemos um pai em situação de desemprego e um subsídio mínimo). Por muito que a bolha das hormonas nos grite que temos de ficar com a cria, nem sempre a realidade é compatível. Infelizmente, acrescento, porque acredito que uma licença de parentalidade alargada seria bom para todos (incluindo a economia do país).

Quando tive o Gonçalo estava na rua a tratar de problemas um dia depois de sair da maternidade. Não tive alternativa. Regressava a casa de duas em duas horas para amamentar. Com a Maria Luiza, uma vez que tinha colaborações com recibos verdes que não podia parar, foi o Pedro que tirou a licença.

Trabalhar no pós parto. Quanto tempo devemos esperar? O possível e aquele que cada mulher desejar (na certeza que o fará estando o bebé tão bem como com ela).

A licença é de parentalidade e não de maternidade.

 

 

 

 

 

* Qual é a duração da licença parental inicial?
A licença parental inicial tem a duração de 120, 150 ou 180 dias consecutivos.
No caso de nascimentos múltiplos, acresce um período de 30 dias por cada gémeo/a além do/a primeiro/a.

Qual é a duração da licença parental inicial exclusiva da mãe?
A licença parental inicial exclusiva da mãe, de gozo obrigatório, é de seis semanas consecutivas a seguir ao parto, pagas a 100 %.
A mãe pode também gozar até 30 dias da licença parental inicial antes do parto, pagos a 100 %.

Comentários (2)

  • […] Voltamos ao tema sobre quem fica com bebé quando ele nasce. Estruturalmente, a sociedade está moldada para que seja a mulher a prescindir de uma carreira ascendente, porque não pode viajar tanto, porque não pode ficar até tão tarde, porque vai estar ausente na última fase da gravidez e primeira da vida do bebé. É a mulher que, regra geral, fica em casa durante mais tempo a cuidar do bebé. O homem segue para o trabalho. Estas estruturas têm de ser quebradas. A sociedade tem que se adaptar à realidade: os bebés são mudanças significativas na dinâmica família, aos quais os pais (os dois!) se devem dedicar. A licença parental partilhada deve ser uma regra — porque só assim se tornará a norma. […]

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  • […] Voltamos ao tema sobre quem fica com bebé quando ele nasce. Estruturalmente, a sociedade está moldada para que seja a mulher a prescindir de uma carreira ascendente, porque não pode viajar tanto, porque não pode ficar até tão tarde, porque vai estar ausente na última fase da gravidez e primeira da vida do bebé. É a mulher que, regra geral, fica em casa durante mais tempo a cuidar do bebé. O homem segue para o trabalho. Estas estruturas têm de ser quebradas. A sociedade tem que se adaptar à realidade: os bebés são mudanças significativas na dinâmica família, aos … Ver artigo completo no Blog […]

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