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As meninas deviam deixar de ver os filmes da Disney?

filmes da Disney

Não é a primeira vez que se fala no assunto e o mesmo aconteceu com a boneca Barbie por ser demasiado perfeita. São aquelas coisas que nos fazem pensar sobre as nossas escolhas enquanto pais e o nosso percurso enquanto filhos. Então, as meninas deviam deixar de ver os filmes da Disney?

Há duas semanas a atriz Keira Knightley proibiu a filha de três anos de ver os filmes da Disney “Cinderela” e “A Pequena Sereia”. Não foi a única: várias mães do mundo do cinema fizeram o mesmo. Depois do escândalo sobre os abusos de poder e casos de assédio sexual denunciado por mulheres no movimento #Metoo trouxeram à ordem do dia tantas outras questões que, provavelmente, nunca nos tinham passado pela cabeça. Keira diz em entrevista a Ellen DeGeneres que encontra sexismo em alguns filmes antigos da Disney e que não quer que esse seja absorvido pelas suas filhas. Para a atriz, não é normal que o príncipe beije a Branca de Neve sem a permissão da mesma: “Não se pode beijar alguém que esteja a dormir!”. Vocês pensaram nisso quando viram o filme? Foi só a mim que nunca me ocorreu tal coisa?

Para mim há uma grande linha que separa o movimento #Metoo dos filmes da Disney. É errado haver abuso de poder sobre mulheres? Sempre. O mesmo sobre homens? Também. Já escrevi sobre isso:  “a culpa de uma agressão nunca é da vítima.” Nunca! E não tenho qualquer dúvida que a mudança passa pela educação.

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"Uma mulher veste-se como quiser, bebe o álcool que quiser (não estou a falar de saúde), toma as drogas que quiser (mesmo que eu seja contra todas elas). Uma mulher comporta-se como quiser e nunca, repito nunca, está a pedir para ser abusada. E pode até estar a seduzir um homem e a insinuar que o deseja, que quer ter relações sexuais. Se depois de tudo isso lhe disse que não, não é não." ⛔ ⬇️ A foto não é importante. A legenda é fundamental. Passemos a mensagem e gritemos ao mundo o direito de cada mulher ser dona do seu corpo. E gritemos ao mundo que sejam verdadeiramente castigados aqueles que não o respeitarem. Defendo a igualdade de géneros mas nisto sabemos que a mulher ainda é muito mais exposta, infesa e criticada (infelizmente também por outras mulheres). #nãoénão 📷 @lia_emotionsphotography

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Mas daí a não deixarmos os nossos filhos ver filmes de animação, vai um passo largo. Vi todos os filmes e nunca quis um príncipe. Vi todos os filmes e nunca achei normal um homem beijar uma mulher sem permissão. Vi todos os filmes e nunca quis depender de um salvador para ter a minha liberdade. Vi todos os filmes e tenho em mim todas as noções e valores. As referências não estão (ou não devem estar) nos filmes de animação e na fantasia. Estão, sim, nos exemplos próximos. Se assim fosse, todos os rapazes queriam ser taxistas como o Nody!

Sinto uma ligeira tendência para a descontextualização e para o alarmismo desmedido. Não estou com isto a querer dizer que não haja um caminho a fazer no que toca à igualdade entre géneros. Se há… Mas não me parece que passe por deixar de ver filmes da Disney, porque há Cinderelas mas também há guerreiras. Somos diferentes mas igualmente nulheres.

Comentários (8)

  • […] Há duas semanas a atriz Keira Knightley proibiu a filha de três anos de ver os filmes da Disney “Cinderela” e “A Pequena Sereia”. Não foi a única: várias mães do mundo do cinema fizeram o mesmo. Depois do escândalo sobre os abusos de poder e casos de assédio … Ver artigo completo no Blog […]

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    • Como em tudo na Vida, o bom senso, a intuição, a observação, a paciência deve prevalecer na educação das crianças. Entendo que sim os filmes “cor de rosa” têm um impacto na Vida de qualquer criança, e os filmes da Disney não são excepção.
      O que faria então?! Não acredito que possamos fechar os nossos filhos numa redoma de protecção tentando afastar “o mal”, os pais que fazem isto revelam apenas um medo que não estão a ser capazes de enfrentar, aceitar ou resolver.
      A disney não é diferente das novelas que vemos, das músicas que ouvimos…tudo tem um impacto no nosso insconsciente e mais tarde ou mais cedo teremos de enfrentar essa parte tão escondida do nosso iceberg e isso faz parte do processo de crescimento humano, não podemos impedir esse processo nos nossos filhos, podemos apenas estar atentos e dar-lhes as ferramentas emocionais e mentais possiveis para lidar com essa informação que entra por todos os poros do nosso Ser. A dor e sofrimento fazem parte de 99,9% do processo de individuação e fugir de todo este processo não vai facilitar a vida de ninguém. Apenas estamos a deixar passar a mensagem que devemos ter medo viver, de correr riscos, de cair e de falhar, (quando, em verdade, é nestes momentos que mais aprendemos e crescemos) estamos a criar limites emocionais e mentais, a passar atestados de algum tipo de incapacidade a nós mesmos (pais) e aos filhos também. Na vida devemos sempre aprender e ensinar que a dor é inevitável e que “mais importante do que o que me acontece é a forma como reajo ao que me acontece” (não me recordo do autor desta frase), isso é que é determinante na construção da minha personalidade, da minha humanidade, da minha bondade sem nunca abandonar a minha própria integridade. Concordo que é como caminhar no fio da navalha, mas este é o desafio da Vida, por isso é tão importante que os pais além de abraçarem o projecto Família também façam um laço com o processo auto-conhecimento.
      Ainda hoje ouvia a Monja Coen falar que não podemos criar caixas do bem e do mal, não podemos criar separatismos, mas aprender a aceitar e a lidar com todas as facetas da vida. Proibir nunca foi solução para nada, senão as ditaduras teriam sido maravilhosas e não foram e não são.
      Não trago soluções milagrosas, mas nisto da educação o medo da Vida, ainda que presente, não pode ser castrador. É bom ter medo e o seu propósito é ensinar-nos a coragem, a resiliência, o foco e a determinação. Educar pela alegria, pelo optimismo, pela coragem, pelo respeito, pela bondade, pelo perdão para aceitar que o outro lado, mais sombrio, também existe e, para já, vai sempre existir. Fugir e esconder não é solução.
      Grata pela oportunidade de reflectir e exprimir sobre tudo isto.

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  • Eu acho que o pior é que as princessante casam aos 15 e 16 anos. Não discordo com a actriz. Por isso prefiro que a minha filha veja os filmes mais modernos, como a Moana (acho que em PT se chama Vaiana), uma miúda sozinha pelos oceanos para salvar a sua ilha…os filmes antigos estão colados à noção de que as mulheres precisam de um homem que as salve…e depois casam crianças! Não gosto! Não proibo mas não faço grande questão que veja todos repetidamente! Beijinhos Catarina

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  • Acho que agora tb se cai um pouco no exagero. Nem tanto à terra nem tanto ao mar. Entendo a visão e até mais do que o beijo o que me faz mais confusão é na branca de neve só pq a rainha quer ser a mais bela manda matar a branca de neve. O lobo mau quer comer os porcos…. a capuchinho vermelha é comida pela bolo… sei lá… Faz-me confusão. Qd leio a branca de neve nunca leio como a história real fala. Enfim…
    Concordo c a catarina. Os filhos aprendem c o exemplo em casa e não c os filmes. De qq forma podemos sempre falar-lhes do filme. Eu tb gosto mais dos filmes mais recentes…

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  • Não faço grande questão que a minha filha, que tem 3 anos, veja esses filmes mais antigos ou que leia os livros. Os livros que ela tem, Cinderela, Branca de Neve e afins, uma pessoa começa a ler e percebe que aquele conteúdo está completamente desatualizado, face às questões de género. Eu nem consigo ler a história tal e qual como ela é. Faço sempre um upgrade. Não é o fim do mundo, os miúdos vão buscar referenciais a muitas outras coisas, mas este também é um deles. E quando queremos mudar o paradigma do que é ser mulher e do que é ser homem, a mudança também começa nestas pequenas coisas. Entre tantos bons livros e filmes que já existem, faz sentido para mim evitar aqueles que não correspondem àquilo em que acredito.

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  • Adoro estes extremismos… Talvez seja de mim, que sou mais descontraída, mas não passará tudo pela educação que se dá aos miúdos? Eu e a minha irmã vimos e revimos todos esses clássicos de princesas, e somos ambas independentes, seguras e autónomas.
    Nenhum dos personagens dos filmes e das histórias mais antigos tem famílias de pai e mãe, já repararam? O Pinóquio vive com o Gepeto,a Ariel e a Bela não tinham mãe, a Cinderela e a Branca de Neve, orfãs de pai, a Pocahontas tem uma avó árvore, o Hansel e a Gretel, que até vivam com pai e mãe, foram abandonados na floresta… mas nunca me passou pela cabeça aniquilar nenhum dos meus progenitores à conta dessas histórias, nem atirei paus a gatos nem apedrejei lobos.
    Enfim, não me parece que alterar as histórias tradicionais resolva grande coisa. Criem-se novas histórias, concordo, mas ensine-se às meninas que antes era de uma forma, mas que as mulheres têm dado grandes passos para serem mais fortes, que somos umas privilegiadas quando comparadas com as nossas avós e bisavós, e que devemos dar outros tantos saltos para que os nossos filhos – rapazes ou raparigas – se respeitem, acima de tudo!

    PS – Catarina, sou TÃO vossa fã que até cansa. Que família mais querida – e pouco tradicional 😉 – que vocês são!

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  • Acho que tudo cai num exagero. Cabe a nós educar os nossos filhos e mostra-lhes o que pode ser ou não abuso. Nem 8, nem 80! Se um namorado rouba um beijo à namorada, é abuso? E a magia que isso pode ser!
    O meu marido roubou-me o nosso primeiro beijo… nunca me senti abusada. Se me tivesse pedido permissão acabaria com toda a magia. Ainda hoje me lembro e foi pura magia.

    PadaandLuda * Página * BlogLovin

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  • Eu não sou muito fã, não proibo de ver se derem na TV mas não os coloquei a ver quando eram mais pequenos… Não sou muito de exageros e acho que as crianças de um modo suave devem aos poucos ser expostos a diferentes realidades… Esses filmes são fraquinhos a vários níveis, são desactualizados, não têm nenhuma mensagem substancial e pessoalmente faz confusão as maldades, a violência…acho perda de tempo com tantos filmes e histórias giros…mas na realidade não é para tanto drama…

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