maternidade

Os filhos têm que ser prioridade sempre?

orçamento familiar

No outro dia, durante uma inconsciente ou corajosa ida ao IKEA em saldos, assisti a uma birra de uma miúda de 11 ou 12 anos que, em lágrimas, dizia à mãe

Dizes que não tens dinheiro mas vais comprar um coisa para ti!

E a mãe desculpava-se…

Alto lá! Considerado que não lhe falta comida, roupa e material escolar, acreditando que aquela mãe dá à filha todas as condições de vida, porque raio é que a senhora, mãe, adulta e trabalhadora, não pode comprar uma prenda para si em vez de comprar uma prenda à filha? A senhora, mãe e adulta, trabalha e merece. Ou os filhos têm que ser prioridade sempre?

Não conheço a mãe e a filha em questão mas já assisti de perto a muitas situações em que os adultos se sentem na obrigação de dar aos filhos antes de dar a si mesmos. E não concordo. O adulto trabalha e pode compensar esse esforço depois de todas as obrigações orçamentais pagas.

Lembro-me aqui há uns anos, num saída com uns amigos com filhos, num café onde faziam umas sandes de caranguejo maravilhosas mas não baratas. Os miúdos já tinham comido mas o pai – que adorava aquilo – disse:

– Não tenho dinheiro para comprar a todos também não compro para mim.

Mas os miúdos não podem aceitar e perceber que os adultos também têm direito a prendas e mimos?

Eu quero que os meus filhos entendam que o dinheiro custa a ganhar e que eu mereço ser mimada. Os filhos serão sempre a prioridade na gestão de um orçamento familiar mas, depois de todas as necessidades previstas, num gasto supérfluo, o adulto pode priorizar-se sem se sentir culpado.

 

e já que o assunto é o orçamento familiar…

relembrem este post sobre o meu problema crónico a perder o cartão multibanco.

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Comentários (9)

  • […] Alto lá minha menina! Considerado que não lhe falta comida, roupa e material escolar, acreditando que aquela mãe dá à filha todas as condições de vida, porque raio é que a senhora, mãe, adulta e trabalhadora, não pode comprar uma prenda para si em vez de comprar uma prenda à filha? A senhora, mãe e … Ver artigo completo no Blog […]

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  • 11…12 anos… com essa idade nem merece explicação, é deixa la a pensar.

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  • eu acho que o problema está nos pais que fazem com que os filhos pensem que tudo gira á volta deles. É um facto que de certa forma gira mas à que fazer os filhos perceberem que coisas sao realmente necessárias. Os pais têm direito a todos os mimos, porque pais felizes criam criancinhas felizes, e todos nós precisamos de mimos e de dar vida, por breves instantes, ao nosso lado materialista mais secreto.

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  • Na minha opinião é fifty/fifty, mimo-mo a mim e à miúda quando posso, a minha filha nunca me disse tal coisa, mas por minha iniciativa, como ela partiu o visor do telemóvel, comprei-lhe um novo e fiquei com o dela mandei colocar um novo visor, não lhe dei um telemóvel XPTO como muitos colegas têm, segundo informação dela, mas não me importei nada de lhe dar o novo a ela, quando o meu avariar pois já é antigo, terei que me mimar, mas para já serve, não é lá grande coisa como se pode ver pelas fotos no Insta mas dá para o “gasto” como se costuma dizer:(

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  • Também há o caso do adulto ser egoista e colocar-se em primeiro lugar, considerando as necessidades do filho, não prioritárias. Sem conhecer a história é difícil avaliar, mas nem todos os pais são altruístas, é um facto.

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  • Não conhecendo a família de que se trata, podemos apenas transpor para as nossas famílias e imaginar. A minha mais velha tem 6 anos. Imaginar a minha filha a dizer isso leva-me a crer que algo não está bem. Essa frase “tens para ti mas não tens para mim” dá-me pena da criança. Como se estivesse a reivindicar o direito de justiça.
    Há os bens mínimos necessários para cuidar bem da criança e há os bens que oferecemos como complemento para satisfazer a felicidade deles (e isso já depende do q a criança pede, se é algo caro ou não, se faz anos ou é Natal).
    Se uma criança que se porte bem, que nunca pede nada, pontualmente tem coragem para pedir algo, não vejo porque não oferecer (não esquecendo claro, q exceção não é regra, e que prendas caras são em ocasiões especiais anuais!).
    Dizer sempre que não aos filhos, só porque sim, também não me parece bem. A criança não tem de passar a infância a ver os outros com tudo sentindo que não tem nada.
    Vejo casos próximos em que são contra investir nos filhos (em brinquedos e actividades) porque “entretém-se muito bem sozinhos” mas depois bora investir num tlm xpto e consolas última geração e jogos.
    Sim são os p

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  • Sim são os pais que ganham o ordenado, mas ser altruísta faz parte da paternidade. Se não há para todos, há para eles. Afinal, estamos cá para os fazer felizes e com isso, sentirmo-nos bem por ter abdicado desse auto-mimo.
    Se um dos meus filhos algum dia me dissesse isso, eu ia sentir que algo estava errado (considerando que era um comentário justo e não fruto de uma birra).
    Tanto eu como o meu marido pensamos e atuamos assim.
    Mãe de 3 🙂

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  • Eu acho que devemos comprar para eles e para nós. De certo, nao compro para mim se não puder comprar para a minha filha também. E se houver dinheiro só para uma então nesse caso compro sempre para ela primeiro.
    Não acho bem a miuda usar esse tipo de conversa com a mãe, porque a mãe é que sabe do orçamento familiar, e depois é avaliar, o que a miúda quer é necessário ou é superfluo? E a mãe? O que ela quer comprar é necessário? Eu detesto comprar coisas só por comprar e sei que os miudos se fôr brinquedos por exemplo querem tudo o que virem na TV. Portanto, no fim das contas é um balanço ( como tudo na vida). Comprar para os miudos primeiro sim se fôr necessário, e de vez em quando qualquer coisa mais superflua, mas também temos direito de vez em quando, ainda que muito de vez em quando a comprar uma coisinha que nos alegre o olho! Tenho dito!
    https://parttimemumandscientist.blogspot.co.uk/

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  • Concordo a 100% com o que escreveste. Acho mesmo que existe uma tendência para os pais se diminuírem e se tornaram submissos aos filhos e assim acham-se ou são considerados, não sei, bons pais, pelo espírito de sacrifício? Li numa fórum uma mãe a queixar-se que a filha fazia uma birra gigante cada vez que os pais queriam ver notícias na TV, TV que era totalmente monopolizada pela criança e depois vi mães a aconselharem que a solução era os pais não verem TV porque isso era mau exemplo para as crianças e claro se a TV estava ligada ela queria era ver programas de crianças. A sério? Mas agora para sermos bons pais temos que ser uns sacrificados, sem TV, sem programas de adultos, sem comprar nada para nós e a viver submissos a mini ditadores, acho que devemos fazer um favor à sociedade e educar crianças que sabem partilhar espaços, sabem ouvir um não, sabem ser contrariadas, sabem viver sistemas hierarquizados, sabem que o mundo não gira à volta delas, porque meus amigos, pais e filhos é um sistema de hierarquia e não de igual para igual 🙂 Parabéns pelo blog e pela lucidez do que publicas.

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