maternidade

Ainda a Supernanny Portugal. Ou as muitas supernannys em Portugal.

Supernanny portugal

Primero que tudo destaco, uma vez mais que, apesar de não ter visto o programa, conheço o formato noutros países, vi pequenas partes deste episódio Supernanny Portugal, e detesto. Não acredito em nenhum destes formatos salvadores sem seguimento futuro (pensemos nos gordos que voltaram a ser gordos). Impressina-me pelo aproveitamento da fragilidade de quem participa, até a nível monetário (a mãe terá recebido um valor mínimo que para ela será um balúrdio porque precisa). Obviamente com a agravante que aqui existe a agravante de estar uma criança envolvida.  E também porque a forma de educar não é aquela em que acredito.

Por mim acabem com o programa. E juntem outros pelo caminho.

 

A questão é que perante uma forma de educar aparecem logo centenas de críticas de mães e pais irrepreensíveis.

Ninguém grita, ninguém bate, ninguém cede à birra por cansaço. Supernanny Portugal à parte, nesta internet ninguém deita os filhos nas suas camas, ninguém deixa os filhos chorar, ninguém compra um chupa ao miúdos, ninguém liga a televisão quando precisa de fazer o jantar, ninguém dá uma papa à noite porque não há sopa nem força para fazer mais. Na internet não há castigos nem filhos mal educados. Na internet ninguém deixa os filhos mexer no telemóvel, nem no tablet, nem em coisa nenhuma. MAs curiosamente esses pais estão sempre com os telemóveis nas mãos para escreverem essas certezas absolutas (atenção que as ondas que fazem mal estão demasiado próximas assim!).

Há dois dias que existe um mundo de supernannys perfeitas.

Há excepções e contextos mas, no geral, cada mãe e cada pai faz o melhor que pode e sabe quando educa os filhos.  Por exemplo, eu não grito. É uma opção meia egoísta porque os gritos destroem-me a cabeça. Mas já tive momentos limites em que gritei. Nunca bati porque nunca apanhei. Acredito que esta é forma certa mas quem sou eu para criticar?

Os meus filhos mexem imenso no telemóvel. Verdade. Porque eu trabalho em casa e passo muitas horas agarrada ao computador e ao telemóvel. Chama-se imitação. É uma desvantagem de quem é free lancer. Há outras vantagens. É normal. Detesto ver os miúdos à mesa dos restaurantes com o tablet para não chatearem. Detesto. Mas também já o fiz (e faço).

E há mesmo famílias onde não há televisão, nem telemóveis, nem brinquedos de plásticos. É a opção dessas famílias e fazem muito bem.

Falo apenas por mim, sou muito fraca nisto das educações perfeitas.

 

 

Foto: Mariana Sabido 

 

 

 

 

PARTILHAR

Comentários (10)

  • 500 % de acordo…
    Choca-me a exposição, mas não tenho dúvida que é o reflexo da generalidade das nossas famílias..
    Mais, acredito que parte dos comentários é porque as pessoas se revêm no exemplo apresentado e têm vergonha disso mesmo…

    Responder
  • Crescem como cogumelos, as Supernnanys… 😀
    Gostei muito do artigo. No meu esforço em fazer o melhor por duas criaturas que amo profundamente, tenho cometido “erros de palmatória”… assim como os seus!
    Continue, gosto muito de vir aqui cuscar.

    Responder
  • […] Primero que tudo destaco, uma vez mais que, apesar de não ter visto o programa, conheço o formato noutros países, vi pequenas partes deste episódio Supernanny Portugal, e detesto. Não acredito em nenhum destes formatos salvadores sem seguimento futuro (pensemos nos gordos que voltaram a ser gordos). Impressina-me pelo aproveitamento da fragilidade de quem participa, até a nível monetário (a mãe terá recebido um valor mínimo que para ela será um balúrdio porque precisa). Obviamente com a agravante que aqui existe a agravante de estar uma criança envolvida. E também porque a forma de educar não é aquela em … Ver artigo completo no Blog […]

    Responder
  • Brilhante Catarina. Tiro lhe o chapéu

    Responder
  • Sendo um tema bastante controverso e onde tenho a minha ideia bem formada, só me resta dizer que mais uma vez concordo com muito do que escreveu Catarina. Isto da educação nem sempre é um processo fácil e quem nunca “falhou” parabéns. A que dei aos meus filhos e hoje à minha neta continua a ser imperfeitamente perfeita e a melhor que consegui dar. Beijinho Catarina e parabéns por mais um excelente texto!

    Responder
  • Bom dia, sou mãe de 2 rapazes , o mais novo, atualmente com 17 anos ,ainda esta noite se levantou e fez questão de me dizer que ia beber água. isto para vos dizer que até hoje ele foi uma criança muito dificil de criar.
    Quando era pequeno não dormia e já quando falava eu deitava-o na cama dele e logo me respondia que ” Esta noite não vou dormir” e assim fazia até que era vencido pelo sono já de madrugada.No primeiro ano de escola chorava horas para cima do caderno quando trazia trabalhos de casa mas acabava por fazer e levava os cadernos sujos das lágrimas que borravam a escrita.No entanto o meu filho tinha estes tipo de comprimentos em casa, na escola , até hoje não recebi uma queixa dele.Fui e acho que ainda hoje sou uma mãe paciente e apenas bati 2 vezes no meu filho e pensei que nunca mais o faria porque se não tivesse alguém ao meu lado e me gritasse talvez não o tivesse cá hoje. É dificil saber lidar com crianças assim. O que fazia entretanto era aplicar castigo, tirava-lhe o que mais gostava e isso por vezes produzia efeito, outras tinha respostas tipo ” Não faz mal eu tambem já não queria isso… não me apetecia… ” Não sei como tive o bom senso de não bater porque acho que o teria feito por vezes já sem razão e ele não levava a serio, não gritei apenas tentei sempre a conversa calma e serena. Não foi nada fácil mas hoje tenho nele o maior amigo do mundo e como diz o velho ditado ” Moço mau , homem bom” e não tenho formação na área, sou uma funcionária publica que abdicou acima de tudo dela para fazer e tentar compreender os filhos.Não me arrependo e tento passar este lema de que não são gritos, palmadas por tudo e por nada que resolvem as coisas. conversas e se for preciso um castigo, mas que não seja constante porque tornasse hábito. A Educação de um filho parte de nós pais, e mesmo que eles tenham maneiras de ser difíceis com calma e compreensão conseguimos.
    Quanto ao programa achei de todo despropositado.
    Não gostei e não aconselharia a ninguém
    Obrigado e sejam felizes

    Responder
  • Revejo-me no que escreveu…cá por casa acontece o mesmo. Mães perfeitas e filhos perfeitos não existem!!!

    Responder
  • Tenho uma seguidora no instagram que vive na Suiça e está chocada com as nossas reacções, lá também existe este programa e a supernanny bate nos miúdos, ela até me deixou um link para eu ver e vou fazê-lo.
    Não creio que esta mãe precisasse de dinheiro, porque pelo que se viu e ouviu , não parecia de todo ter problemas financeiros, estava desesperada, ponto final.
    A minha filha tem 15 anos e quando vai jantar comigo e a conversa de adultos começa a não interessar, pega no telemóvel e nos phones e toca a ouvir música, não vejo mal nenhum, as conversas dos adultos para eles são uma seca:)

    Responder
  • Subscrevo o que diz.
    Não há pais perfeitos.
    Não há filhos perfeitos.
    Há educação.
    Há alguma coisa que pertence apenas aquela pessoa.
    E há a sorte que tem um papel muito importante.

    Importa nestes momentos toda a gente perceber que não há perfeição. Que toda a gente comete erros.
    E no que toca ao programa, sim, que se acabe com aquilo e que se reveja a posição daquela senhora enquanto “psicóloga”, porque o papel desta profissão é procurar o melhor interesse do paciente e parece-me que é bastante evidente que não é isso que se vai encontrar com este formato.

    http://blogbestialmenteconhecido.blogs.sapo.pt/os-filhos-perfeitos-que-nao-temos-17764

    Responder
  • eu nem sei o que escrever…apenas que ter filhos, é ter mais carne por onde sofrer e como! tantos anos para ter as minhas filhas e ninguém me disse que não há manuais de instrução e claro supre isto o aquilo. Há, o tentar fazer o melhor e muitos remorsos pelo caminho quando se cede ao que sabemos ( porque não gostaríamos que o fizessem connosco e uma criança não é um ser que merece menos respeito que um adulto, antes pelo contrário afinal não pediu para nascer) que não está certo…Mea culpa!

    Responder

Escrever um comentário

Sigam-me no Instagram

1
Something is wrong.
Instagram token error.