O Meu Diário

castigo ou consequência [parte II]

“Nunca castiguei os meus filhos(…) não grito (…) nunca bati”. 

E assim se descredibiliza todo um blog… 
Onde está o real afinal? Mas alguém acredita que uma mãe de 2, que se assume com mau humor e mau feitio, nunca tenha castigado ou gritado???

Recebi este comentário e penso que merece uma resposta mais extensa. Pois “não castigar, não bater e não gritar” não significa “não zangar e não falar noutro tom”. Bater, como expliquei, está fora de questão. Cá em casa falar com um tom mais sério e voz colocada resulta, também falo em modo desesperado que é assim uma coisa meia entre dentes e arrastada. Gritar não.

Zango-me quando é preciso e estou de mau humor muitas vezes. Faz parte. E pasme-se que, apesar da minha candidatura a mãe perfeita, muitas das vezes que estou chateada eles nem têm culpa nenhuma e, muito mais vezes do que desejaria, a tolerância aos barulhos normais da infância torna-se insuportável. Por uma questão de respeito por eles costumo alertar quando estou insuportável ou em vésperas de me vir o período e peço que façam menos barulho.

Partilho um texto do mesmo autor de que detestei um texto sobre o pediatra Carlos Gonzalez.Vale a pena ler.

Muita da angústia moderna terá a ver, a par de todas as mudanças sociológicas, com o facto de o conceito de “prazer” ter ganho demasiado território ao conceito de “dever”. Mas o conceito de “dever”, como prova Durkheim, está lá, bem enfiado no nosso património genético, e merece ser recuperado, a bem da nossa sanidade mental. Se nós pararmos de acreditar que ter filhos é suposto ser uma coisa divertida, e passarmos a aceitar antes que é uma coisa que deve ser feita, e que nos devolverá no futuro, com juros, aquilo que nos tira no presente, talvez o próprio presente se torne mais fácil de suportar.

Eu não estou à espera que os meus filhos sejam a minha fonte de prazer, sinto-os como a minha missão, o meu dever. Não estou à espera que seja fácil e ter as expectativas no sítio, em tudo na vida, ajuda a manter o equilíbrio [em tudo na vida]. Eu tenho o dever de criar os meus filhos [em conjunto com os seus pais] e sou muito feliz por isso.

Comentários (7)

  • Catarina, nem mais! Também sou uma mãe que trabalha e está em casa com a filha (que agora começa a gatinhar!) e a questão do dever é muito importante para nos colocar com os pés bem assentes no chão. É o amor que nos traz os filhos mas é o amor de mão dada com a responsabilidade (e tantas vezes, o sacríficio quem os cria).

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  • Há pessoas, tal como o autor do texto citado, que não concebem que existam pais e mães que efectivamente consigam educar sem gritar e sem bater e que não vejam nos filhos mais do que um fardo e um dever imposto pela sociedade. Então fazem afirmações destas, tão cheias de sabedoria e com toda a certeza existente no seu mundo, de que é "impossível" educar sem castigar.

    São tão infelizes enquanto pais, porque perderam a sua "liberdade" e sentem-se culpados por tudo o que fazem e não fazem, que os consola a ideia de que toda a gente é como eles e quem diz não ser só pode ser uma coisa: mentiroso.

    Eu não sou das mães que não grita e que nunca bateu nem castigou. Infelizmente não sou. Mas acredito plenamente que existam mães e pais assim. E, todos os dias, essa é a minha meta a alcançar.

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  • penso que muito do que fazemos como mães, é influenciado pelo que nós fazemos enquanto pessoas. E imagino que trabalhar por conta própria, fazendo os nossos horarios e condições deve criar uma rotina propícia a isso. Acho que cada um de nós faz as suas escolhas enquanto pais, e cada um deve respeitar as escolhas dos outros. É algo difícil também… Não penso que queira dizer que sejam infelizes enquanto pais. Penso também que em Portugal está tão enraizada a cultura da palmada, por exemplo, que parece estranho que nem todas as pessoas a usem. Por exemplo, não conheço outra lingua ocidental que tenha uma palavra em linguagem de bebé para bater, como em português o tau tau.

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  • Catarina, nem mais! E concordo com o que disse a Rita, a Joana Mendonça e a Julieta. Nem mais!! que bom ler esse post e comentários! esperança de uma nova geração de pessoas com uma maneira de encarar a vida como deve ser! filhos, sim é nosso dever como pais educá-los e não descarregarmos neles as nossas frustações do dia a dia. Encarar que são indivíduos em crescimento e que depende de nós para ensinarmos. e por que não ensinarmos o que é bom e não com taus taus. Tive uma educação com base no amor e respeito . Meus pais não foram perfeitos, mas tentaram ser e tiverem sempre em mente o dever de nos educar. Aflige me ouvir mães colegas quando referem-se aos filhos com palavras pejorativas como se isso tivesse graça..e quantas vezes ouvi e vi pais a baterem na cara de crianças e depois um " é de pequeno que se torce o pepino". não concordo! e acho isso mais uma daqueles atitudes de querer impor o “poderzinho”

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  • Catarina, nem mais! E concordo com o que disse a Rita, a Joana Mendonça e a Julieta. Nem mais!! que bom ler esse post e comentários! esperança de uma nova geração de pessoas com uma maneira de encarar a vida como deve ser! filhos, sim é nosso dever como pais educá-los e não descarregarmos neles as nossas frustações do dia a dia. Encarar que são indivíduos em crescimento e que depende de nós para ensinarmos. e por que não ensinarmos o que é bom e não com taus taus. Tive uma educação com base no amor e respeito . Meus pais não foram perfeitos, mas tentaram ser e tiverem sempre em mente o dever de nos educar. Aflige me ouvir mães colegas quando referem-se aos filhos com palavras pejorativas como se isso tivesse graça..e quantas vezes ouvi e vi pais a baterem na cara de crianças e depois um " é de pequeno que se torce o pepino". não concordo! e acho isso mais uma daqueles atitudes de querer impor o “poderzinho”

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  • Sou mãe de três filhos, a mais velha tem 5 anos, o do meio 4 anos e o mais novo 14 meses. Não sou perfeita nos meus papéis – filha, mulher, esposa, mãe, amiga – mas, se há coisa que eu não admito no meu lar é gritos, palmadas e faltas de respeito. Não admito porque cresci num lar onde a educação não passou por gritos e chapadas. Sempre tive uns pais que nunca usaram a sua autoridade para explicar o bem e o mau, ou para nos chamarem atenção. E realmente fui uma criança muito feliz que sempre soube ser educar apesar dos erros normais que cometi ao longo do meu crescimento. Não estou afirmar que as vezes não me passo mas antes de deixar avançar para gritos e afins retiro-me e conto até 10 ou até 100 se for preciso.

    Há castigos cá em casa, claro que há, não frequentemente mas há e a minha mais velha é traquina como tudo, mas conseguimos resolver quase tudo com diálogo e muito amor. Ao longo desta caminhada aprendi que uma birra é facilmente ultrapassada com um abraço e com um "o que se passa?", aprendi que uma tentativa de testar os meus limites é resolvida com uma conversa calma e ao mesmo nível, e que a maternidade é bem mais fácil se o amor predominar em todas as situações e decisões.

    Se é moralmente incorrecto um filho bater e gritar com uma mãe, qual é a lógica de uma mãe ter autoridade para gritar e bater no seu filho? Não é incoerente?

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  • […] mas, no geral, cada mãe e cada pai faz o melhor que pode e sabe quando educa os filhos.  Por exemplo, eu não grito. É uma opção meia egoísta porque os gritos destroem-me a cabeça. Mas já tive momentos limites […]

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