Maternidade

sempre à procura do equilíbrio

vida em equilíbrio

A minha filha fez quatro meses. Olho para ela e penso como ainda é pequenina. Não é novidade, foi igual com os meus filhos rapazes. E é nesta altura que volto a fazer contas à vida para poder ficar em casa até ela crescer e não me parecer tão pequena para ir para a escola. Também já sei que vai sempre parecer pequenina mas isso é outra conversa. É a constante procura de uma vida em equilíbrio.

Nesta altura a minha mãe dirá:

– Tu foste para a escola tinhas três meses!

É verdade. Fui com três meses porque a licença era essa e a minha mãe tinha mesmo que ir trabalhar. Não existia alternativa. E correu tudo bem na mesma. E eu sei, sei mesmo, que a maioria das pessoas nem sequer podem perder tempo com estes pensamentos.

A minha alternativa existe porque posso trabalhar em casa e isso é um enorme privilégio mesmo quando os fins de semana se misturam nos outros dias e não existe uma porta para fechar e dizer: “até amanhã trabalho”. Mas esta alternativa exige fazer contas à vida. Sejamos realistas, com um bebé em casa a capacidade de produção é muito reduzida e, se trabalho menos, recebo menos. Mas, mesmo trabalhando menos, (este ano) pago o mesmo à Segurança Social, ao senhorio da casa onde vivo, nas contas da luz e da água, e no supermercado até pago mais porque trabalhar em casa dá fome e amamentar também, o que me transforma numa máquina de comer.

Não há dicas de poupança nesta crónica, nem tão pouco conclusões fundamentadas ou pedidos de subsídio para parentalidade presente ou trabalhadores por conta própria com necessidade prolongando de ausência. Isto é só um desabafo desta tentativa permanente de manter o equilíbrio entre o tempo que preciso e o dinheiro sem o qual não vivo. Ou se calhar são só as hormonas. E esta necessidade de uma vida em equilíbrio

 

Crónica Dinheiro Vivo

Comentários (17)

  • […] post Sempre à procura do equilíbrio appeared first on dias de uma […]

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  • Bom ano Catarina , para si e linda familia 🙂

    Não posso começar o dia sem “espreitar” para ver a boneca e os manos…
    Adoro # fazavozdela# e ver a sua menina / princesa…
    Um bom dia.

    Beijinhos

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  • É um desabafo que pode caber em qualquer mãe. Cada uma desabafa as suas tristezas. Eu preferia muitas vezes estar no seu lugar, a viver o rendimento incerto mas com mais tempo para ver o meu filho crescer. Ao contrário tenho um ordenado fixo, e fixas são também as horas em que todos os dias não o vejo. Mais de 10. Para dizer a verdade em 99 % dos dias, são 12. Sim, eu conto-as.
    Felizmente hoje as licenças são melhores, haja algum incentivo verdadeiro à parentalidade. Mas digo-lhe que se soubesse o que sei hoje teria poupado todos os cêntimos e tinha ficado com ele até ao limite permitido, mesmo que só recebesse migalhas.
    Força, afinal de contas “a vida resolve-se sozinha”. 🙂
    Beijinhos.

    http://embuscadafelicidade.blogs.sapo.pt/

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  • olá catarina,
    o joão tem 7 meses e tb eu trabalho (o que consigo!) com ele em casa. ás vezes à noite, às vezes durante uma sesta das boas e, quando é preciso mesmo, com a ajuda da avó. não é fácil, não apetece, as olheiras estão mais pretas que nunca, mas não me arrependo! para o ano logo se vê 😉
    obrigada pela partilha!

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    • Igual aqui, tirando a parte de que não tenho ninguém de família perto, somos só eu marido e bebé. Mas estou como a Rita, para o ano logo se vê! Enquanto puder vou ficar com ele em casa 🙂 trabalho menos, ganho menos, mas também poupo na creche e ver o meu filho crescer de perto é maravilhoso! Sei que não me vou arrepender desta escolha 😉 beijinhos

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  • Acho que com um pouco de esforço é sempre possível. Fui trabalhar quando o meu bebé estava com 5 meses e não me adaptei. Voltei ao método de trabalhar em casa embora haja dias muito pouco produtivos é certo. Sou costureira/artesã e acabo por ganhar pouco mas não há dinheiro nenhum no mundo que compense ver de perto o crescimento do meu filho, agora com quase 14 meses. Recomendo vivamente a quem o possa fazer. Tentei os 2 lados da moeda e sinceramente sou muito mais feliz desta forma, embora com um orçamento muito mais apertado.

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  • Olá catarina, antes de mais parabéns pela mulher que é e a família bonita que tem!!
    É um tema importante é que me assombra ?
    A minha filha Maria tem 4 meses e, neste momento já estou a gozar férias e a sofrer por antecipação….

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  • Olá Catarina, antes de mais, um bom 2017 para si e para a sua família! ☺
    Sou mãe de duas meninas, a Madalena tem 9anos e a Margarida 2anos.
    A Madalena foi para a “escola” com 6 meses, estava sempre, mas sempre doente, eram bronquiolites atrás de bronquiolites. Até que depois de 2 semanas internada deixei de trabalhar (sou arquiteta) e fiquei com ela em casa. Foi a melhor coisa que eu e o pai decidimos fazer.
    Com a Margarida… Está em casa comigo e vai ficar até aos 3 anos.
    O orçamento familiar é menor, claro! Mas vale a pena!!!
    É mesmo um previlegio (e um BOCADINHO cansativo ????)!
    Beijinhos.

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  • Tb eu trabalho por conta própria, e estando agora grávida do 3ª penso muito nestas questões. Ontem fui à SS só para confirmar a miserável licença que vou receber… Estou muito mais feliz assim, claro que sim, porque adoro o que faço, e nas outras gravidezes trabalhava por conta de outrem e era muito mais infeliz, mas ainda assim eu só consegui tomar esta decisão porque não estou sozinha. Somos dois, e o pai tem um ordenado fixo, pelo que eu me posso dar ao “luxo” de receber uns meses mais, uns meses menos, uns meses quase nada… Acredita que penso muito nas mães sozinhas, e na sorte que tenho de poder escolher este tipo de vida.

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  • Também trabalho por conta própria e sou mãe de um menino de 7 meses. Quando nasceu, como é o meu primeiro filho, decidi deixar acontecer e não planear muito quando ia retomar a 100% o trabalho. Felizmente tenho a ajuda dos avós, mas mesmo assim fiz contas à vida e decidi abrandar, que é como quem diz, estar mais tempo com ele mesmo que o orçamento seja mais pequenino. E com todos os sacrifícios, acho que o melhor mesmo é tê-lo em casa até ao fim deste ano letivo. Por ele, mas também egoisticamente por mim, pelos momentos que tenho com ele de pura felicidade.
    Feliz 2017!

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  • Por aqui passa-se o mesmo! O meu filho fez 3 meses e não consigo imaginar pô-lo já na cresce.. como sou trabalhadora independente também estou a pensar ficar com ele mais tempo depois da licença acabar. Ainda por cima vivemos longe de toda a família, portanto mesmo que quisesse ajuda dos avós não temos qualquer hipótese no momento. Para trabalhar em casa com ele cá terei de ter um ritmo de trabalho mais calmo, claro, mas também penso que assim não pagarei a creche. Não recebo tanto mas se recebesse também teria de tirar bastante para a creche. Tento assim, desde o início desta semana, retomar ao trabalho devagarinho. Até agora tenho conseguido porque felizmente o meu filho se entretém algum tempo a ver desenhos animados e dorme sestinhas jeitosas 🙂 e nos intervalos trato dele e brincamos os dois!

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  • […] ter sempre o Pedro por perto, sei que sim. mas nada de angústia, nada de medo. seremos só as duas durante muitas horas nos próximos anos e vai ser muito bom. e ainda mais delicioso quando formo três e quando formos […]

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  • […] ter sempre o Pedro por perto, sei que sim. mas nada de angústia, nada de medo. seremos só as duas durante muitas horas nos próximos anos e vai ser muito bom. e ainda mais delicioso quando formo três e quando formos […]

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  • […] ainda maior do que aquele com que acordei. apesar de todo o cansaço, apesar de nem sempre o equilíbrio ser fácil, os dias que começam em tons de azul são melhores. e esta vida tem sempre surpresas […]

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  • […] é o cansaço e as feridas que teimam em abrir fendas nas crostas que achava secas. vou tentando gerir um equilíbrio instável, vou tentando não falhar em coisa nenhuma com o pânico permanente de me estar a […]

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