Dieta das Princesas

até que idade sustentamos os nossos filhos?

O meu filho mais velho fez 13 anos. É oficialmente adolescente de acordo com a língua inglesa (eu, como mãe, acho que o G. já é adolescente há uns meses). O meu filho mais pequeno tem 4 anos e meio (soube há exactamente cinco anos que o tinha na barriga). No outro dia fazia contas à vida: e se tivesse outro filho? Neste caso “fazer contas à vida” era literalmente isso mesmo: perceber se financeiramente seria viável ter outra criança em casa.

Apesar de ser uma defensora da visão low cost da parentalidade – criar um filho saudável não é caro -, também sou realista. Na minha cabeça formou-se um pensamento: “Daqui a cinco anos o Gonçalo será maior de idade”. Ou seja, estava a procurar uma idade para aliviar o orçamento familiar. Mas, até que idade sustentamos os nossos filhos?

Tenho tido (tempo verbal que mostra que já tive, tenho e poderei voltar a ter) na minha mãe, uma enorme rede de segurança. Se é verdade que aos 19 anos me tornei financeiramente independente, aos 27 anos precisei de alguma ajuda, e aos 34 anos precisei de um apoio imenso. Vejo a minha mãe como alguém a quem posso recorrer (serve isto para o dinheiro, como para tudo o resto), mas nunca considerei que ela tivesse a obrigação de me ajudar.

Os pais servem para dar instrumentos de aprendizagem para a independência, assim como, em jeito de descrição do mundo animal, o leão ensina o filhote a caçar antes de o mandar à sua vida. Será que o leão também dá um ajuda ao filho quando ele, macho adulto, não conseguiu caçar nada?

Guardo a memória do pai de uma amiga minha que, depois de lhe pagar o curso e a deixar procurar emprego na sua área durante seis meses, lhe anunciou: será melhor ires trabalhar noutra coisa porque daqui a dois meses não volto a dar-te dinheiro. Naquela altura pareceu-me uma decisão agressiva e exagerada. Se podia continuar a ajudar, porque lhe dizia aquilo? Hoje acho que foi sensato e educador. E percebi, numa realidade mais alargada do que a dos meus 20 anos, que nem todos os pais podem valer aos filhos, por muito que o desejassem.

Para já, sem certezas absolutas e com as contas ainda a serem feitas, fico-me pelos dois filhos, um que me dá cabo das forças físicas e outro da capacidade mental, e que já me bastam para ter uma quantidade absoluta de dúvidas, mas a certeza absoluta de que são o grande amor da minha vida.

 

Crónica Dinheiro Vivo

Comentários (3)

  • […] publiquei a crónica da semana passada recebi um comentário que dizia: “a Catarina já tem dois filhos de pais diferentes, não devia […]

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  • Em resposta à pergunta de cima “até que idade sustentamos os nossos filhos?” A minha resposta é : Não sei. Nem é bem o sustentar, pq é suposto que alguém com 20 e poucos anos já tenha ou acabado um curso, ou arranjado um emprego e que consiga pelo menos sustentar-se a si próprio. Pelo menos no que diz respeito a roupa, vícios, saídas, amigos, carro, etc. Agora eu conheço muito poucos jovens com menos de 30 anos que consigam ter casa, pagar contas e sustentar-se sozinhos. Mesmo que isso implique nem ter carro, abdicar de saídas e farras, e comprar roupa apenas 1 vez por ano. Conheço apenas um caso de 2 miúdos (24 e 21 anos) que alugaram uma casa e foram viver juntos com pouco mais que dois ordenados mínimos. Mas pontualmente pedem ajuda aos pais. Acho que os ajudamos, seja financeira seja emocionalmente a vida toda. Eu contei com a minha mãe para tudo, sempre, até ela morrer. Acho que com os meus filhos e comigo vai ser igual. Não sustento, mas ajudo. Estou para tudo o que puder e eles precisarem. Em resposta ao comentário ao post. Acho que a Catarina não ligou nenhuma ( e fez muito bem!) em relação ao numero de filhos que devia ( DEVIA?) ter. Mas quem é senhora em questão para lhe dizer quantos filhos deve ter e de quantos pais? Há realmente muita gente sem noção neste mundo….

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  • […] Quando publiquei a crónica da semana passada recebi um comentário que dizia: «A Catarina já tem dois filhos de pais diferentes, não devia ter mais nenhum». Li várias vezes e, na verdade, a expressão «já tem dois filhos de pais diferentes» soa bastante mal. Assumo: eu também já tive vergonha de dizer que tenho dois filhos de pais diferentes. […]

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