Fim-de-semana e um casamento com a águia do Benfica

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Assim se passou mais um fim-se-semana (o que para mim não faz grande diferença dos outros dias todos, à excepção de dois factos: o meu filho não tem escola e todos os lisboetas que passam o ano a dizer kó-horror-margem-sul-é-tão-longe-o-trânsito-na-ponte-ai-comunistas veem um raio de sol e vão todos para a Costa da Caparica, facto este que me obriga a repensar cada trajecto que penso fazer).

Sábado tive um casório. Uns amigos meus, namorados há mais de uma década.

Se soubessem o quanto eu detesto ir a casamentos não me convidavam. De certeza. Eu sei que gaja que é gaja gosta de se arranjar. Eu não gosto. Essa coisa de arranjar-unhas-cabelos-e-maquilhagem não é para mim. Pior ainda se a isso juntarmos vestir roupa-para-ir-a-casamentos.

Por respeitos aos noivos dos (poucos) casamentos a que já fui não vou de calças de ganga nem havainas mas, sinceramente, era o que me apetecia.

Esclareça-se: eu gosto de roupa de gaja e adoro saltos altos mas implico com a obrigatoriedade de me vestir assim naquele determinado dia e acho sempre que nada fica bem.
Estava já muito mais atrasada que a noiva quando consegui sair de casa caregando uma enorme mala (gaja que é mãe não pode usar aquelas coisas que estão para as malas como os caniches estão para os cães: as pochetes! porque a minha mala carrega fraldas, livros, bolchas maria, dodots, halibut e àgua – pelo menos).

O meu filho ia lindo de morrer e arrastava atrás de si um caracol de madeira que se lembrou de tornar o seu melhor amigo naquela exacta manhã.

De facto, quando cheguei, o casamento estava praticamente acabado.

O meu filho punha-se em cima dos bancos da igreja e insistia que o Espírito Santo era a águia do Benfica (sob o olhar reprovar de uma casal que comentava: Vê-se que não estão habituados a vir à igreja. De facto, minha senhora nem sequer sou baptizada. Nem o menino. Com o devido respeito).

Durante o copo-de-àgua (que nome tão irónico para dar à parte da festa em que se pagam balúrdios para comer e onde se bebe tudo menos àgua) penei com a dura realidade de ser mãe solteira. Eu explico: eu não íntimas dos noivos, muito menos dos amigos dos noivos. Não dá jeito nenhum ser a única pessoa disponível para tomar conta da criança. Depois era só casais e solteiros bebâdos.

Aguentei estoicamente, correndo atrás do meu princípe (não se já disse que estava lindo), perguntando-me a mim própria quando é que os casais desistem de se beijar na boca? (assunto que desenvolverei em momento oportuno) e observando o pai da noiva quase nú a dançar (e outras bebedeiras igualmente interessantes).

Enfim… para o meu gajo foi um dia de festa – aquilo tinha um jardim e enorme e um daqueles castelos insufláveis para saltar. A mim nem a comida me safa porque eu odeio comida de casamentos. Não entendo esta mania do bacalhau vs tamboril e o lombo vs cabrito e aquelas frutas montadas há horas e os leitões dão-me vómitos.

Valeram os noivos. Estavam verdadeiramente felizes. E a festa é deles.

3 Comentários
  1. Ana says

    Vejo que partilhamos a mesma aversao a casamento… eu fujo a sete pés sempre que posso (vale-me estar nesta ilha!)… pelo menos o teu principe parece que se divertiu imenso… Jokas

  2. Minhoca,a verdadeira says

    Parece que ja encontrei quem me vai dar dicas sobre o meu casamento! Tou contigo, Cat! sem tirar nem por!

  3. Goiaoia says

    halibut é fishe!

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