Maternidade

E quando um pai decide dar prioridade aos filhos?

prioridade aos filhos

Falamos muito nas mães no pós parto, mas mães e na licença de parentalidade, nas consequências para o emprego quando a mulheres está muito tempo afastado. É, sem dúvida, uma questão na qual temos muito para evoluir. As mulheres não podem ser prejudicadas porque decidem ter filhos. Mas, e quando um pai decide dar prioridade aos filhos? É diferente?

Sei a quantas entrevistas fui e me perguntaram: Tem planos para engravidar? Também me lembro, bastante bem, quando já era mãe de um filho, apesar de miúda com 25 anos e pedi para sair mais cedo para ir a uma consulta do Gonçalo. A resposta, entre dois suspiros de crítica: as mulheres deviam assumir as suas limitações. Nunca voltei a um emprego depois de uma licença (que, volto a dizer é de parentalidade e não de maternidade) mas conheço histórias próximas de mulheres que foram sentadas em secretárias vazias como castigo por terem estado tanto tempo fora. E outras a quem, de forma mais discreta, nunca mais foram entregues projectos relevantes. Em muitos empregos dar prioridade aos filhos é assim como uma sentença de morte profissional.

Cá em casa, como já expliquei em alguns textos foi o Pedro que tirou a licença de parentalidade. Eu estive as seis semanas obrigatórias da mãe. Primeiro, a aventura que foi para entregar os papeis na Segurança Social (teve mesmo que ser pessoalmente porque on-line a situação não estava prevista). Depois o regresso também não foi fácil. Há sempre aquela ideia (tão mas tão errada) que a licença é uma espécie de tempo de férias. Não! A licença é um direito dos bebés e dos pais para que possam ser cuidados (ambos, embora o tempo leve este direito mais para as pequenas criaturas).

Ter filhos é extremamente positivo para a economia em geral. Seria bom que todas as empresas percebessem isso. Felizmente algumas já percebem.

 

 

Prioridade aos filhos: parentalidade. Licença a dois precisa-se [pelo bebé e pelo casal].

 

Comentários (3)

  • Fui mãe ha 2 anos atrás, quando regressei de licença encontrei um cenário que nunca imaginei. Os meus colegas tinham sido “aconselhados” a nao ter qualquer relação profissional comigo, nem sequer falar comigo, sentaram me numa secretária (que nao a minha anteriormente) sem nada, só com uma caneta. Passados alguns dias tive acesso a um computador com acessos totalmente restritos. Passei semanas a tirar agrafos de folhas e a tirar fotocópias.
    Nao dei cedi, e aos poucos foram mudando a atitude no entanto assim que consegui, sai.
    Foi das piores fases, das atitudes mais cobardes que ja vivenciei, principalmente por ter sido “levada a cabo” por uma mulher, mãe.
    Inaceitável!
    Seja mae ou pai, exija-se respeito pelos direitos que temos!

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  • […] Sei a quantas entrevistas fui e me perguntaram: Tem planos para engravidar? Também me lembro, bastante bem, quando já era mãe de um filho, apesar de miúda com 25 anos e pedi para sair mais cedo para ir a uma consulta do … Ver artigo completo no Blog […]

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  • Eu também gozei apenas as 6 semanas obrigatórias da mãe. O pai (na altura a trabalhar muito longe de casa) gozou tudo o resto e ainda mais 90 dias de licença alargada. Tive de lidar com uns quantos revirares de olhos na Seg. Social quando expliquei o que pretendíamos. naquele dia sei que fui a mãe horrível que é capaz de deixar a criancinha para pôr a carreira à frente. Antes fosse. Fui apenas a mãe que trabalha por conta própria e que perde trabalho de forma irrecuperável se não trabalhar…

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