Relações

Casados à primeira vista: tanta coisa importante por construir….

Casados à primeira vista

Sou fã do programa “Casados à Primeira Vista”! Já gostava do formato feito em outros países e tenho estado agradavelmente surpreendida com a versão portuguesa. Sou suspeita porque vivi o meu género de casados à primeira vista.

Eu e o Pedro casámos 6 semanas depois de nos conhecermos. Correu bem mas podia ter corrido mal. Verdade! Mas isso acontece com relações que durante há dois minutos ou há vinte anos. Surpresas e mudanças existem sempre. Os meus avós ficaram juntos desde o instante em que se conheceram e foi para sempre…  Lá está, arranjinhos e casamentos combinados sempre existiram. Se tirarmos a parte da obrigatoriedade (porque a liberdade do divórcio é fundamental nestas aventuras do amor) acho muito bem. É uma forma das pessoas tentarem, como outra qualquer.

O programa mostra a lei das probabilidades a funcionar: em seis casais, uns correm muito bem, outros mais ou menos, outros para lá de mal. É uma amostra da vida real. Como costumo dizer quando dizem que tive sorte com o Pedro respondo sempre: para acertar 1 é preciso falhar 100. Não levem isto de forma literal!

Mas voltemos a esta edição do Casados à primeira vista e ao motivo que me trouxe aqui.

Ali, como na vida, há uma coisa que me deixa “doente”: como é que alguém que ouve de outra pessoa “odeio-te” consegue dizer que é muito apaixonada por ela? Como é que as pessoas são maltratadas (psicologicamente) e insistem em ficar com as pessoas que lhes fazem mal? Eu já passei por isso em miúda. Sofrer, sofrer, sofrer e continuar a insistir. Sofrer, sofrer e afirmar com todas as letras que aquela é a pessoa com quem queremos ficar.

Depois cresci. Percebi que o amor próprio era o respeito por quem somos. É aquele bocadinho em que, por muito que possamos gostar de alguém temos, temos que gostar mais de nós. Desde que fui mãe o exercício tornou-se ainda mais fácil: queria que o meu filho fosse tratado assim pela pessoa com quem estivesse? Se a resposta é não porque aguentaria eu essa situação?

Até dou o desconto a relações longas em que as coisas mudam, porque existe uma história. Agora pessoas que se conhecem há uma semana???

E custa-me sempre tanto (sem sequer falar em situações limites como maus tratos) ver alguém querer tanto outra pessoa que não a quer…

 

 

Comentários (6)

  • Infelizmente, apesar de teres toda a razão, o amor próprio não é algo que toda a gente consiga ter. O amor próprio é, também, fruto da educação e do amor exterior que se foi recebendo ou não durante o crescimento. Não é obrigatoriamente proporcional à idade… Infelizmente, há muita gente com um bom coração que simplesmente se deixa ficar numa relação onde é mal tratada psicologicamente mesmo sabendo que não lhe fará bem.

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    • Senhora Sara, boa noite.
      Diz que “há muita gente com um bom coração que simplesmente se deixa ficar numa relação onde é mal tratada psicologicamente mesmo sabendo que não lhe fará bem”
      Pois se há, se nos tempos contemporâneos em que as mulheres adquiriram direitos e lutam por outros que tardam a chegar, onde a mulher se libertou das amarras por comparabilidade com as do meu tempo, onde a mulher actual, não mais inteligente dessas que referi do meu tempo mas simplesmente libertada do agrilhoamento dessas mulheres de então; onde lhes faz tanta falta um homem como uma bicicleta a um peixe, onde as mulheres gritam e exigem e são atendidas nas suas reivindicações, pois, dizia, se ainda há mulheres que por bom coração se deixam ficar subjugadas e subservientes ao Amo e Senhor; todos os maus-tratos por eles infligidos só pecam por insuficientes.
      A senhora Sara chama-lhes mulheres de bom coração, eu chamo-lhes mulheres burras de todo o tamanho. As tais denominadas de mulherzinhas
      Ou talvez eu veja diferente. Sempre gostei de uma mulher que soubesse dizer NÃO!

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      • Além disso, ou para lá disso há duas qualidades de mulheres.
        Aquelas que mais do que pela beleza, pelo carácter e personalidade se distinguem das demais, e as outras: as tais mulherzinhas.
        As primeiras são sempre recordadas e reconhecidas, as segundas não passam de mais rostos perdidos na multidão.

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  • Olá sou jornalista e gostava muito de falar consigo.

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  • Penso que o amor quando verdadeiramente sentido reconhece-se no primeiro instante. Penso ainda que a necessidade de tempo para pensar, conjecturar e decidir se sim, se é efectivamente essa pessoa que queremos na nossa vida, não é verdadeiramente amor.
    O amor é cego, – assim diz a canção e não podia estar mais certa, – é cego, surdo e mudo a tudo que não seja a presença daquela pessoa que, vista pela primeira vez, no primeiro instante nos preenche o todo. Nada mais existe e nada mais tem importância, ainda quando problemas nos afoguem.
    Não posso falar pelos sentimentos femininos, embora pense que não diferem muito dos masculinos, e talvez também não possa assumir os masculinos, mas posso falar por mim.
    Nunca fui rapaz do tipo “castigador” que se insinua para todas, e muito ao contrário. Não tímido mas um rapaz que gostando da companhia feminina, para mim todas eram lindas e encantadoras mas essa apreciação era feita assim sem qualquer significado. Eram lindas porque eram. Não sentia vibrações mais aceleradas nem sentidos perturbados, embora reparasse que a minha presença lhes não era desagradável. Outras que a minha mãe fazia o favor de me mostrar as presenças. Por uma ou outra, a instâncias da minha mãe que lhes enaltecia a beleza e os predicados mostrando-me que ali estava exactamente a minha felicidade, forçava-me a querer gostar com o coração, mas foi sempre um fracasso.
    E foi assim que para escapar às agruras da minha mãe que descobrira, segundo ela, a mulher perfeita no universo para mim, que aceitei um trabalho no Huíje e saí de Luanda.
    Cheguei tarde, mostraram-me as instalações: uma casa geminada, e nessa noite quando depois de jantar vim até à varanda fumar um cigarro, reparei, na casa vizinha, numa rapariga muito bonita que se movimentava dentro dela. Gostei da presença feminina, Como gostava sempre das presenças femininas, mas nada de mais.
    Quando me preparava para me recolher, uma outra rapariga, alta e magra, passou frente à porta e por um segundo ou dois os nossos olhos encontraram-se. Quedei-me petrificado e o mundo desapareceu para mim.
    Nessa noite, a primeira rapariga, dizia à segunda:
    – Sabes, mana; veio um rapaz morar para a casa ao lado.
    – Sei. – e após uma pequena pausa, – se ele for solteiro vou casar com ele.
    – Vais?! Como sabes que ele gosta de ti?
    – Gosta! Vi nos seus olhos.
    Não se enganava efectivamente. Dois meses depois era e foi sempre a minha adorada mulher até, trinta e sete anos depois, Deus ser mau e dizer-me que ela já não era minha.
    Quanto à sua admiração de se odiar por quem se está apaixonado, a explicação é muito simples.
    O oposto do amor não é o ódio, é a indiferença.
    Resto de uma excelente tarde.

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    • Lindo … simplesmente lindo … mesmo não concordando que se sabe à primeira vista … achei simplesmente lindo 🙂

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