O Meu Diário

As memórias do primeiro dia de aulas (dos adultos)

Primeiro dia de aulas. As memórias do primeiro dia de aulas

As aulas estão mesmo a começar. Para alguns pais é um alívio (férias de três meses são muitas férias), mas para outros é tempo de iniciar um novo ciclo, em que largam os miúdos pela primeira vez e os entregam ao mundo. O primeiro dia de aulas é um dia marcante, para os pais que vêem  os filhos darem este passo e para as crianças, que entram neste universo desconhecido, onde há colegas, salas de aulas e professores. Cada um guarda as suas memórias, doces e amargas, tudo ao mesmo tempo.

No Instagram lancei o desafio: pedi aos crescidos que me recordassem o primeiro dia de aulas. Recebi respostas tão bonitas: houve choro, houve curiosidade, houve surpresas. Há quem guarde os cheiros, os pais, os lanches, as sensações, os amigos. Também recebi muitas respostas cheias de lágrimas e terror (algumas até traumatizantes). Aliás avisei mesmo que não eram aconselhadas a pais com miúdos pequenos a irem para a escola pela primeira vez.

Eu lembro-me de m dossier preto enorme que a minha mãe carregou até à entrada da escola porque não o conseguia carregar. Lembro-me de ter medo do pico (que vinha com a esponja para os picotados). Lembro-me do cheiro a pó talco da minha professora. Do choro de um colega meu que ficou a brincar com uns bonecos “índios”. Lembro-me de estar fascinada e assustada. Deixo-vos esta maravilha – uma foto da minha turma da primeira classe. Descobrem onde estou?

Mais uma vez: obrigada por terem partilhado comigo histórias tão boas.

 

“Chorei imenso! Lembro-me de me despedir da minha mãe, subirmos todos para as escadas, para perto de onde já estava a professora à nossa espera, e dizermos todos adeus às mães e pais que estavam no fundo das escadas a chorar. E eu a chorar baba e ranho!Ainda home me lembro da professora Catarina, com um cabelo sempre arranjado, óculos, sempre de blusa e saia pelos joelhos. E do cheiro dela, dos livros e da escola.”

 

“Foi aterrador. Era um colégio enorme, um palácio que parecia que me ia engolir (o Ramalhão). Como sempre tive uma imaginação muito fértil, pensava que havia fantasmas naqueles corredores. Era horrível. Não descansei enquanto não sai de lá. Mas o recinto é mais um museu do que um colégio. É lindo.”

 

“Fui feliz e contente. Só via crianças a berrar e não percebia. Estava excitadissima por ir aprender mais coisas. Fiquei a melhor amiga da criança mais birrenta. Dei-lhe a mão e disse ‘anda, quando o ponteiro do teu relógio estiver aqui [mostrei o meu relógio] a tua mãe vem. Dei um abraço à professora Amélia (ainda hoje a abraço) e fui pintar um pintainho verde esmeralda.”

 

“Foi o drama da vida real! Nunca tinha andado na pré-escolar, nem infantário… Cheguei e senti-me na primeira fila. Era a mais pequenina e novinha da minha sala. Tinha 5 anos. Mal vi a minha mãe sair da sala comecei a chorar e a vomitar. Vim +assar uma semana de férias, com trabalhos de casa para fazer e preparar-me psicológicamente (a minha mãe fez com que aos poucos me habituasse à ideia). Aos poucos comecei a adorar a escola. Fim da história.”

 

“Nasci nos EUA, mas sempre vivemos dentro de uma comunidade portuguesa. A minha mãe trabalhava no consulado e o meu pai para a TAP – só para dizer que era uma casa portuguesa – e não tinha ideia que vivia nos EUA. Podes imaginar a cena no primeiro dia da escola: o meu choque por saber que aquelas pessoas não falavam português. Trauma!!!”

 

“Lembro-me como se fosse hoje. A minha mãe estava a trabalhar e o meu pai tirou o dia para me levar. Fomos a pé de mão dada. Eu estava aterrorizada (sempre fui uma criança muito tímida). Mas a memória do meu pai a levar-me o lanche (pão com tulicreme e um pacote de Bongo) é das minhas mais doces (literalmente) recordações.”

 

“Eu chorei quando pasei para o 5.º ano e mudei de escola. Chorei quando sai da Margem Sul para o Norte e me fui despedir da minha professora primaria e quando terminei o curso fiz questão que ela me escevesse uma fita, e chorei. Ainda hoje de vez em quando ligo-lhe ou escrevo.”

 

“Nunca estive na creche ou jardim de infância. Lembro-me do espanto e da sensação de novidade e de pensar que agora ia aprender imensas coisas. No primeiro dia de aulas da primeira classe era só apresentação. No final a professora Ermelinda pergunta se alguém tinha dúvidas e eu perguntei porque é que o mar era salgado.”

 

“Lembro-me de estar nevosa numa fila para saber que professora me ia calhar. No fim, aliviada por a que era apelidade de bruxa ter ficado com a outra turma.”

 

“Eu pedi tanto para ir para a escola quando tinha 5 anos. A escola era em frente à minha casa, fui pedir ao professor e ele arranjou-me um lugar. Uma felicidade. Quando fiz 6 entrei na primeira classe e o cheiro dos materiais novos ainda acho que me cheiram a outubro. Mas é uma raridade à minha volta alguém ter tido a vontade de ir para a escola.”

 

:“Eu sou canhota também e lembro-me de a minha professora me obrigar a escrever sempre com a direita e de eu chorar sempre porque não conseguia. E outra: posso ser novinha, mas a minha turma chegou a levar algumas reguadas para fazermos as contas de matemática como deve ser.”

“Dos degraus, da sensação de ser pequena demais para aquilo. Lmebro-me do Gonçalo sentado ao meu lado e dize-me que íamos ser amigos e do cheiro dos livros e dos lápis de cera… Lembro-me de achar que era muito crescida quando o meu pai me veio buscar e eu estava pronta de mochila às costas à espera dele para lhe contar tudo.”

Se falamos do primeiro dia de aulas, falamos sobre porque é que eu sou a favor dos TPC.

E já me descobriram na foto?

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