Maternidade

O tal dia do filho único

dia do filho único

Foi assim que partilhei ontem no Instagram, a propósito do regresso às aulas do Afonso. E recebi algumas mensagens e comentários sobre a importância do dia do filho único.

Queixei-me várias vezes, durante as férias, que o Afonso anda a falar alto demais. Ontem, num rasgo de inteligência emocional, deixei a Maria Luiza com a minha mãe. O Pedro não estava e eu queria estar totalmente disponível para o Afonso. Não gritou, não teve aqueles momentos em que – como demorei três meses a perceber – só quer ter o seu lugar numa casa marcada pela presença forte de uma bebé. Ontem foi um dia tão bom. Perguntaram mil vezes pela Maria Luiza mas estivemos os três, como antigamente. Eu e os meus rapazes. Ontem foi um dia muito bom. Preparámos a mochila, conversámos, demos mimos sem mama pelo meio. Hoje acordámos e a atenção foi toda para o meu Afonso. Logo já estamos todos e será igualmente bom. Bom primeiro dia de aulas meu amor.

 

Li sobre o dia do filho único, a primeira vez, no blog da Sónia. Para quem for um conceito estranho, a ideia será, quando existem irmãos, estabelecer um tempo (seja um dia, ou apenas uma hora, um passeio, ou uma refeição) em que a atenção está absolutamente disponível para esse filho. Escrevi mesmo “absolutamente” porque não vale a pena estabelecer dia do filho único e passar esse tempo agarrado ao telemóvel. Se o filho em questão está agarrado ao dele porque não tentar perceber o que está a ver e assim ter um tema de conversa.

Acredito mesmo que ter irmãos é especial. Sou filha única. Não acho que os irmãos tenham que ser os melhores amigos (já leram o livro da Magda?) mas permitem um crescimento partilhado e rico. Uma casa cheia é maravilhoso mas potencialmente caótico. Por isso, o tal dia do filho único é tão importante.

E assim voltamos ao Afonso (esse mítico filho do meio). Cá em casa, em tempo de aulas, todos funcionam como filhos únicos 80% do tempo. São idades e rotinas completamente diferentes. Acordo sempre para dar um beijo ao meu filho adolescente (e ainda está tudo a dormir). Depois sou só mãe do Afonso, ajudo a preparar e levo com toda a calma à escola. Durante o dia, quando não estou a trabalhar sou só mãe da Maria Luiza.  Consigo, muitas vezes, ir buscar o Afonso sozinha. O Pedro deita a Maria Luiza, eu deito o Afonso e dá tempo para conversar com o Gonçalo. Há fins de semana com um filho, dois, três ou quatro. Nunca é certo.

Mas a férias… as férias são aquela recarregar de tempo em família, sempre em família, sempre todos juntos. No início acho maravilho ver as dinâmicas de irmãos que são tão raras durante o resto do ano. Comovo-me ao observar a forma carinhosa e protectora daquele amor que nunca conheci. No final das férias para além das vantagens sentem-se também as outras consequências: a falta de tempo para ser filho único.

Foi muito bom conseguir um dia de férias em forma de atenção exclusiva. Essa coisa de tornar os filhos de muitos irmãos em filhos únicos de vez em quando é mesmo necessária.

Comentários (1)

  • […] Queixei-me várias vezes, durante as férias, que o Afonso anda a falar alto demais. Ontem, num rasgo de inteligência emocional, deixei a Maria Luiza com a minha mãe. O Pedro não estava e eu queria estar totalmente disponível para o Afonso. Não gritou, não teve aqueles momentos em que – como demorei três meses a perceber – só quer ter o seu lugar numa casa marcada pela presença forte de uma … Ver artigo completo no Blog […]

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