Maternidade

Alienação Parental. O crime que marca a vida de um filho.

alienação parental

Falo muitas vezes da minha experiência positiva na relação com os pais dos meus filhos. Acredito mesmo que amizade depois do divórcio (ou de uma separação) dá trabalho, mas vale muito a pena. E repito dá trabalho, obriga a engolir muitos sapos, fazer cedências, esquecer o orgulho. Mas o motivo é o mais importante de uma vida: os filhos. Infelizmente a realidade é muitas vezes um cenário de guerra: o pai contra a mãe ou a mãe contra o pai. Em qualquer um dos cenários, é o filho que fica no meio e ouve, baralhado, sem saber onde fica a verdade. A alienação parental usa os filhos como instrumento para atingir a outra parte. É uma arma de vingança, que faz por descredibilizar o parceiro ou ex-parceiro, aos olhos do filho, distorcendo a sua imagem, podendo (ou querendo) até romper os laços afetivos, de forma definitiva. E é grave. Muito grave.

Falar mal de um dos pais ao filho é absolutamente errado, por todos os motivos e mais algum. Mas vamos ao principal: o filho não vai ser a mesma pessoa crescendo naquele contexto tóxico. E é ele que tem de estar em primeiro lugar. Sempre. As consequências destes atos podem ser permanentes, nunca pensem o contrário. Perturba o bem-estar e desenvolvimento da criança, fragiliza o lado emocional, não cria um contexto harmonioso para crescer e impede uma arquitetura saudável de princípios e de valores.  Transforma-se em adultos de risco.

Com a alienação parental vêm sentimentos de culpa, alterações nos padrões de sono, de alimentação, de humor. Pode vir o aumento da agressividade, insucesso escolar. É por isso que uma boa relação compensa. Não tem que ser uma amizade (é óbvio que esta é uma situação excepcional porque uma separação acontece por alguma razão e envolve sofrimento) mas tem que ser civilizada e de respeito um pelo outro e, acima de tudo o resto, pelo bem-estar do filho.

 

De acordo com a Associação para a Igualdade Parental e Direitos dos Filhos, estas são as estratégias utilizadas na alienação parental:

1. Isolar a criança. Uma das primeiras formas de isolamento é a tentativa de reduzir as comunicações telefónicas com o outro progenitor. Quando estas ocorrem, são sob supervisão e controlo do alienador.

2. Evitar o contacto físico. Festas de aniversário, de Natal e de final de ano na escola, ou outras atividades extracurriculares começam subitamente a coincidir sempre com os horários que cabem ao outro progenitor.

3. Interceptar presentes e mensagens. O desvio de prendas e de mensagens é uma tentativa de fazer a criança acreditar que o outro progenitor não pensa nela e não se preocupa.

4. Purga emocional. Consiste em eliminar recordações que evoquem momentos felizes (como fotografias) passados com o progenitor que se deseja afastar. Com a erradicação destas memórias, dá-se uma ruptura simbólica dos laços emocionais – já que a intenção é associar o progenitor alienado a uma imagem má e distorcida.

5. Distanciamento físico e rapto. O desejo de programar o filho contra o outro progenitor é um dos factores que aumenta o risco de rapto.

 

A alienação parental (ainda) não é um crime punível por lei. É difícil de provar mas destruidora. É uma questão que surge cada vez mais no universo jurídico. As famílias são diferentes: são maiores, com mais ramos, muito mais complexas. Por mais mágoa que haja, por mais feia que seja a história, por piores que tenham sido os comportamentos, nunca podemos falar mal de um pai ou mãe aos nossos filhos. Podemos protege-los. É tão simples como isso (por mais difícil que possa parecer).

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