Maternidade

A primeira ida dos filhos à rua… sozinhos! 

A primeira ida dos filhos à rua

Meter os escudos (desculpem se o gap geracional for muito grande e leiam euros) ao bolso, aviso de troco certo, a rota bem decorada, avisos e perigos em mente e um nervoso no estômago de se ter mundo à distância da mão. Sabem do que falo? Da primeira vez à solta. A primeira ida dos filhos à rua… sozinhos. Posso inventar um verbo? A primeira vez que nos “destrelaram”. Uma história linda para se contar aos amigos e, principalmente, uma conquista pessoal a ecoar nos dias seguintes: “Fui capaz”.

As questões geracionais invadem o panorama: será que hoje em dia há a mesma tranquilidade? Será que ter 5 anos hoje é igual a ter 5 anos há uns valentes anos? Como se decide em que idade devem ou não sair os nossos filhos sozinhos à rua?

Fala-se da “maternidade na era do medo” e eu percebo. Demasiadas histórias, telejornais sensacionalistas e o medo vai-se incutindo. Remédio para isto? Consciência e calma. Consciência para se perceber que essas histórias, muitas delas completamente distorcidas, funcionam para isso mesmo: causar medo. Vivo num bairro/rua pacífico/a? Conheço as pessoas que por aqui passam todos os dias? Conheço vizinhos e senhores dos cafés e super mercados? Que distância/percurso vai o meu filho/a fazer? E calma: ver o lado bom, ser forte e não entrar em pânico. Passar-lhes a mensagem positiva e nunca transmitir-lhes medo e ansiedade (já leram este post?). Alertar, claro – passadeiras, não falar com ninguém, não aceitar nada de estranhos, cuidados a ter. É o tal exercício de dizer sim, em vez de não.

A verdade é que as crianças têm direitos. Direito à segurança, à liberdade e, também, à sua independência (que aqui é mais autonomia). Arriscando: têm o direito a um pouquinho de perigo vigiado e controlado. Pode-se ir conquistando esta autonomia por fazes. Quando eles pedem para ir brincar para algum lado, por exemplo, podemos começar por nos afastar um pouco desse local. Ficar de olho, mas afastar. Deixá-los gerir o seu espaço longe de nós. Se morarmos num espaço com um jardim em frente, ou com um pátio, deixa-los ir brincar sozinhos e controlar pela janela. Dar horas para voltar e fazer com que sejam cumpridas. São pequenas decisões que vão construindo o ser responsável e capaz que há neles.

As férias, quando são passadas sempre no mesmo sítio, na aldeia ou na vila, são bons lugares para perder o medo (os nossos) e deixar acontecer a primeira ida dos filhos à rua. Eu já deixei o Afonso ir comprar um chocolate que ele queria, e fiquei a ver tudo, apesar de escondida atrás de uma árvore.

Defendo que esta autonomia é essencial. O Afonso, que tem 6 anos, já faz recados pequeninos. Vigiado! O Gonçalo, foi por volta dos 8 ou 9 anos. Respirar fundo: conheço os percursos, as pessoas, os cuidados a ter naquela e na outra passadeira. Dado o recado, é só confiar.

E vocês? Concordam? Qual a idade perfeita para a primeira ida dos filhos à rua?

 

Como eu gosto desta fotografia…

Comentários (2)

  • […] As questões geracionais invadem o panorama: será que hoje em dia há … Ver artigo completo no Blog […]

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  • Saiba a cara senhora Catarina que poder inventar um verbo, pode.
    Não se me afigura, e penso que a ninguém, que daí advenha grande mal ao mundo, nem pequeno.
    Um verbo ou que lhe der na sua real gana.
    Mas não esse porque já foi inventado. Verbo destrelar
    🙂

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