Relações

Que papel deve ter um padrasto (madrasta)?

Que papel deve ter um padrasto

Fiz aquele desafio das perguntas no instagram. É natural que muitas das questões que me coloquem sejam sobre as novas famílias. Cá em casa existem três filhos (três pais) e uma quantidade de ramificações que poderiam ser complicadas mas que conseguimos ter bastante arrumadas e saudáveis. Uma das questões que achei que daria um post bastante interessante refere-se ao papel do Pedro na vida dos miúdos. Que papel deve ter um padrasto (madrasta)?

Detesto a palavra padrasto e madrasta. E acho que faz pouco sentido quando existem pai e mãe (vivos e presentes). Não considero o Pedro padrasto dos meus filhos. O Pedro é o meu marido, é adulto, e ama os meus filhos.

Acho que desta forma resumo o papel do Pedro na vida do Gonçalo e do Afonso. E aquilo em que acredito nestas situações.

Na verdade, não tenho qualquer dúvida, que o facto do Pedro ter tido uma atitude inteligente na relação com os meus filhos foi fundamental no sucesso da nossa relação (sim que a paixão é linda mas não chega). As mães solteiras saberão do que falo: a relação de uma homem com os nossos filhos é determinante naquilo que sentimos (vejam o vídeo).

 

E afinal o que é uma atitude inteligente? Que papel deve ter um padrasto (madrasta)? Devia por aspas para perceberem que não concordo com a palavra mas não encontro alternativa.

 

Não entrar a matar. Ou seja: armar-se em pai. E isso é o lado bom: abraços, beijos, perguntas queridas e interessadas. Mas é também impor (ou apenas sugerir) regras, questionar a nossa forma de estar como mães. Os miúdos precisam de tempo para conhecer aquela pessoa e reconhecer-lhe afecto e (ou) autoridade.

 

Será um reforço daquilo que já disse mas é importante nunca querer substituir o pai. Pai é pai. Por muito importante e constante que aquela presença seja na vida dos nossos filhos.

 

Nunca falar mal do pai. Mas isso serve para a mãe também. E não falar mal dos avós. E não falar mal de ninguém que faça parte das ramificações que já existiam.

 

Também já está ali a sugestão mas também reforço (com muuuuita força): nunca dizer mal daquilo que fazemos enquanto mães. Com tempo podem sugerir alteração (sugerir!!!!!) mas acreditem que esta dica pode ser fundamental.

 

A partir do momento em que o Pedro vive com os meus filhos pode naturalmente dar ordens. É óbvio. É um adulto que vive com eles. Até podem existir alguns pontos em que eu não concordo mas se for uma questão entre eles, eles resolvem (lá está, considerando que o Pedro é o adulto).

 

E para terminar fica esta regra que ainda não precisámos de por em prática mas que acho fundamental. O Dr. Pedro Gameiro explica isso de saber ser uma “não pessoa”. Imaginemos que o nosso filho decide fazer a vida negra ao nosso namorado. Há dois cenários possíveis: ele reagir à provocação (e vai certamente dar porcaria), ou fingir que não existe (e, na prática mostrar ao miúdo em causa que não vai conseguir alcançar o seu objectivo).

Não tenhamos ilusões, às vezes os filhos tentam tudo para que uma relação nova rebente. Não porque são maus, manipuladores ou egoístas mas porque evitar a mudança é uma defesa normal do ser humano.

 

 

Se tiverem mais dicas sobre que papel deve ter um padrasto (madrasta) deixem mensagem.

 

 

 

Comentários (6)

  • Quando o meu agora noivo e companheiro entrou na minha vida ainda o meu filho era muito pequeno (3 anos), nem sequer tinha, nem tem recordações de mim e do pai como casal e acho que isso facilitou.
    Nunca quis substituir o pai do meu filho (bom ou mau é o pai dele) e nunca forcei uma relação entre o meu companheiro e o meu filho. Deixei que as coisas fossem fluíndo normalmente e correu tudo muito bem.
    Agora vivemos os três juntos e ele considera-o como um segundo pai. Aliás, no dia do pai quando fez a prenda da escola, fez duas, uma para cada um.
    Cá em casa se têm algum tipo de atrito, deixo que os dois resolvam e só posso sentir-me feliz porque tudo corre muito bem. Acho que as escolhas têm sido as mais acertadas até agora.

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  • – Comunicar, saudavelmente, com o pai E mãe da criança sobre a educação desta. Há coisas que são, naturalmente, diferentes de casa para casa mas outras é desejável que estejam em sintonia. E a percepção dos filhos de que existe uma comunicação saudável entre toda a família alargada faz com que estes respeitem todos por igual, falem com naturalidade do que se passa numa casa e noutra, estejam felizes em ambas as casas – que já agora, as madrastas/padrastos devem enfatizar que as casas também são deles (das crianças) – sem sentir que estão em falta para com uma das partes da família.

    – Colocar-se no lugar do filho: “Como me sentiria se eu estivesse nesta posição? O que precisaria que fizessem por mim?”

    – Não terem pressa em gostar/amar o filho do outro. Se estiver para ser, é, como em qualquer relação, uma construção.
    E quando tudo corre bem, é tão bom e fácil.

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  • […] Voltamos ao tema das “novas famílias”. As férias são tão férteis em gestão familiar. O professor José Gameiro, psicoterapeuta de casais, autor de um dos livros que eu mais adoro – o “Talvez Para Sempre” – falou, numa conferência onde estive presente com o meu “caso prático” sobre novas famílias. Essas, cheias de ramificações, que nunca serão iguais a uma família clássica. Ninguém disse se são melhores ou piores. Mas serão sempre diferentes. […]

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  • […] Voltamos ao tema das “novas famílias”. As férias são tão férteis em gestão familiar. O professor José Gameiro, psicoterapeuta de casais, autor de um dos livros que eu mais adoro – o “Talvez Para Sempre” – falou, numa conferência onde estive presente com o meu “caso prático” sobre novas famílias. Essas, cheias de ramificações, que nunca serão iguais a uma família clássica. Ninguém disse se são melhores ou piores. Mas serão sempre diferentes. […]

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  • Perguntava como é a relação padrastro- enteado adulto qdo a mãe( esposa) humilha diante dos filhos ) ou simplesmente vive com o marido em funcão dos filhos em que considera que os filhos estão sempre certos. Gostaria, que algume desse opinião sobre este tipo de relação.

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  • Sou “produto” de uma família reconstruída. Vivi os últimos anos da minha adolescência em casa do meu pai, com a nova família, dois filhos da anterior relação da nova mulher do meu pai e um bebé deles. O meu pai foi mega com os putos. Disse-lhes que seria deles aquilo o que eles quisessem. Eles escolheram que ele fosse pai. E ele foi. Com todos os defeitos e virtudes, mas esforçou-se até não mais poder. Reinventou-se como Homem, como companheiro, como Pai. E isso fez com que eu olhasse para ele de outra forma. Não senti ciúmes. Senti admiração. Se um dia as coisas correrem de forma semelhante comigo, se um dia separar-me e houver uma nova pessoa na vida da minha filha, terei a fasquia alta e não aceitarei menos do que o meu pai foi para os meus irmãos. Que são irmãos. Mesmo não tendo sangue. São irmãos. Porque assim o escolhemos e isto sempre foi muito claro para nós. A minha segunda mãe teve o papel mais fundamental de todos. Foi a minha segunda mãe. É a minha segunda mãe. Apresentou-se assim. Ficou no meu coração assim. Impôs-se. Talvez eu precisasse disso na altura. Mas não foi uma imposição forçada. Ela ficou. O meu pai já não está cá há mais de 10 anos. Ela permanece. Não imagino a minha vida sem ela. Sem os meus manos. As famílias reconstruídas são sobretudo escolhas. Escolhas diárias. Escolhas em que opta-se pelo amor em detrimento do ciúme, do rancor, do medo. Escolhas que se fazem diariamente. Onde não existem os teus, os meus. São todos nossos. São os nossos filhos. Fomos, os 4, os filhos dos meus pais. E depois havia a minha mãe, o meu padrasto e o meu outro irmão.
    O meu conceito de família é elástico. Cabe lá dentro todas as pessoas que eu quiser. ❤️

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