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Sonhar com… Cuba: o que não perder e outras dicas práticas

Sonhar com... Cuba: o que não perder e outras dicas práticas

Agradeçam à Ana Bernardino (eu aproveito por agradecer porque é parte importante dos neurónios que me faltam) por este momento de inveja profunda. A miúda esteve em Cuba e conta-nos tudo. Eu acho que Dezembro é o mês perfeito para viajar. E não tenho dúvida que se há coisa para que vale poupar é para conhecer o mundo.

Estive 9 dias em Cuba e voltei revitalizada. Passeie por Havana e fiz reset mental profundo em Varadero, numa praia linda de morrer. Não ia com grandes expectativas, porque tinham-me dito que Cuba “não era nada do outro mundo” e que “estava demasiado turística”. É verdade: há turistas em todo o lado. Mas não, não é só rum e tabaco. Eu senti que estava num sítio verdadeiramente especial. E quero muito voltar.

Um dos aspetos que tornam Cuba única é este: parou no tempo. Isto reflete-se, sobretudo, na degradação dos prédios coloniais maravilhosos e na pobreza em que vivem as pessoas [apesar de altamente instruídas]. E a parte assustadora é que esta realidade contrasta de forma absurda e flagrante com o ambiente [ou ficção turística] que se vive nas praças, ruas e hotéis que fazem parte dos roteiros clássicos. A distancia que separa estes mundos é mínima – estilo 50 metros ou menos.

Mas, apesar disto, Havana é uma cidade cheia de história, de pessoas simpáticas, altamente criativas, de prédios com uma arquitetura que nos deixa de queixo caído e de carros descapotáveis antigos. A música ao vivo, tradicionalmente cubana, está em qualquer restaurante, bar ou tasco. Fui com o meu pai, e a brincar dizíamos que íamos voltar para Portugal a dançar. Não se sente a insegurança e, se fecharmos os olhos, conseguimos sentir o luxo que ali se viveu noutros tempos. Conseguimos ver as celebridades que por ali passaram, conseguimos ouvir as festas e ver as casas e ruas arranjadas.

E porque ano novo pede planos novos, comecem a poupar e a planear a próxima viagem. A minha sugestão é Cuba. Deixo-vos alguns pontos de Havana que não devem deixar de ver. No final, a sugestão é de praia (com água quente).

Passeio em carro clássico

Assim que chegarem a Havana vão ver carros antigos americanos, descapotáveis e maravilhosos em todo o lado e de todas as cores: azul turquesa, amarelo, vermelho, cor de rosa. Este é um dos programas mais giros e dá-nos a oportunidade de parar em vários pontos chave da cidade. Estão à porta dos hotéis e nos maiores pontos turísticos da cidade. O guia é uma ótima fonte para perceber a realidade de Cuba, bem como sítios bons para comer. O nosso era impecável e levou-nos ao Capitólio [a Casa Branca do sítio, à principal loja do tabaco cubano] e a muitos outros pontos de referência da cidade. Também nos levou a sítios menos turísticos porque lhe pedimos. No final, almoçou connosco.

 

Hotel Nacional de Cuba

O Hotel Nacional de Cuba é um dos mais bonitos e icónicos de Havana, situado no Malecón. Nós não dormimos aqui [mas arrependemo-nos!], mas fomos visitar. É dos anos 30 e mantém essa mesma energia. Acolheu todas as pessoas famosas que visitaram a cidade, como Winston Churchill, Jimmy Carter, Frank Sinatra, Gary Cooper, Marlon Brando, Jean-Paul Sartre ou Alexander Fleming. Também foi o hotel que acolheu a famosa cimeira mafiosa [retratada no filme “O Padrinho”], que contou com a presença de Lucky Luciano, Meyer Lansky, Santo Trafficante, Jr., Frank Costello, Albert Anastasia, Vito Genovese. Todas estas caras estão expostas no bar do hotel, que se tornou conhecido por ter acolhido tantos nomes de relevo. Depois de verem, passem pela esplanada do restaurante e almoce, jantem ou bebam um copo. É linda, com uma vista maravilhosa para o mar.

 

Paseo del Prado

Uma das avenidas mais largas da cidade e é o que separa o Centro de Havana de Havana a velha. É estilo a Praça do Comércio, mas vezes 100. Carros antiagos passeiam por lá [não se vão cansar de olhar para eles] e há vários hotéis com esplanadas em torno.

 

Praça da Revolução

É um dos locais mais emblemáticos de Cuba, não só pela estrutura em metal de Che Guevara, como sua pela simbologia. A Praça da Revolução foi construída pelo ditador Fulgêncio Batista e recebe milhões de pessoas quando há algum acontecimento político ou religioso naquele local – é o caso dos famosos discursos de Fidel Castro ou da passagem do Papa João Paulo II pelo país. É uma das maiores praças do mundo [tem 72 mil metros quadrados] e estende-se até ao mar de Malecón. É um postal típico de Havana.

 

Bebam pina colada

Cuba é o país do rum, da famosa Havana Club. Provem as pina coladas, são as reais e literalmente as melhores do mundo!

 

Museu da Revolução

Cuba passou por vários momento marcantes na história que são retratados num dos museus mais importantes do país. Desde a queda do governo fascista de Fulgêncio Batista, à tomada de posse de Fidel Castro, aqui encontrarão recortes de jornais, fotografias e vídeos explicativos que contam as fases mais marcantes de Cuba. Na parte exterior há ainda uma coleção de carros e aviões militares usados na altura da revolução. Nota: senti que estava num meio de propaganda do governo, mas gostei!

 

Rua Obispo

Energia, diversão e música enchem a Rua Obispo, conhecida por ser estreita, mas movimentada. Estende-se entre a Praça de Armas ao Bar La Floridita (onde está uma estátua do Hemingway, para o caso de quererem uma fotografia com ele) e entre os dois lados da rua estão galerias de arte, lojas [não esperem grande coisa] e bares [música cubana ao vivo em todos!] que vão encher as medidas a quem quer conhecer os cantos Havana Velha. Por aqui não passam carros, por isso poupem a vossa atenção a sentir o melhor que Cuba tem para vos oferecer: as pessoas, a música e o comércio local [também muito virado para os turista].

 

Plaza das Armas

Havana é conhecida pelos prédios coloniais com uma arquitetura linda, dos séculos XIX e XX. Depois do Obispo, continuem a explorar esta zona a pé. E passem pela Plaza das Armas, onde podem observar estes edifícios, mas, ao contrário de quase todos os outros, em bom estado de conservação. Em torno da plaza, há zonas de restauração. Parem e bebam uma Cristal [cerveja de lá].

 

La Bodeguita del Medio

É um restaurante de comida tradicionalmente cubana e um dos mais famosos da cidade. Era um dos sítios frequentados pelo escrito Ernest Hemingway, que passou grande parte da sua vida em Cuba. Também eram visitas frequentes o chileno Salvador Allende e o escritor Pablo Neruda. A parte mais gira deste sítio é que as paredes estão todas escritas, e todos os turistas são convidados a deixar lá a sua marca. Isto começou porque o Hemingway escreveu: “My mojito in La Bodeguita” e “My daiquiri in El Floridita”.

 

O rooftop do Hemingway

Continuamos a visitar vestígios de Hemingway e continuamos a pisar edifícios coloniais épicos, agora no Hotel Ambos Mundos, que foi a casa do escritor. Subam ao rooftop e desfrutem da música ao vivo, da comida e da paisagem de Havana.

 

Sonhar com... Cuba: o que não perder e outras dicas práticas

La Santeria

Não é uma paragem tão comum e turística. Nós passámos por aqui na manhã em que passeámos de carro clássico. A Santeria é um lugar mágico e foi provavelmente uma das minhas visitas preferidas. Tudo o que lá está é feito de material reciclado. Há símbolos curiosos e cor por todo o lado. É um lugar de culto, que une à religião católica a religião tradicional iorubá, herdada da cultura africana e levada pelos escravos para a América do Sul.

 

Percam-se nas ruas

Muito importante. Como disso logo no inicio, Cuba é um paradoxo enorme, com contrastes e realidades completamente distintas. Há a Havana turística, impecável e luxuosa, e há a Havana real, que, apesar de também ser linda, está num processo de decadência [ou estagnação] enorme. Para compreenderem o estado do país, é importante que saiam destes circuitos turísticos e passeiem pelas ruas dos habitantes. Eu andei quilómetros e quilómetros por ruas aleatórias. Foi um passeio muito importante nesta viagem. Vão ver pessoas à porta dos prédios, portas abertas, prédios coloniais a apodrecerem sem janelas, mas com roupa estendida. Não se preocupem: não se sente insegurança, ninguém faz mal a ninguém.

 

Sonhar com... Cuba: o que não perder e outras dicas práticas

Varadero

E depois de todos estes passeios, rumei a Varadero, uma estância balnear cubana, que fica a cerca de duas horas de Havana. No inicio estranhei, mas depois entranhei. É um sítio com marina, cheio de resorts. Eu chamei-lhe a Tróia do sítio. No início assustou-me porque o contraste relativamente à energia de Havana é enorme. Não sabia se estava preparada para estar de papo para o ar tanto tempo, mas acreditem: soube-me pela vida. A praia é linda de morrer, com uma água muito transparente, com tons idílicos, uns dias azul turqueza outros dias verde água. Passeiem à beira-mar e desfrutem dos locais desertos. Eu achei mesmo que estava no Paraíso e houve um momento em que pensei: ‘nada na vida é melhor do que isto’. Nunca me senti tão serena e zen como nestes dias na praia. Voltei revitalizada (e talvez um pouco mais gorda).

6 dicas práticas:

– Levem repelente: houve um surto de zica e dengue em Cuba, por isso, encham-se de repelente. Também ajuda os mosquitos (menos perigosos) a manterem-se afastados.

– Em Cuba é sempre verão (até no inverno): as estações em cuba são as mesmas em Portugal, com a ligeira diferença de que em Cuba nunca é inverno. Ou melhor, há inverno, mas as temperaturas são sempre altas. As máximas, no ano todo, andam entre os 25 e os 31 graus. Eu fui em dezembro. Enquanto em Lisboa estava um gelo, em Cuba estavam 28 graus.

– Internet: não esperem espaços com wi-fi em todo o lado. Nos hotéis há, mas pode ou não ser paga. A rede acede-se através de um cartão que eles dão com user e password, mas que dura entre 1 dia e 3 dias. Na rua, também há destes cartões de uma hora à venda. Eu fiz um detox digital. E que bem que me soube.

– Vacinas: o furacão Irma passou por Cuba e fez muitos estragos. Antes de ir levei a vacina da hepatite A para prevenir, caso o saneamento não estivesse em condições. Na verdade, estava à espera de um cenário muito mais caótico, mas eles foram rápidos a arranjar a cidade. Mesmo assim, mais vale prevenir porque com a saúde não se brinca.

– Relacionem-se com os locais: diz-se que os portugueses são simpáticos, mas ao pé dos cubanos podemos muito bem passar por trombudos (estou a exagerar um bocadinho). Quer seja o vosso guia ou alguém que conheçam, falem com os locais e aconselhem-se com eles. Eles vão dizer-vos os sítios melhores para comer e atracções menos turísticas e mais reais para visitarem.

Comentários (3)

  • […] Estive 9 dias em Cuba e voltei revitalizada. Passeie por Havana e fiz reset mental profundo em Varadero, numa praia linda de morrer. Não ia com grandes expectativas, porque tinham-me dito que Cuba “não era nada do outro mundo” e que “estava demasiado … Ver artigo completo no Blog […]

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  • Fotos fantásticas! Por acaso a unica vez que estive em Cuba foi há vários anos, uma semana antes do Natal…infelizmente foi a viagem que menos gostei de todas as que fizemos até hoje (não tivemos lá muita sorte com as pessoas com quem nos cruzámos e tvemos vários dissabores…) mas mesmo assim adorámos havana!

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  • […] E, já que falamos em viagens, já viram o roteiro para Cuba? […]

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