Maternidade

este post é sobre cansaço

cansaço

tenho sono. tenho muito sono. e sempre que vou escrever sobre o cansaço que sinto não consigo. e nem sequer é o sono que não me permite escrever. tenho muito sono mas sempre que vou escrever sobre o cansaço que sinto olho para o teu sorriso e não consigo. sei que faz parte. sei que vai passar e que vou ter saudades do teu corpo pequenino e do teu cheiro a doces. sei que, apesar de todo o sono sinto-me perdidamente apaixonada quando enterro o nariz na tua cabeça macia e cheirosa. e não sei em teoria, sei na prática. tenho muito sono há 14 anos, a verdade é essa. o teu irmão G. dormia muito mal. convenceram-me que a culpa era da mama e eu tinha muito sono e muito medo de fazer as coisas erradas. continuou a dormir mal. o teu irmão A. tem a mania de mexer no nariz e depois grita por mim a meio da noite: mãe, sangue! quando o teu irmão A. era assim pequenino mamava de duas em duas horas. o teu irmão G. está crescido, os abraços duram poucos segundos, mas ainda a cheira ao meu bebé. agora temos outras coisas: conversamos, trocamos mensagens, refilamos e partilhamos cansaço e preocupações. o teu irmão A. está quase no primeiro ano e cresceu muito desde que te tem na vida dele. é infinitamente doce e inteligente. tenho muito sono há 14 anos, a verdade é essa. pronto, tenho mais agora. mas sempre que vou escrever sobre o canso que sinto não consigo. quero viver cada instante deste mundo fascinante que não esperava para mim: uma família grande e muito de tudo – muito mimo, muito sono, muita roupa, muita louça, muita logística, muita coisa boa. e sim, muita sorte. é isso: tenho muito sono mas tenho muita sorte.

 

[foto da Marta Dreamaker, numa tentativa que fizemos de acompanhar as trombas da nossa filha. esta noite foi especialmente má porque a miúda tem tosse. que passe rápido porque pior que sono é estar preocupada.]

Comentários (9)

  • […] post este post é sobre cansaço appeared first on dias de uma […]

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  • 🙂 “Partilho” o sono… há dias que nem tenho a certeza se já acordei ou não… de tão em “piloto automático” que tenho andado…
    mas eu “só” durmo mal há 6 anos… Os mais velhos continuam a pedir muito colo e mimo… e a barriga agita-se muito… E eu… Tenho sono, muito sono… E muito medo de não conseguir aproveitar todas as etapas desta fase…
    O caminho faz-se caminhando… mas… E se adormeço? Perco a vista…
    🙂 Um dia, o sono vai passar e o cansaço também… e quer-me parecer que vão haver muitas saudades destes tempos ensonados…

    Beijinhos! E obrigada pela partilha do teu caminho (inspirador)!

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  • Catarina como é que consegue aguentar esta questão do cansaço há 14 anos? Pergunto porque a minha filha tem 7 anos e há 7 anos que eu só durmo bem quando ela não está. São 7 anos de um bebé que dormia muito mal para uma criança que continua a acordar várias vezes por noite…porque vai fazer xixi, porque é sonâmbula e agora o problema maior, porque tem medo. Os miúdos contam histórias de terror na escola e se ela já tinha medo, agora tem pânico.
    Estou sempre cansada e as noites são um pesadelo. Já lá vão 7 anos e confesso que, não sendo a única razão, não tive ainda outro filho muito por receio. Como posso estar apta para tomar conta de um bebé se já não descanso? São tantas as noites que me sinto fisicamente e psicologicamente de rastos. Não sei como aguenta.

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  • Para mim mais do que sono ou cansaço isso é viver a vida na sua plenitude! Também tenho duas meninas (10 e 6 anos) e com a mais velha foi muito complicado, tinha terrores nocturnos e por isso sei do que falo mas quem disse que a vida é para ser fácil? O que viveríamos, o que aprenderíamos, o que teríamos para contar se não fossem estas histórias diárias de uma vida preenchida? Costumo dizer que um filho é a única coisa que se tivesse de fazer de novo, faria exactamente igual.

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  • Ler este post fez-me reviver os meus últimos 4 anos. É verdade que agora não é como no primeiro ano de vida, vá primeiro e segundo ano de vida. Hoje o D. acorda para ir fazer xixi. Mas já vai sozinho e só tenho de lhe ligar a luz. Isto porque ele dorme comigo, claro. Foram tempos muito difíceis os primeiros meses de vida. Consequência: o apego e o não saber dormir sem a mãe. Mas isto é o menos comparando com as noites mal dormidas, uma mastite ao mês e meio, que posteriormente me levou ao bloco operatório para drenar e toda uma luta (pessoal) para não desmamar, seguindo-se 2 meses de (dolorosos) pensos diários. Depois, aos 2 meses, um internamento por suspeita de tosse convulsa. Uma semana de hospital chegou para eu ganhar trauma. Mas sobreviemos. Amamentei até aos 24 meses e tenho o maior orgulho nisso.
    Tudo isto para dizer que apesar de tudo o que passei/passamos, tenho saudades do meu bebé pequenino, do cheiro a bebé pequenino. Ele ainda quer colinho, e eu dou claro, mas caramba…. o tempo passou tão rápido. Já vai fazer 4 anos (em dezembro) e eu já nem me lembro quase das coisas más. Ficam as boas que guardarei pra sempre no meu coração.
    A Catarina deve saber tão bem ou melhor que eu que isso passa, tudo passa. Força.

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  • Isso é ser mãe, não é? O cansaço… mas vale a pena, vale tanto a pena, Catarina! Quando crescem e se tornam gente grande e nós deixamos de ter de estar cansadas a tratar de vocês e passamos a viver preocupadas – ou não – mas, sem poder fazer mais nada vos vemos crecser, ganhar asas e seguir o vosso caminho, é tão bom! Acredite, vale tudo a pena! Um grande beijinho nada façanhudo de uma avó que passou por isso e que agora vê a filha dizer o mesmo que a Catarina escreveu…

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  • Concordo plenamente, muitas vezes tenho sono e não sei do que é. Muitas vezes tenho sono e sei do que é.. resumindo e concluindo é sono!

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  • Tão bom, Catarina, mas tão bom este texto. Tão verdade. O cansaço que sentimos mas não queremos assumir porque ele resulta de coisas tão boas!

    http://embuscadafelicidade.blogs.sapo.pt

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  • Que texto lindo!!

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