Sonhos

brincar aos restaurantes?

Nestes dias, depois de Lisboa ter recebido os negócios das novas tecnologias, falo de outro mais tradicional e (erradamente) considerado mais simples: a restauração. E explique-se o ângulo da poupança: eu não gosto de gastar dinheiro em comida que me sabe mesmo bem.

Domingo, num sempre muito feliz regresso ao Porto, voltámos a uma pequeno café/restaurante onde tínhamos estado há uns meses. Nessa altura, adorámos o conceito e desculpámos as pequenas falhas porque o estabelecimento tinha aberto há muito pouco tempo. As coisas menos boas foram de tal forma ultrapassadas que passei a palavra e aconselhei aquele lugar a muitas pessoas a quem fui conversando.

Ter um restaurante deve dar muito trabalho (aliás como quase todos os negócios que se querem bem sucedidos). No meu restaurante preferido – uma pequena casa no bairro de Campo de Ourique, o Bitoque – às 9 da manhã a porta está aberta e a comida está a ser preparada. Antes já foram às compras, e sabemos que a pescada é sempre branca e fresca e o bife tenro e suculento, as batatas estão sempre estaladiças e as farófias são simplesmente as melhores do mundo. Sei que fecham no dia de Natal, no Ano Novo e em agosto, nos outros dias todos ali estão mais de 12 horas por dia, a mesma simpatia, o mesmo cuidado, a mesma sinceridade “menina Catarina, hoje está mesmo demorado”, “espere só cinco minutos”. Deve ser por isso que a casa está aberta há mais de 30 anos e sempre cheia.

Voltemos ao Porto, onde o pequeno café-restaurante da moda estava tão cheio que esperámos à porta quase uma hora. Tudo bem, foi a nossa opção. Percebemos que algo corria mal porque quando nos sentamos e reclamavam na mesa do lado. Esperamos outra hora por uma refeição mediana, servida sem brio, com falhas em quase tudo o que veio para a mesa. Ninguém pediu desculpa e a conta veio com pratos que não foram pedidos. Enquanto almoçámos, várias pessoas saíram antes de serem servidas devido ao tempo de espera. Saí com a sensação de que na próxima vez que voltar ao Porto a porta não estará aberta. E com a certeza que aquelas pessoas não tinham noção do trabalho que dava ter um restaurante quando abriram aquele.

Não digo o nome do lugar onde fui porque ainda acredito em segundas oportunidades. Ou percebem o trabalho que dá ou escolhem outra arte. E, como vos digo, isto serve para para todos os negócios.

 

Crónica Dinheiro Vivo

Comentários (3)

  • […] post brincar aos restaurantes? ACABAR appeared first on dias de uma […]

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  • Senti exactamente o mesmo há uns tempos quando fui ao LX Factory experimentar o bolo da Marta do qual ouvi tanto falar. Finalmente lá fui com o meu marido lanchar. O espaço é fantástico e muito bem escolhido sem sombra de duvida. No entanto estava um calor impossível. Vemos sempre tantas opções tentadoras no Instagram e chegando lá tinham apenas uma tarte. Pedimos com fruta por cima e recebemos uns míseros morangos com muito mau aspecto. Pedimos sumos naturais que não sabiam a nada… a funcionária era de extrema simpatia, mas aparte disso não houve mesmo nada de bom. Foi uma enorme desilusão e o meu marido só me perguntava porquê que o tinha ali levado. Há sítios que simplesmente perdem o brio,o que é uma pena, porque podiam ser muito mais.

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  • Vanessa, o bolo da Marta tem mais fama que proveito. O bom de uma pavlova é a parte crocante, dificilmente consegue comer isso lá. Experimente fazer em casa, mesmo que não saia bem à primeira, não desista. Se nunca fez, o essencial é respeitar o tempo de cozedura e temperatura do forno.

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