Maternidade

o dia em que os cães do meu marido me tentaram conquistar…

não sou uma pessoa de cães, nem de animais de estimação. tive um canário que morreu depois de bater com a cabeça e uma coelha que parou de comer quando deixou de ver o meu pai. tenho uma tartaruga desde que mudei para Lisboa. pequenina, quase autónoma. não sou uma pessoa de animais de estimação porque cresci assim, sempre vivi em casas pequenas e, confesso, faz-me muita impressão gostar de um bicho e um dia ter que lidar com a sua morte. o meu lado “não sou uma pessoa de animais de estimação” é assim como as minhas trombas naturais: são defesas.

o meu marido tem dois cães. dois enormes cães. quando ele está eu nem vejo os cães mas, quando ele não está, trato deles. como animais inteligentes já perceberam que quando apareço é porque não vão ver o dono – que adoram. eu entendo-os. estou quase sempre com o mesmo desgosto nesses dias. ontem ladraram-me. entre tosse, cansaço e dores, mandei calar, dei comida e fui-me embora. hoje, quando fui ter com eles, estava tão aflita que nem falei. não ladraram. baixei-me para limpar e vieram os dois encher-me de alguma coisa que eu sei que são beijos [apesar de na prática serem  apenas enormes lambidelas]. foram mimos e mimos – saliva com fartura e entrega de presentes interessantes como laranjas podres e bolas cheias de terra, e nem um barulho. raio dos bichos perceberam que eu estava doente. raio dos bichos quase conseguiram que eu caísse de amor por eles. quase!

 

Comentários (12)

  • Os caes sao o melhor do mundo, logo a seguir as criancas. Espero sinceramente que se apaixone por eles.

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    • Penso exatamente da mesma maneira. Sao seres muito melhores que nós, humanos

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  • Percebo perfeitamente o que queres dizer e concordo. Desde sempre que tenho animais de estimação, aqui em casa vou no segundo cão. Quando o primeiro morreu chorei uma semana e eu sou aquela pessoa que evita a relação não porque não goste, mas porque me é difícil a dor da perda e parecendo que não eles são como pessoas. Então sempre foi uma espécie de amor ódio não no sentido de não gostar. Quando o primeiro morreu disse que não queria mais nenhum, neguei o segundo nos primeiros tempos por defesa, pq odeio perder os que amo. Hoje em dia contínuo a dizer que não o queria mas não vivia sem ele, parece estúpido mas no amor somos sempre apanhados de surpresa até com os animais.
    Por isso não te admires quando deres por ti a morrer de amores por eles
    Carolina Melo

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  • É tão bom ter um animal de estimação, acredita que dá imensa alegria à vida!
    Não tenho dúvidas que dentro de pouco tempo já te derreteste e vais perceber que são mesmo os melhores amigos que podemos ter 🙂
    Beijinho e as melhoras*

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  • a verdade é que com o que dizes neste post eles já te conquistaram 🙂

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  • sabe bem escrever «o meu marido» em vez de o Pedro? : )
    bjs

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  • Nem de proposito … estou a ler este post no dia seguinte a ter de tomar a decisão de mandar abater um animal de estimação.
    Quem já passou por isso sabe o quanto custa. Não é a primeira vez que o faço e não será seguramente a ultima…
    Faz parte de viver com animais de estimação… que fazem parte da minha vida desde sempre

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  • Confesso que a ideia de não ter animais de estimação porque um dia partem não me parece muito convincente (atenção não é uma critica, é só que ouço tanta gente a dizer isso mas não consigo entender), isto porque por essa ordem de ideias, não tínhamos marido ou companheiro (entre outras pessoas da nossa vida) porque um dia partem. Por essa ideia não tínhamos amor por ninguém porque parte. Por isso para mim esta ideia não me parece muito convincente.
    Mas se calhar é só por adorar animais (especialmente cães) e ter uma cadela que amo de todo o coração. É o meu bebe… é o meu amor. Se um dia vou ficar desgostosa quando partir? vou…. mas é o risco que se corre. Também amo muito outras pessoas, e sei que um dia elas vão partir.

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  • Catarina, lembraste há um ano, quando tentei "vender-te" a ideia de ter um cachorro pequenino de estimação?
    Hoje, que estou tão desgraçadamente miserável porque é possível que o meu Benny fujão tenha partido – e cheira-me que vou ficar nesta dúvida para sempre -, digo-te que não há quem nos ame tão incondicional mas sobretudo tão simples e descomprometidamente como um cão, um gato. Quiçá um porco vietnamita, não sei. E sim, eles sabem sentir-te como ninguém. Ao humano tu tens de explicar que estás triste, porque é que estás tristes, leva-te à racionalização da tristeza, adopta o comportamento que acha certo para te retirar da tristeza (e tu podes não gostar desse comportamento). Um cão ou um gato não quer saber de mais nada: és a pessoa dele/a, estás triste, é mimar-te até mais não, até estares bem. Estás doente, não sai dos teus pés. Tens um bebé? É cão ou gato de guarda. Infelizmente, os nossos períodos de vida não coincidem. Mas tal como amas os teus filhos e o teu marido, e por eles fazes tudo, se amas um cão ou um gato, só queres dar-lhe toda a felicidade e bem estar do mundo, enquanto ele está por cá. Sabes que um dia sofrerás como uma condenada, mas isso interessa muito menos do que uma cauda a abanar histericamente ou um ronron interminável.
    Hoje estou convencida que vi desfigurado o meu gatinho loiro, o meu filhote caçula. Dói, murros e cabeçadas na parede são festinhas suaves. Só vivemos um ano juntos. Não trocava este ano por nenhum outro.

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  • é impossível não morremos de amor por bichos <3

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  • ADOREI!! Tenho uma cadela de 10 meses que está neste momento enroscada no sofá a dormir e a ternura com que a observo é mesmo especial. É um amor especial. Eles conquistam-nos!

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