Relações

“Os filhos atropelam a paixão e não temos tempo para ir ao hospital”

Os filhos destroem a paixão? E como a podemos recuperar?

O instagram tem o encanto do imediato: escrevo o que estou a sentir, como se respirasse fundo. Foi assim no sábado quando escrevi sobre viver a dois e recebi mais de 100 comentários.

Neste fim de semana fomos até à mágica Herdade da Matinha. A chuva obrigou a algum tempo dentro dos espaços comuns. Imaginem sofás, almofadas fofas e janelas enormes. Tudo aquilo conjugava com livros, sestas e preguiça e ver a chuva a cair num cenário de sonho.

A realidade incluía miúdos e pouco tempo para estar quieta. Os meus miúdos e os miúdos dos outros. E fiquei a observar.

Viver a dois é um desafio. Viver a dois mais filho(s) é qualquer coisa depois do desafio mas (felizmente) antes da missão impossível. Gostava de ir ter com todos os casais que vejo, naquela tensão horrorosa, e dizer-lhes que não desistam, que tentem encontrar cinco minutos para conversar no meio das birras, que entrelacem as mãos mesmo quando não concordam com a sopa, as horas e as regras. Queria dizer-lhe que mesmo que não consigam fazer amor porque a cama foi invadida que digam ao outro a vontade que sentem.

Queria dizer a todos os casais que ainda não têm filhos que é um projecto de vida, assim como uma empresa em que são sócios para sempre, e que não pode mesmo dar prejuízo. Queria dizer que há dias em que, por muito felizes que sejam, por muito que amem os seus filhos, parece que a paixão foi atropelada e nem sobra tempo para a levar ao hospital. Mas os beijos na boca, os pés entrelaçados, o amor em silêncio ou com tempo contacto, pode ter a cumplicidade única de quem está a construir um projecto para sempre.

Os filhos destroem a paixão?

Diria que os filhos atropelam a paixão. E mesmo quando não sobra tempo para ir ao hospital, convém ir investido em alguns curativos.

Comentários (6)

  • […] A realidade incluía miúdos e pouco tempo para estar quieta. Os meus miúdos e os miúdos dos outros. E fiquei a … Ver artigo completo no Blog […]

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  • Adorei o post… é mesmo isso sem tirar nem pôr.

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  • “O amor é paciente, o amor é bondoso. Não inveja, não se vangloria, não se orgulha.

    Não maltrata, não procura seus interesses, não se ira facilmente, não guarda rancor.

    O amor não se alegra com a injustiça, mas se alegra com a verdade.

    Tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta.”

    Sim é da Bíblia. Mas é verdade.

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    • Quem diria, caro cara A, que o amor era isso tudo.
      E eu a pensar que o significado de amor para sempre, amor para toda a vida nos destinos paralelos de um casal só tinha laivos de veracidade quando os dois embarcam na mesma viagem aérea.
      O que a Bíblia não ensina.

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  • Amei!

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  • “E mesmo quando não sobra tempo para ir ao hospital, convém ir investido em alguns curativos.”
    Convém sim senhor! Aliás, é de toda a obrigatoriedade.
    Por exemplo: Motel é uma excelente terapia. 🙂
    Convém ainda mais para o sucesso da cura e erradicação total da desagradável maleita, que a frequência habitual não seja divulgada porque senão dia virá em que, com lágrimas de sangue, dirão.
    – Rais parta a cura. Antes toda a vida doente do que ouvir esta gente.
    :)))

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