Maternidade O Meu Diário

respeite-se o ritmo de cada mulher

Vivemos esta luta contraditória entre exigirmos mais direitos para a presença na vida dos nossos filhos e sermos mães mas parecer que somos apenas mulheres emancipadas e independentes.

É sempre assim, do oito ao oitenta: passamos da crítica feroz a qualquer mãe que deixasse o filho ainda pequeno para ir apanhar ar para o olhar de lado para qualquer mulher que não consegue ser mais nada senão mãe.

Esclareço que não defendo nenhuma das atitudes como aquela que está certa. Cada mulher é um caso, com características próprias e contexto.

No outro dia desabafei sobre o meu excesso de proteção perante um recém-nascido. De imediato surgiu uma competição sobre quem tinha saído mais cedo com o seu bebé depois de parir. Saíram e foi bom? Excelente. Acabou de ter um filho e quer ficar protegida do mundo e fechada em casa? Excelente na mesma.

Invejamos as mulheres que pariram há um mês e não têm qualquer marca dos nove meses. Eu invejo! Assumo já porque as fragilidades também se assumem. Mas, lá está, cada corpo é um corpo. E a mulher que já leva o equipamento do ginásio para a consulta em que o médico lhe dá autorização para voltar a treinar merece o mesmo respeito e admiração que aquela que não consegue mexer-se. Assim como um casal em que a mulher vai trabalhar e o pai fica com o filho acabado de nascer, ou a mãe que decide – podendo – largar o emprego para estar a tempo inteiro com o filho.

Não há ritmos nem prazos certos, há os prazos e os ritmos de cada mulher. Mas que sejam mesmo seus e não impostos pela amiga, a sogra, a mãe ou o blogue que costuma ler.

Reparem que não escrevi o marido – ou o pai da criança – porque lhe reservo um lugar especial nestas decisões. É certo que o corpo é da mulher mas o filho é dos dois. É por muito que as hormonas gritem pelo lado animal que acredita ser o único a fazer bem feito para a sua cria, temos de as contrariar. Um pai é metade de um filho. É nesses momentos em que deixamos que ser metade da conceção seja também metade da criação, damos espaço para voltarmos a ser também mulheres. E é nisto que reside a igualdade entre homens e mulheres nisto da parentalidade: decidir a dois, obrigações e direitos, com refeitos pelos ritmos e necessidade de cada um. Assim não será uma contradição e podemos ser mães ou pais e mulheres ou homens independentes ao mesmo tempo.

 

Crónica Dinheiro Vivo 

Comentários (4)

  • Olá Catarina, concordo que de facto a decisão cabe ao casal e ninguém tem nada de criticar. Cada pessoa sabe de sim e o que importa é que as coisas funcionem para o casal e que sejam felizes.

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  • Gostei muito das dicas. Obrigada!

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  • Concordo em absoluto. Mas ainda me olham de lado quando digo que fui trabalhar quando o G tinha 3 meses (vicissitudes de quem trabalha a recibo verde e tem de fazer contas à vida) e que o pus na cresce aos 4 e meio e que quem fez essa adaptação foi o pai porque ainda estava a gozar a sua licença e a queimar todas as férias que um contrato de trabalho (felizmente) lhe dá… As pessoas apressam-se a julgar-nos…isso é que não está certo. É a hipocrisia da parentalidade moderna.

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  • […] da Kate Middleton porque a rapariga é princesa. Nem dos brincos da Carolina Patrocínio (sobre a barriga já sabem o que penso) – que também se atreve a ter filhos e a ficar ainda mais bonita depois disso, tipo logo […]

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