o que os homens não fazem…

Sou uma defensora acérrima da igualdade de oportunidade entre géneros. E por muito que, teoricamente, ache que bastará existir igual tratamento para que exista o mesmo número de homens e mulheres a desempenhar o mesmo tipo de funções, na prática tenho noção que isso não será assim tão simples.

As mulheres e os homens são fisicamente diferentes. As mulheres podem estar grávidas e parir, os homens não. Poderão ter iguais responsabilidades, mas há coisas que um homem nunca poderá fazer.

Poucos saberão que o órgão que gere esse espaço de liberdade e emancipação – a União Europeia e o seu Parlamento Europeu – não prevê a atribuição de licença de maternidade. Uma coisa é certa: homens e mulheres são tratados da mesma forma. Mas que alternativa tem uma mulher, eleita deputada europeia, que acaba de ter um filho? Deixá-lo a cargo de outra pessoa? Não amamentar? Levar um recém nascido para o local de trabalho? Inês Zuber, por exemplo, renunciou ao mandato de eurodeputada para ser mãe. Mas, não precisaremos, enquanto país e espaço europeu, que as mulheres tenham filhos?

Sou especialmente sensível ao tema da amamentação. Não considero que uma mulher que amamenta é melhor ou mais mãe do que outra que não o faz, mas acredito que é o melhor para o bebé. Nesta função, a mulher é insubstituível. E não pode ser tratada com as mesmas regras que um homem que não poderá desempenhar essa função. Em resposta a isto, há muitos anos, um conhecido banco português afirmava que as mulheres não poderiam desempenhar certas funções dentro da instituição pelas suas “limitações”. Sim, as limitações existem. Mas o país não cresce nem evolui sem que nasçam bebés.

Homens e mulheres têm que ser tratados com igualdade de oportunidades. Mas a função de ter filhos tem que ser protegida. Não é um privilégio, é um direito e uma necessidade.

 

Crónica Dinheiro Vivo

 

foto: Tiago Figueiredo

5 comentários em “o que os homens não fazem…”

  1. Exacto Catarina.

    Igualdade de oportunidades é o que se quer, e não igualdade de algo que não é igual e ainda bem. A maternidade devia ser muito protegida e as mulheres não deviam se prejudicadas por ela como infelizmente se vê.

    Concordo 100% consigo.

  2. Boa tarde Catarina!

    Eu não conseguiria dizer melhor, concordo a 100%. Continue a escrever com a qualidade a que nos habituou, a qualidade de escrever com o coração.

    Uma questão que não tem nada a haver, pode dizer onde tem feito as suas tatuagens? Quero fazer as minhas mas não sei de nenhum sitio de qualidade. Obrigada e Beijinhos**

    A felicidade fica-lhe tão bem 🙂

  3. E caso para dizer, parece mentira, mas afinal é mesmo a nossa realidade, não nos espantemos então que a licença de parentalidade em Portugal não preveja os seis meses para a mãe , quando a oms recomenda a amamentação exclusiva até aos seis meses do bebe!!
    Parabéns pela crônica e por abordar este tema tão importante e parece-me actualmente tão pouco debatido!!

  4. Vou trabalhar daqui a 27 dias. A minha bebé terá 5 meses. É amamentada, e gostaria de manter assim enquanto ela quiser. Infelizmente vai ter de começar a comer sopinhas e papas mais cedo do que eu gostaria (6 meses) porque eu vou trabalhar.
    Não é o maior problema do mundo, mas é pena, quando a OMS recomenda 6 meses de aleitamento exclusivo e depois temos uma licença inferior.
    Ainda pensei na licença até aos 8 meses, mas com 25% do salário não dá ( tenho 3 filhos).
    Mas é o que temos, e comparando com muitas situações 5 meses de licença já não é nada mau.
    E vou aproveitar ao máximo as minhas 2 horas diárias para amamentação.

  5. Como eu me revejo neste post… Também sou mãe e quando estive de licença de amamentação, e tal como a a Sra. Magda ( e concordo com ela) também tive de introduzir as papas, a sopa e o leite artificial mais cedo do que queria para que ela pudesse ir para o Bercário e eu ir trabalhar. Óbvio nada feliz, porque acho que nenhuma mãe quer deixar os seus bebés com 5 meses entregue a “estranhos” (sem ofensa para todas as amas e educadoras deste país). E o pior foi a minha entidade patronal na altura, não ter entendi os meus direitos como mãe pelo fato de não ter querido trabalhar no horário nocturno ( como está estipulado na nossa Lei, eu não sou obrigada a fazê-lo) e assim me terem despedido. E ainda pior e o que mais me indignou foi a minha entidade patronal ser também mãe…acho que não vale a pena teçer mais comentarios

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