as marcas que ficam

 No facebook, Shakira é criticada pelas estrias que mostra na barriga. Não entendo. Olho para a minha barriga e estão lá todas: as marcas do peso que ganhei, as marcas do peso que perdi, as testemunhas das barrigas que carregaram os meus filhos. São marcas que ficam. Puderei treinar e ter uma barriga lisa mas as marcas daquilo que passou pelo meu corpo estão lá para sempre. E ainda bem.

 Mentiria se dissesse que sempre gostei das imperfeições da pele. Em miúda detestava cada cicatriz das minhas pernas, aquelas que o meu tom claro de pele insistia em tornar demasiado evidentes. Achava mesmo que nenhum rapaz gostaria de mim por causa disso. Hoje gosto das marcas das quais consigo contar a história. Sei que que julguei conseguir voar quando abri um rasgão enorme na perna direita, sei explicar que sou uma desastrada nos meus joelhos, e sei que pesava 90 quilos quando a pele da barriga que guardava o meu filho mais novo cedeu.

Passamos tanto tempo centradas nas nossas imperfeições, as coisas minúsculas que apenas nós conseguimos ver, transformam-se em monstros gigantes que tomam conta de nós. Como se um pelo perdido nos tornasse num enorme urso pardo. Ou aquela zona que tem celulite e que nos torna um pacote de manteiga.

Dizem, e eu confirmo, que forma mais eficaz de treinar é estarmos focados nos músculos que queremos trabalhar. Eu acrescentaria que a melhor maneira de nos sentirmos bonitas é um enorme sorriso e o pensamento no que somos e mais gostamos. E que as marcas que guardamos sejam as maravilhosas histórias que temos para contar.

[Sobre esta mesma palavra – marcas – vale a pena ler este post.]

12 comentários em “as marcas que ficam”

  1. <3

    São marcas de vida.

    ainda à poucos meses assustava-me ver tantas estrias nas pernas no meu corpo de apenas 25 anos…ainda sem filhos, sem vida de "crescida" e responsabilidades de impor respeito. Foi um corpo que viveu muitas perdas e ganhos, e saiu vitorioso. Foram pernas desportistas que desenvolveram um gemeo de grande destaque para a minha pele tão pouco elástica. Hoje são só marcas de vida..hoje gosto muito da minha barriga definida (que antes jurava detestar para todo o sempre…quem diria que a adoro tanto como adoro hoje!?).

    Está perdoada a minha pele nada elástica e extra extra seca, assim como o estica encolhe…são marcas…são vida. E a pele hoje é mimada com óleos quer de bebé aloé vera quer de cheiro cítrico energizante…porque merece, as marcas não tem culpa, a pele não tem culpa de ser tão seca, o peso…aconteceu o que aconteceu porque "teve de ser" por alguma razão a vida foi o que foi…levou-me a quem sou hoje, e se tiver sido por isso..arrependimentos não valem, vale sim a aprendizagem de um longo processo.

    merecem assim amor as marcas, assim como a barriga definida merece treino, comida saudável e orgulho nela 🙂
    As cicatrizes nos joelhos são marcas de muito desporto e criança depois adolescente sem medo de se atirar para o chão de patins, ou fazer mortais na ginástica. são aquela marca da coragem de "menina" destemida de quando o mundo era tão simples.

    :* beijo grd!

  2. O post mais bonito que aqui li até hoje. Marcas e estrias também as tenho e sem filhos. São as marcas da obesidade e da posterior luta contra a mesma: 30 quilos perdidos num ano e 20 posteriormente recuperados por motivos poucos felizes. A luta recomeçou e já há novas marcas que resultam de novas vitórias 🙂

  3. Eu tenho uma cicatriz enorme no braço direito. É feia eu sei, muita gente não consegue olhar pra ela. Mas ela faz parte de mim e quando olho para ela lembro-me da altura em que a fiz e o motivo porque a tenho. e só eu sei o orgulho que tenho ao olhar para ela. Aquela fase está ultrapassada, eu consegui! Nunca pensei conseguir e consegui. Para muita gente a minha cicatriz é uma coisa feia, para mim é a prova de que eu consigo ultrapassar obstáculos que nunca pensei conseguir ultrapassar e por isso não vou fazer plástica nenhuma. Ela é a minha marca de guerra, da guerra que travei contra uma doença que venci =)

  4. A fotografia está maravilhosa. Sobre as marcas creio que muitas vezes, só confrontadas com outras piores, olhamos as nossas de outra forma, quase agradecendo e finalmente aceitando…Fazem parte de nós, quer sejam de crescimento, maternidade ou doença. Bombardeadas com imagens alteradas, publicidades enganosas e corpos utópicos, olhamos a nossa pele com desilusão. A pressão de ficarmos rapidamente com um corpo maravilhoso, depois de uma gravidez, tem sido assustadora. Quer-me parecer que somos exigentes demais…a mudança quer-se por dentro, pela saúde como primeira prioridade, com calma e serenidade. Esta foto transmite-me muito essa forma de encarar a vida.

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