[ter tempo…]

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Diz-se que tempo é dinheiro. Eu confirmo. 
O desemprego deu-me a possibilidade de viver com tempo. Se por um lado acompanhar o crescimento dos meus filhos é, emocionalmente, impossível de traduzir num valor em euros. Por outro, ter tempo traduziu-se, de facto, em poupanças reais. Ando quase sempre a pé, não faço refeições fora de casa (exceção feita para momentos de festa), faço compras diárias sem desperdício e com atenção aos descontos e promoções, não pago qualquer tipo de ATL ou prolongamento de horário porque vou buscar o meu filho grande à escola cedo, tenho o meu bebé comigo o que, para além da poupança na escola, se traduz numa poupança em médicos e farmácias (porque o poupo as doenças de infantários). E, como tenho contado, com tempo posso arrumar a casa vezes sem conta e encontrar tudo o que pode ser vendido em site ou feiras de 2ª mão e render uns dinheiros extra.
E se não é linear que dinheiro traz felicidade (embora ajude muito), ter tempo dá muita qualidade de vida.
Dar tempo em troca de dinheiro poderia ser uma solução justa e interessante: com a o aumento de impostos sobre o rendimento e respectiva diminuição nos salários todos os trabalhadores ganhariam o direito a um dia livre por semana. Ou a entrar umas horas mais tarde, ou sair umas horas mais cedo.
Um dia em que pudessem ser mais felizes. Mais horas de sono, mais mimo, mais calma. Ir buscar os miúdos à escolar, fazer as coisas de que mais se gosta, marcar uma consulta, resolver assuntos pendentes, contar histórias aos filhos, ouvir histórias dos pais ou dos avós ou, simplesmente, ficar sem fazer nada.
Mas o meu sonho de felicidade construída com tempo esbarra nessa linha abaixo da qual nenhum tempo compensa o dinheiro que não se tem. De que serve o tempo se for buscar o filho mais cedo à escola e não tiver dinheiro para lhe dar jantar? De que serve o tempo para ir as compras com calmas se não existe nenhum dinheiro para gastar? De que serve o tempo para organizar as ideias se a cabeça estiver totalmente ocupada pela angústia das dívidas?

6 Comentários
  1. Carla R. says

    Tempo é muito mais que dinheiro. Mas sem dinheiro não se vive. Tem que se mudar o sistema. Não ha volta a dar.
    Gostei mesmo muito deste post.

  2. rosa ramos says

    Eis um tema muito concreto e real dos nosso tempos…a falta de tempo e o tempo que nos falta para sermos felizes. E claro, nada se faz sem dinheiro…infelizmente!

  3. vidasdanossavida says

    Gostei muito, como gosto sempre dos seus posts.

  4. Patrícia Lencastre says

    Fiquei tempo demais sem visitar o teu blog (não porque tivesse deixado de gostar mas porque estava nos favoritos de um computador que fiquei mais de 1 ano sem usar e porque entretanto me esqueci dele)e hoje voltei a encontrá-lo e a devorá-lo. Não tenho uma explicação simples mas é como se fosses ou pudesses perfeitamente ser minha amiga. E assim sendo, gosto de ler-te.
    Parabéns pelo A. !

    http://shortstoryoflifeandstyle.blogspot.com

  5. Aline r says

    Esse tempo é precioso. Mas o tempo requer também disponibilidade mental quando se está desempregado. Eu adoraria ter mais tempo para o meu filho, mas seria perseguida pelo pânico de não conseguir pagar as contas. Mas é como dizes no post acima relativamente à felicidade, quem trabalha não vive também nesse sufoco? Vive e ainda vive mais por não conseguir dar tempos aos filhos. Parabéns. consegues gerir a tua felicidade muito bem. Sei que os teus filhos ajudam e fazem toda a diferença. Beijinhos (adoro o teu blog. Escreve mais vezes)

  6. A Bomboca Mais Gostosa says

    Adorei o post, adoro o blog e adoro-te a ti. Muitos parabéns. Vais para o meu blog 🙂

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