O medo da separação quando há filhos…

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– Quando a primeira relação com filhos falha há aquela sensação do acabou. É o medo da separação quando há filhos…

– As coisas estão diferentes em relação aos filhos, as separações e quem fica com os filhos, mas ainda não são iguais ainda de modo nenhum, ainda demoram algum tempo a serem iguais. As mulheres são penalizadas pelo facto de ficarem com os filhos depois das separações. Dificulta-lhes muitas vezes o conhecer novas pessoas. Depois são um pouco isoladas socialmente pelos casais porque uma mulher sozinha é um risco para as outras mulheres que não confiam nos maridos. Mas, isto é uma brincadeira, mas existe. Eu falo com muitas mulheres separadas e vivem isso. 

– Eu vivi isso muitos anos…

– Depois como vocês sabem, na terminologia masculina: As mulheres com brindes e sem brindes. E portanto com brindes querem dizer que têm filhos de outros e portanto qualquer hipótese de relação que não seja apenas… pode ser de amor, mas que seja uma relação cada um em sua casa. Para além da questão daquilo que eu chamo, peço desculpa pela expressão, mas é o que eu chamo, uma expressão um bocadinho dura que é o mercado dos usados. O mercado dos usados  é muito mais penalizados para as mulheres com idade do que para os homens. 

– Isso leva-nos a várias questões mais interessantes que não são do amor. 

– Pois mas complicam muitas vezes a aproximação. Porque o amor não nasce assim do nada. Quando nós somos adultos muitas vezes o amor nasce de uma relação que começa por ser quase só física e depois nasce ou não nasce o amor. Na relação física o mercado de usados penaliza mais as mulheres, porque os homens acham que uma mulher tem de ser, muitos homens, não todos, muitos homens acham que uma mulher tem de ser fisicamente, tem de ter lá um estereotipo qualquer, não é…

– Mas as mulheres também se auto-penalizam, nesta realidade da separação quando há filhos, porque muitas mulheres quando têm filhos acabam por ser quase reféns daquela relação. Viverem apenas para os filhos. De não conseguirem ver nada para além dos filhos. Porque é que as mulheres fazem mais este processo? Mesmo com relações estáveis.

– Eu posso dar várias explicações mas de facto, não queria falar de instinto maternal que é uma coisa muito discutível mas o facto de vocês mulheres terem andado com o filho na barriga nove meses, muda, é diferente de nós quando um filho nasce. Isso será sempre assim. A relação de protecção de cedência a algumas chantagens que os filhos fazem, etc… é completamente diferente nas mulheres e nos homens, eu estou a dizer isto como generalidade, nem sempre é assim como é óbvio. Uma mulheres se tiver de escolher entre  os filhos e o novo companheiro a maior parte das vezes, para não dizer quase em todas, escolhe pelos filhos e desculpem-me a expressão: o companheiro lixasse, se há problemas. Se há conflitos. Há excepções a isto. diga-me quantas mulheres conhece que deixaram os filhos sozinhos ou com o pai para irem viver uma relação de amor. Muito poucas. Muito poucas fazem isso. 

– Mas em termos de esperança. Essa essa era um bocadinho o que estávamos a falar, de facto é possível viver um amor romântico e erótico aos 70 anos.

– Completamente. Completamente….

Ouviram este episódio do podcast com o Prof. José Gameiro? Falamos de muitas coisas e da separação quando há filhos.

E leram este texto?

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