Relações

Quem quer casar seja lá quem com que for?

quem quer casar

O amor pode ser encontrado em qualquer lugar. Sem preconceitos. Já sabem que penso dessa forma ou não tivesse conhecido o homem com quem casei através do Tinder. Podem ver tudo neste vídeo. Quem quer casar pode escolher na festa da aldeia, no grupo de amigos, num encontro de solteiros, na aplicação da internet ou mesmo num casamento combinado (consentido e decidido).

Talvez por pensar desta forma tenho tido total abertura para ver os formatos de programas de televisão que afirmam ter este objectivo: ajudar as pessoas a encontrar o amor. Mas, televisões deste mundo, é preciso ser inteligente. Mais importante ainda: é preciso ter valores e ajudar na evolução (e consequente abertura) das mentalidades, não o contrário!

Escrevi sobre a versão inglesa do programa The farmer wants a wife ou quem quer namorar o agricultor? há umas semanas. Detestei a colocação das mulheres naquele ambiente de luta pelo macho. Era exactamente o contrário daquilo que tanto falamos sobre fomentar o apoio entre as mulheres. E tudo aquilo com que não concordo em colocar o homem numa posição machista (ainda que alguns nem o fossem). A versão espanhola já tinha mulheres a escolher homens. Pensei que isso melhorasse a forma como via o programa mas continuei a não gostar daquela coisa de não sei quantos cães a um osso. Os adultos são livres nas formas como se relacionam desde que seja com consentimento e respeito.

Ontem estrearam dois novos formatos nas televisões portuguesas. Coisas de “quem quer casar”. Foi mau. O Dia da Mulher foi há 48 horas. Insistimos no direitos, na mudança de mentalidades. Estamos desde o início do ano, pelo piores motivos, a falar consecutivamente nos direitos das mulheres. E depois, num programa de entretenimento que pode chegar a milhões fazemos exactamente o contrário. Os homens são os filhinhos da mamã que não sabem fazer nada e as mulheres servem para cumprir um papel serviçal. Os homens são os machos alfa e as mulheres lutam para agarrar um.

E assim, numa noite de domingo destruímos as conversas sobre solidariedade feminina, sobre a força de ser mulher, sobre a divisão de tarefas, sobre o fim da noção do homem como dono e senhor da mulher.

Para mim, destruímos até a beleza de um grande amor.

 

Comentários (5)

  • Concordo plenamente com esta postura face a tais programas, o que mais me custou ver é que são apresentados por mulheres (salvo o erro). Mulheres da nossa sociedade que são influencers e que até têm demonstrado valores íntegros e éticos. Custa-me ver esta incoerência, em dizermos uma coisa e fazermos uma coisa na vida pessoal e outra na vida profissional. Não era suposto ensinarmos que a integridade nos deve acompanhar em todas as áreas da nossa vida? Sim isto dói.

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  • Porque no fundo, bem lá no fundo, quem deita por terra todas as boas intenções conducentes à libertação total da mulher, muito ao invés daquilo que a feminilidade pensa não é o homem mas sim a mulher.
    Todas muito amigas e compreensíveis entre elas, muitos beijinhos e palavras bonitas trocadas, extrema solidariedade animadora: “Deixa lá querida, é um insensível. Quem fica a perder é ele porque tu mereces muito melhor!” E por aí adiante como um rio derramando mel…até que. “Que raiva! foi logo agora usar aqueles sapatos que nem os sabe usar e ficavam bem melhor a morarem cá deste lado. Cabra!” 🙂
    Então o Universo feminino é assim.
    É muito comum certas raparigas pensarem que a melhor amiga de uma rapariga é um rapaz. Falso, pensam mal.
    A melhor amiga de uma rapariga é sempre uma rapariga.
    Mas se quiseres ser sempre muito feliz toda a tua vida, nunca vás comprar roupa para ti, com ela, nem nunca vás com o teu namorado ao cinema com ela, se ela estiver solteira. :)))

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  • A televisão portuguesa no seu melhor a destruir em vez de construir… infelizmente está a ir na direcção do que a grande parte da população pensa e lhe agrada, porque, infelizmente, ainda estão formatados para tal.

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    • Senhora Emmanuella Quinta.
      Antes de mais os meus respeitos e desculpas por interferir no seu comentário, mas penso que erra na sua análise acusatória à TV portuguesa, que, pressupõe ser a TV o cancro pernicioso inibidor da libertação feminina.
      Quem destrói, e está bem consciente do que faz porque burras não são, é a funcionalidade feminina que lá labuta simplesmente porque se por um lado fora do serviço se insurgem e barafustam contra o agrilhoamento feminino, lá dentro conta incomparavelmente mais o estatuto e salário do que qualquer sentimento solidário à causa, isto por outro.
      E salve-as e salve-os Deus porque não há distinção de género, disso está o mundo cheio. Na minha perspectiva chama-se a isso, pelo menos eu chamo; ir com os da feira e vir com os do mercado.
      Todos nascemos verdadeiros, todos morremos mentirosos.
      Os meus cumprimentos e reitero as minhas desculpas

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  • Também conheci o meu marido no Tinder 😂😂😂😂

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