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Porque é que eu detesto os dias especiais todos?

dias especiais

Estava eu preparada para escrever um post sobre porque não gosto do Dia dos Namorados quando pensei “caramba, Catarina, tu detestas os dias especiais todos”! As pessoas vão achar que és uma implicativa. Pronto, se calhar têm razão. Mas eu vou fazer uma lista e provar-vos que até gosto de alguns dias festivos.

Ora vamos lá ver isto:

1 de Janeiro, Ano Novo. 7/10

Nunca sou grande fã de dias em que me obrigam a comemorar, assim no geral. O Uber fica muito mais caro porque ainda há pessoas a voltar da festa. Há imenso trânsito porque as pessoas estão a voltar. Quase sempre corresponde a uma preparação de retorno à rotina dos miúdos. Quando andava na escola significa que ia andar vários dias com o corrector atrás porque me enganava a escrever a data. Começa o mês mais longo do ano. No entanto adoro aquela ideia dos balanços e resoluções. E ainda há rabanadas do Natal.

 

14 de Fevereiro, Dia dos Namorados 9/10

Detesto peluches. Detesto arranjos florais. Detesto jóias. Detesto balões em forma de coração. Detesto cupidos e flechas. Jamais, em toda a minha existência iria andar a fazer uma marcação especial para ir jantar fora. Os meus níveis de romantismo são inversamente proporcionais ao meu amor pelos dias-especiais.

Mas, e isto é um mas muito importante: São Valentim tem uma história muito bonita.

O imperador Cláudio II, durante seu governo, proibiu a realização de casamentos em seu reino, com o objetivo de formar um grande e poderoso exército. Cláudio acreditava que os jovens, que não tivessem família, ou esposa, iam alistar-se com maior facilidade. No entanto, um bispo romano continuou a celebrar casamentos, mesmo com a proibição do imperador. Seu nome era Valentim e as cerimónias eram realizadas em segredo. A prática foi descoberta e Valentim foi preso e condenado à morte. Enquanto estava preso, muitos jovens jogavam flores e bilhetes dizendo que os jovens ainda acreditavam no amor. Entre as pessoas que jogaram mensagens ao bispo estava uma jovem cega, Artérias, filha do carcereiro, a qual conseguiu a permissão do pai para visitar Valentim. Os dois acabaram apaixonando-se e, milagrosamente, a jovem recuperou a visão. O bispo chegou a escrever uma carta de amor para a jovem com a seguinte assinatura: “de seu Valentim”, expressão ainda hoje utilizada. Valentim, depois da condenação de morte, foi decapitado em 14 de fevereiro de 270.

 

Carnaval 10/10

Culpem os ovos podres que me atiraram à cabeça quando era adolescente. Culpem as guerras de balões de água no frio do inverno. Os meus sustos com estalinhos. E o cheiro das bombinhas. Culpem o meu medo de palhaços e a minha implicância com os fatos de princesas. Culpem os desfiles a imitar o Brasil. Culpem a cachaça é água. Culpem o que vocês quiserem mas Carnaval não dá mesmo. É que nem sequer há comida típica para compensar a desgraça.

 

Dia Internacional da Mulher 1/10

Dia importantíssimo. Este dia serve para sinalizar e reforçar a importância da luta pelos direitos das mulheres. E sim, ainda não são os mesmo que os homens. Percebe-se nos salários, na forma como são geridas as logísticas domésticas. E em assuntos da máxima gravidade como os números da violência doméstica ou a postura da justiça perante a violação.

Aquele (1) serve para dizer que detesto que transformem este dia numa razão para prendas.

 

Podemos seguir esta linha de pensamento para datas como:

25 de Abril , 1 de Maio, Dia do Trabalhador ou 1 de Junho, Dia da Criança 

São dias especiais pelas lutas que representam. Dias que vão muito para além do especial. E devem ser marcados pela consciência do que representam.

 

O mesmo para os dias religiosos importantes para quem os comemora. Estão fora da minha lista porque respeito os valores de cada um.

Mas fiquem a saber que o 13 de Junho, Santo António e 24 de Junho, São João, são dos dias-especiais que mais gosto.

 

Sobre o Dia da Mãe e Dia do Pai tenho sentimentos contraditórios. Ainda não percebi muito bem para que servem. Prendas e compras dispenso sempre. E acho que, cada dia mais, mas escolas, são dias para serem tratados com muita delicadeza. As famílias são compostas por tantos ramos, tantas ligações, com e sem sangue, que isto da mãe e pai pode ser redutor.

 

E depois o Natal. Que leva um 5/10 pelo respeito pelo feriado religioso e um 9/10 em tudo o resto. Podem ler tudo neste post.

Não é um 10/10 porque há muitas memórias gastronómicas desta época.

 

Fiquem a saber que recorri a uma calendário para ver os dias – porque esqueço sempre mais de metade dos tais dias especiais.

Fazendo as contas: eu não detesto os dias especiais todos!

 

 

 

 

 

 

Comentários (1)

  • Catarina, compreendo perfeitamente e só há pouco tempo consegui perceber porque não gostava da passagem de ano, porque torcia o nariz a rosas vermelhas e porque achava uma parvoíce comemorar o primeiro dia de namoro. Não gosto de obrigações, tenho um bichicnho da contradição que me obriga a olhar de lado para todas as datas comemorativas e não gosto de ter um dia em que tenho que virar a página. Agora por cá, nos Açores, há uma razão para se gostar do carnaval: os doces da época. Tens que vir cá provar as nossas filhoses que só se comem nesta altura do ano! 🙂 beijinhos

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