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Carta de amor à pimba que existe em mim

pimba

Eu fui adolescente em Almada. A banda da minha vida eram (e são) os Faith No More depois de ter morrido de amores pelo Nuno Bettencourt (e ter passado a assinar Beatto, assim com dois t). Com uma breve passagem por um som mais pesado e uma eterna paixão pelo rap. Em casa ouvia-se música de intervenção e íamos à Academia ouvir todas as orquestras mundiais.  É verdade, vive uma (b)pimba em mim. Sem vergonha nenhuma.

Ao domingo saia de casa para ouvir a banda dos bombeiros (e assim fiquei para sempre encantada por todas as bandas filarmónicas). Todos os meus gostos conviviam com as cassetes do Roque Santeiro, e todas as novelas brasileiras de quem tenho memória. Depois conheci Caetano, Tom Jobim, a Adriana Calcanhoto e a Maria Monte. E todos conseguiram viver com a rádio que passava Anjos e Paulo Ricardo (e aquele CD dos Só Pra Contrariar que ouvi tanto que se estragou).

Vou ao fim do mundo ouvir Nouvelle Vague e vou ao pavilhão atlântico para ver o Tony Carreira. Sei de cor todas as letras do Zeca Afonso mas não falho nenhuma em qualquer repertório do bailarico da aldeia.
E gosto mesmo muito da (b)pimpa que vive em mim.

Cresci (e isso só posso agradecer aos meus pais) sem medo nenhum da opinião dos outros. Tive o privilégio de viver a infância e a adolescência com vários grupos de amigos, em diferentes ambientes, capazes de do mais pesado heavy metal ou do Quim Barreiros mais brejeiro. Tive a imensa sorte de passar dos verões em campo de férias onde tudo começava do zero: amigos novos, conversas novas, sem preconceitos.

Às vezes, quando estou a cantar a kizombada da moda ou o último sucesso do Toy, o meu filho adolescente refila: “como é que tu és a mesma pessoa que gosta de Faith No More?”. Sou eu.

Quero que os meus filhos cresçam na certeza que podemos ser ecléticos nos nossos gostos e coerentes com os nossos valores. E quero que os meus filhos cresçam sabendo que a música que ouvem, ou as cores de quem gostam, não define os amigos com quem podem estar. Eu adoro a (b)pimba que há em mim, tanto como adoro a outra, a quase intelectual (porque nunca chego a intelectual por inteiro).

 

Algum pimba assumido por aqui?

Comentários (2)

  • Parece que me vi ao espelho neste texto… Aliás, já via a minha infância ao espelho em muitos dos seus textos, o que me conforta sempre! Conheço de cor e aprecio obras sinfónicas, gosto e “consumo” jazz, MPB e as intemporais músicas dos nossos cantores de intervenção, mas… Não há festas de amigos sem cantamos as Baleias do Roberto Carlos, conheço de cor o reportório completo dos bailes e adoro um bom bailarico! Partilho com alguns amigos este gosto, a que chamamos “o culto”! E a Catarina, sem dúvida, tem o culto!!!

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  • Ah credo, tão eu!
    É um gosto tão variado de gostar muito de Nouvelle Vague mas ao mesmo tempo vibrar com Toy – inexplicável. haha.

    Ana C, http://www.adreamersland.com
    http://www.facebook.com/adreamersland

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