Pequeno mas importante esclarecimento

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A propósito deste post recebi algumas mensagens dizendo que estava a desprezar a relação, por exemplo, com um filho adoptivo, ou o papel de uma verdadeira madrasta ou seja, alguém que cuida um filho que já não tem mãe. Importa fazer um importante esclarecimento.

Não podendo falar daquilo porque nunca passei, tenho a certeza (nunca absoluta) que:

 

Um filho adoptivo é um filho nosso. Escrevi sobre o embate numa relação quando existem os meus e os teus. Um filho adoptivo é igualmente carnal porque é um projecto nosso, um desejo nosso, um parto com outros contornos. Quando falo do cheiro, do acto de parir, não falo apenas em termos literais mas também metafóricos. Nem essa distinção me passou pela cabeça. Um filho adoptado é um filho. Ponto.

 

Acredito que quando uma mulher recebe um homem com um filho sem mãe existe uma espécie de adopção. Diferente porque primeiro surgiu a paixão por aquele homem e só depois aquele filho, mas existe outro tipo de relação porque nunca estamos a contrariar a posição da mãe. É uma função que vamos adquirindo.

 

Seja como for, se até a relação com cada um dos nossos filho é diferente e um desafio, receber os filhos da pessoa por quem somos apaixonados ainda mais. E repito aquilo que escrevi: poderá vir a ser um amor ainda maior.

Mas há um facto: depois de uma separação as relações que se mantêm entre “enteados”, padrastos e madrastas são mínimas. Na verdade quase inexistentes. E aí acrescento: infelizmente.

Fica o pequeno mas importante esclarecimento.

 

 

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6 Comentários
  1. Bárbara says

    “Mas há um facto: depois de uma separação as relações que se mantêm entre “enteados”, padrastos e madrastas são mínimas. Na verdade quase inexistentes.” – a minha ex-madrasta e o meu pai divorciaram-se há mais de vinte anos. Há dez anos foi a minha madrinha de casamento. Faz parte de todas as celebrações da minha vida (mesmo que tanto ela como o meu pai estejam actualmente com outras pessoas). Sou madrinha da filha dela com outro homem. É da minha família. É uma das minhas “casas”. Tenho padrasto também e a certeza infinita de que se se separasse da minha mãe, continuaria a fazer parte da minha vida. Não acredito que eu seja um caso num milhão, acredito sim que a sociedade está formatada para acreditar que morre tudo por ali quando há uma separação. Os laços criam-se quando há amor – pode nem sempre haver, é certo – e se há amor, não têm que ser quebrados.

    1. Catarina Beato says

      Que bom, que bom mesmo.

  2. Isa says

    O amor pode existir mas, como tudo tem de ser cultivado, alimentado de alguma maneira, aho normal haver um afastamento, acho normal não haver afastamento nenhum, acho normal ao que nos acontece na vida. O que importa é o amor que sentimos, o bem que desejamos… Se puder ser partilhado, demostrado…tanto melhor!
    O que não é normal é julgar o outro por não termos experimentado os mesmos aromas e sabores…isso não acho normal.
    Beijos e um especial a ti!

  3. Maria Morais says

    Olá, Catarina,
    Apesar de adorar as suas crónicas, queria saber onde comprou esse sofá, que é lindo e aparenta ser muitoooooo confortável!
    Grata;-)

    1. Catarina Beato says

      Estávamos na Herdade da Matinha.

      1. Maria Morais says

        😉

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