Vida Saudável

As (minhas tentativas) soluções para a compulsão alimentar

soluções para a compulsão alimentar

Como vos dizia, entre Agosto e Março engordei 8 quilos… E reparem que a questão nem estava na imagem deste número porque, como treino, não os sinto da mesma forma. E, mais importante ainda, os números das balança dizem muito pouco sobre o corpo. A mim diziam apenas: “tens a compulsão perfeitamente descontrolada”. E soluções para a compulsão alimentar???

Eu consigo comer quantidades absurdas de comida. Que não descrevo porque não interessa. Queremos o contrário disso. E, principalmente, passemos do problema para as tentativas de solução. Existem soluções para a compulsão alimentar? Existem mas custam a encontrar.

A compulsão alimentar exige acompanhamento psicológico, seje em formato de coaching, psicólogo ou mesmo pscinálise. Existem poucas pessoas especialistas capazes de actuar neste transtorno alimentar. Em Portugal conheço a Filipa Jardim da Silva (releiam este texto).

Existem outras terapias que podem ajudar. No meu caso, treinar no lugar certo (com motivação e acompanhamento para que as hormonas estejam a nosso favor e não contra nós) e apostar na meditação tem sido fundamental.

É preciso também acompanhamento médico para que se possa perceber se está tudo cá dentro. Somos seres feitos de muitos pormenores que podem influenciar estas coisas. Sem vergonha, sem medo, falar disso e pedir análises.

E por falar em questões físicas que influenciam tudo: um dos maiores amigos da compulsão (e nosso inimigo) é o sono. É muito difícil controlar a compulsão em situações severas de défice de sono.

A compulsão alimentar precisa de uma rede de apoio consciente. Não podemos oferecer um copo de vinho a um alcoólico em tratamento. Pois bem, também não oferecemos um doce ou uma batata frita a alguém que sabemos ser compulsivo. Porque nunca será uma batata ou uma bolacha. Com tempo, em alturas mais calmas, isso será controlável, mas no início não.

Existe dezenas de gatilhos para a compulsão e cada pessoa tem que ter calma até encontrar a forma de alimentação que mais se adapta. Há mulheres que sujeitas a regimes muito rígidos e com a obcessão pelo corpo dão-se muito bem com a Dieta Flexível porque sentem que não estão limitadas e acalmam. Outras pessoas, como eu, precisam de manter os valores de açúcar estáveis e não estarem limitadas nas quantidades, por isso o Paleo funciona tão bem comigo.

Não existe uma solução.  Existem várias, pequenas e, às vezes, falham todas.

Mas existe algo comum: a culpa. E essa tem que ser resolvida.

Não somos fracas. Não somos falhadas. Nem temos que ter vergonha. Somos uma máquina a precisar de ser afinada. E não há problema nenhum nisso. E somos infinitamente bonitas nas várias formas que um corpo tem.  Só o queremos saudável.

 

 

Foto: Lia Rodrigues

 

Comentários (8)

  • […] A compulsão alimentar … Ver artigo completo no Blog […]

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  • Bom dia Catarina,
    Já a sigo há uns anos e sempre me identifiquei com estes posts que nem imagina!
    Eu sempre fui “gordinha”. Sempre! Nunca na vida tive o peso adequado à minha idade. Tive sempre mais quilos que os recomendáveis (umas alturas mais, outras menos, mas sempre em excesso). Sempre tive complexos com o meu corpo e sempre encontrei refúgio/conforto na minha gulodice extrema. Em jeito de brincadeira (e de desculpabilização junto de terceiros), comecei a dizer por volta dos meus 13 anos que o meu vício eram os doces, quanto mais não fosse para justificar o excesso de peso. Era (sou ainda) capaz de comer uma caixa de chocolates sozinha, ou um bolo acabado de fazer inteiro, entre muitos outros excessos. Tinha (tenho ainda) vergonha de admitir que ainda como às escondidas da minha família e fico cheia de culpa quando o faço. Mas faço-o de novo. À semelhança dos dependentes de álcool, droga ou tabaco, este vício é uma luta hercúlea e (na maioria das vezes perdida) da compulsão vs. nossa capacidade mental. A diferença é que só agora começa a ser levado a sério. E é serio!
    Há cerca de uns 2 anos tomei consciência (já era tempo!) de que tenho efectivamente um vício que só conseguirei “contê-lo” com ajuda. Sou fraca de espírito e não consigo seguir este caminho sozinha sem desvios. Por isso, no início deste ano, decidi recorrer à ajuda de uma nutricionista que sinto ser a adequada à minha situação (finalmente!). Não é demasiado restritiva e vejo resultados que (quase) não custam. Já lá vão 9 quilos e o regresso ao ginásio foi importante e imprescindível para ajudar. E já interiorizei que, mesmo depois de atingir os objectivos estipulados, terei que continuar sempre com “policiamento” porque é uma situação para a vida!
    Também acho que devia ser fundamental fazer algum tipo de terapia, mas a “bolsa” não dá para tudo e mais vale fazer alguma coisa que nada.
    Obrigada por estar desse lado!

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  • Parabéns por abordar um tema tão complexo e difícil de uma forma que gera empatia.
    Pedia-lhe só para corrigir o erro de português… (“grammar nazi” here!) É obsessão, com s; não é com c.
    Obrigada

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  • Nunca tinha pensado desta forma, mas depois de ler este texto, olho para trás e percebo exactamente o que se passa comigo.
    Ginasta desde os 6anos, aos 18 fui para a faculdade, mudei-me para Lisboa e parei totalmente de fazer desporto. Engordei 15kg no primeiro ano. Nunca mais os recuperei. 3kg para baixo, 5kg para cima; 2Kg para baixo, 4kg para cima…
    A frustração começou a crescer cada vez mais e o meu escape continuava a ser a comida: torradas com tulicreme, batatas fritas de pacote, toneladas de bolachas… E tudo isto se tornou uma enorme bola de neve.
    Hoje, quase 2 anos depois da Leonor nascer (tem 1mês de diferença da Maria Luiza) tenho ainda o mesmo peso de quando saí da maternidade: 83kg… e um desejo de perder 20kg para que no próximo ano possa dar um irmão à Leonor, numa gravidez mais saudável.
    Mas o impulso de comer às escondidas continua a ser mais forte…

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    • Olá Marta, identifiquei-me tanto agora consigo.
      Fui mãe há 3 anos (a caminho dos 4), dos 65kg – 70kg que tinha quando engravidei até ter a minha M, sai da maternidade com 83kg, até há dois meses atras mantive-me no registo dos 78kgs-80kg. Em dois meses engordei para os 85kg. E agora? O sono esse não existe mais do que 4-5h seguidas (e se acontecer é já uma noite boa!) porque a minha filha não deixa, apesar dar inumeras tentativas e trocas de rotinas.
      Sinto que o meu organismo não perde da mesma forma (muuuuuito mais lento) do que antes da gravidez aliado ao momento em que antes de engravidar também fazia desporto, por isso chegar ao peso não foi novidade.
      Se fizesse mais desporto, possivelmente iria ser mais rápido e a minha auto-estima iria subir (em 31 anos nunca fui magra, mas nunca cheguei a este peso), mas a realidade é que não tenho tempo e não digo isto como desculpa porque não o é, desde ao levantar às 6 da manhã, ao não dormir 5 horas seguidas, às porcarias que às vezes como (compulsão.. comer só por comer e “sentir-me bem” por segundos), trabalho sentada (o que também não ajuda!), chegar a casa e tratar de tudo (o marido trabalha por turnos), só me despacho para as 22:00H ou 23:00H. É dificil, Muito Dificil e desmotivante!

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  • Muito Obrigada Catarina! Faz tudo muito mais sentido agora. 🙂

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  • Olá, achei muito interessante a dica da meditação. Após várias tentativas de perder peso, e a compulsão alimentar, descobri que a meditação mindfullness que já tinha praticado há uns anos que estava a ajudar a fazer a dieta sem angústia e me trazia tranquilidade ao processo. Inscrevi me no ginásio e acho que ajuda a acelerar o ritmo com que se perde peso, assim como traz bem estar físico e mental. Mas só consegui começar a “fechar a boca” e não ter fome quando recomecei a praticar o mindfullness e a praticar a atenção plena a nmesmos e ao que nos rodeia.

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  • Olá, achei muito interessante a dica da meditação. Após várias tentativas de perder peso, e tentativas de controlar a compulsão alimentar, descobri que a meditação mindfullness (que já tinha praticado há uns anos e que inclusive fiz um pequeno curso prático sobre o tema) me estava a ajudar a fazer a dieta sem angústia e me trazia tranquilidade ao processo. Foi uma surpresa inesperada. Paralelamente, inscrevi me no ginásio e acho que me ajuda a acelerar o ritmo com que perco peso, assim como me traz bem estar físico e mental, mas por si so não me resolvia a situação. Efectivamente, só consegui começar a “fechar a boca”, reduzir quantidades ingeridas, e a não ter ataques de fome comendo alimentos pouco saudáveis (no meu caso detesto açucar, doces, e a compulsão está mais associada a hidratos de carbono e salgados) quando recomecei a praticar o mindfullness e a praticar a atenção plena a mim mesma, e ao que me rodeia, sem crítica, observando. No fundo é dar me mais atenção. Ajudou me a estar mais calma neste processo e na vida. Parabéns pelo post Catarina. Gosto muito de ler o que escreves e identifico me bastante com muitos textos. Abraço.

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