o meu diário

Supernanny da SIC e um mea culpa

Supernanny‬

Primeiro que tudo saibam que não vi o programa Supernanny‬.

Porque – actualmente – quase não vejo televisão – já tenho ecrans suficientes na minha vida e quando tenho tempo prefiro estar deitada a adiantar trabalho. Porque já conheço o formato porque vi episódios de outros países e não gosto. Na versão britânica sempre achei aquilo muito encenado, ao ponto de questionar a veracidade da coisa.

Não concordo com as bases da educação que, no geral, e segundo o que li, ali são dadas, apesar de reconhecer que algumas dicas poderão funcionar. Há casos e casos. Mas não acredito que poderíamos solucionar questões tão profundas de uma dinâmica familiar com uma intervenção pontual. Há alguém que acompanha aquelas famílias depois do programa?

Fui assistindo às reações no facebook e concluí que não veria. Assim como na questão dos haters, acho que quando já percebemos que é mau não devemos dar audiência. Como alguém escrevia ontem , talvez fosse mais inteligente optar por uma versão portuguesa de “Encantador de Cães” do que expor a intimidade de uma criança.

E agora vocês dirão com toda a razão: a Supernanny‬ tem “elevado risco” de violar direitos das crianças mas tu também expões os teus filhos!

De acordo com os meus valores, aqueles em que acredito, exponho a Maria Luiza com autorização do pai, o Afonso a pedido dele e o Gonçalo nunca. Aquela criança não queria parecer. Pedia para não aparecer.

E ontem não me saía da cabeça uma leitora que me mandou uma mensagem a criticar uma foto que pus de uma birra da Maria Luiza. Sim, a minha leitora tinha razão. Era um momento íntimo porque a Maria Luiza estava numa situação frágil. São conceitos e limites tramados estes da  intimidade e da exposição.

 

Apesar de todas as certezas que tenho e com as quais tento ser coerente, também tenho dias de dúvidas.

 

Foto: Lia Rodrigues

 

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Comentários (16)

  • não fosses humana…! um beijinho

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    • Concordo 🙂

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  • Eu vi e gostei a pesar de não concordar com o banco do castigo e de recompensas para bons comportamentos. Claro que a abordagem é superficial e não é a ideal mas dou por mim a pensar que o programa pode ajudar pessoas que têm problemas muito sérios de educação. Há pessoas que nem olham para os filhos, não brincam com eles e só se dirigem a eles para dar ordens, dar-lhes de comer e vesti-los. E são muitas famílias assim. E para estas, não será mais eficiente terem um programa de televisão que lhe dê algumas luzes para resolver problemas(mais ou menos duvidosas mas sempre é melhor do que a ignorância total) do que programas de televisão que não fazem mais do que estupidificar-nos completamente?
    Eu não consigo ver o programa como algo de maléfico e extremamente pernicioso. Acredito mesmo (porque conheço essas realidades) que muitas famílias podem ser ajudadas por ele.
    http://www.vinilepurpurina.com/super-nanny-portugal-vi-e-gostei-337824

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    • Carla, nenhuma ajuda vale esta exposição.
      Compreendo as mães/pais que em desespero recorrem a isto. Entendo a psicóloga a quem pagam para isto. Não entendo que uma estação de televisão, com pessoas (digo eu) pensantes, que têm a obrigação de pensar melhor, ponham no ar um programa destes.
      Isto é expor uma criança. Uma menor. Os adultos que falem da sua vida, dos seus problemas. Isto é colocar uma criança em perigo físico (se na TV é colocada no banco, na escola, no recreio, nas festas, também pode ser…) e emocional (pela exposição, pelo protagonismo, pela humilhação em horário nobre).

      @Catarina: quando há tempos falei na questão da exposição também era sobre isto que falava. sobre partilharmos imagens e aventuras e desatinos dos nossos filhos sem que eles nos autorizem, sem que eles tenham consciência do que significa “estar na rede”. Eles não têm. Nós temos a obrigação de ter. Pelo bem deles.

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  • […] Não concordo com as bases da educação que, no geral, e segundo o que li, ali são dadas, apesar de reconhecer que algumas dicas poderão funcionar. Há casos e casos. Mas não acredito que poderíamos solucionar … Ver artigo completo no Blog […]

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    • Tudo dito!

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  • Vi e não gostei, principalmente porque a menina anda na escola e as crianças são muito crueis, não terá a mãe um problema ainda maior para resolver agora?
    A mãe sem dúvida que precisa de ajuda, então porque não procurar uma psicóloga em vez de se submeter a ela e à criança e esta exposição, que para mim mim foi triste.
    Eu adoptei uma menina com 6 anos, adopção monoparental,agora tem 15 , e não foi fácil, mas desde os 10 anos que não a castigo nem lhe dou uma boa palmada, mas já tive do o fazer. Queixas? Não tenho, nem da escola, dos escuteiros ou Centro de Estudos, se fico feliz com isso, sim bastante!!!!!!
    Vá lá preguem-me na cruz!!!

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  • Catarina, gosto de si. Acredite que toda a parte que mostra sem meter os miúdos, acho que é uma pessoa resolvida, que é muito positiva, apesar de defender que a vida se resolve sozinha, a Catarina fez/faz muito para que ela se resolva. Mas desaprovo (e isto vale o que vale) totalmente a exposição de crianças, o Afonso não tem idade para entender a repercussão da exposição, e se um dia já não quiser será tarde demais. Em relação à Maria Luiza, ambos os pais concordam, ok tudo muito certo, mas a Maria Luíza irá concordar ou não, os direitos à privacidade dela não estão minimamente salvaguardados.

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  • Catarina, gosto imenso de si e de muitas coisas que escreve.
    Confesso que sempre me fez muita confusão a exposição em redes sociais de crianças, e com o seu caso não sinto diferente. Mas também sei que a Catarina publica aquilo que quer sem expor ao ridiculo os seus filhos. Um dia eles poderão decidir por si, tal como o Gonçalo o faz porque já é adolescente, se querem ou não continuar com essa exposição (ainda demorará uns aninhos).
    Quanto ao programa, vi apenas os ultimos 5 minutos porque calhou de mudar para a SIC nesse momento. Odiei o vi, a exposição daquela criança que tanta ajuda precisa, mas daquela e menos ainda daquela forma. A mãe do bocadinho que vi, precisa ainda de mais ajuda do que a filha… e essa ajuda teria de vir de alguém num ambito mais privado. Será que foi tido em conta que há todo um passado por detras daquela familia? Um divorcio dos pais, a morte de alguém, etc? Será que houve um real estudo do caso previo e um acompanhamento posterior???
    Confesso que estou chocada com o que tenho lido, mas mais chocada fiquei quando o vi anunciarem pela primeira vez. Temi pela vida e segurança daquelas crianças e até dos próprios pais. Mesmo que seja ensenado, é demasiado grave.
    Beijinhos

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  • Há muito tempo atrás eu fiz um comentário no Insta a propósito de uma foto da ML, não sei se é desse que se lembra, mas a verdade é que, passado um hora ou duas, apagou a foto.
    A Catarina escreve de forma bastante crua, partilha tanto coisas boas como más. Mas em algum momento em que nos conta que teve um dia péssimo, lhe ocorre pôr uma fotografia sua a chorar? Ou a discutir com o Afonso ou com o seu marido? Não o faz e suspeito que nunca o fará. Então porquê partilhar fotos de birras ou vídeos da criança a chorar? Não consigo mesmo perceber quem o faça..

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  • Nunca comentei aqui no blog, mas concordo com muita coisa do que foi escrito em cima. Não vi o programa, mas a respeito dos baby blogs penso que há uma sobre exposicão das crianças no geral. Os pais podem ter concordado, mas será que as crianças no futuro próximo vão gostar?! Eu sei que não gostaria, e os meus filhos também não…
    A Ml nasceu neste contexto, mas até que ponto vai gostar que tudo esteja na Net?! Dá que pensar…

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  • Acho que se estivéssemos mais ocupados com a nossa vida, não passávamos a vida a criticar a dos outros. Tantas críticas a esta mãe que achou que iria ajudar a sua filha indo a este programa. Alguém duvida, que ela pensou que estaria a fazer o melhor para a sua filha? Eu não duvido. E se ela achasse que ir a um psicólogo seria melhor, te-lo ia feito!
    Não há mães perfeitas… cada uma faz o que pensa ser melhor!

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  • Olá Catarina, gosto imenso da sua escrita. Mas a propósito deste tema, não compreendo que exponha os seus filhos, nomeadamente a Maria Luiza, dessa forma. É a forma que a Catarina considera aceitável. E é mãe e decide. Mas não deixa de ser um exercício de poder. Um exercício de poder sobre um ser que não tem livre arbítrio… E com toda a franqueza, é dificil não julgar.

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  • Aquela mãe, que não conheço, está a ser criticada por outras mães que expõem os filhos na internet e “fazem” dinheiro com os filhos. A coerência já teve melhores dias…

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    • O melhor comentário de todos, Sandra!

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    • concordo consigo, Sandra, de facto é muito fácil criticar os que se encontram em situações vulneráveis, ou seja, uma mãe com dificuldades económicas e que, pelo que percebi, está só. Aos outros, os que têm uma vida confortável e estão rodeados de gente, tudo lhes é permitido…(não concordando, no entanto, com a exposição das crianças, mas não vamos crucificar aquela mãe, que certamente estava desesperada)

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