Maternidade

chorar em momentos felizes [sem ser de felicidade]

chorar

foi muito bom ler todos os comentários ao meu desabafo no instagram. naquele final de tarde, com mais sono do que já é normal, depois do choro da miúda intercalado com uma má disposição do A. que gritava que queria vomitar, acordando a irmã que tinha acabo de adormecer, depois do choro, A. não vomitou e Maria Luiza voltou a adormecer, e eu deitei-me na cama e chorei. o Pedro veio ter comigo e o meu único pensamento era: “não me deixes porque com três com aguento sozinha”. imaginem isto soluçados entre lágrimas e um ar miserável. e meio envergonhada por estar a chorar.

depois passou.

as mulheres são umas guerreiras – com ou sem filhos – porque lidam com esta montanha russa das hormonas. as mães são umas guerreiras porque o corpo muda, muda para grande, volta a encolher, abre, fecha, produz alimento, as hormonas saltitam.

quando o fui mãe do G. tive um primeiro mês terrível, cheio de ansiedade [dizia que conseguia ver as bactérias no ar…]. quando fui mãe do A. assumi os meus medos, tive muito mais calma e nos meus momentos frágeis estava sozinha. estar sozinha pode parecer mais pesado mas tem um lado calmo: ninguém vê os nossos maus momentos. e quando ninguém vê é quase como se nunca tivesse acontecido. agora é tudo mais completo, mais apoiado, mas há medos novos. e este meu feito que acha sempre que ser frágil não é bonito nem agradável para quem está ao nosso lado. tontices, eu sei. daquelas que as hormonas tornam enormes, felizmente por pouco tempo.

obrigada pela partilha da normalidade em todos os comentários.

a quem passa por situações de depressão pós parto, não tenham vergonha de sentir tristeza num momento em que nos convenceram que temos que estar sempre gratas e felizes. procurem ajuda médica.

não faz mal chorar. até faz bem.

 

foto: Marta Dreamaker (não estou a chorar)

Comentários (13)

  • […] post chorar em momentos felizes [sem ser de felicidade] appeared first on dias de uma […]

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  • Por aqui também existem esses momentos (felizmente não são muitos).
    Tenho duas meninas – uma de 2 anos e meio e outra de 2 meses – e, um dia destes em que estava sozinha com as duas e a mais velha estava com uma birra descomunal, depois de uma semana menos boa que ela esteve doente, escondi-me na casa de banho a chorar por uns segundos. Sentia o meu cérebro a derreter. Estava mesmo à beira do colapso mental. Tive que pedir ao meu namorado para vir mais cedo para casa. Simplesmente não estava aguentar a pressão de ter um recém nascido sempre no colo ( a miúda só quer colo e mama e eu não a deixo a chorar no berço) e outra filha pequena a trepar por mim acima aos gritos.
    Quando o meu namorado chegou já estava tudo bem e é raro ter momentos tão tensos mas, esse em particular, deixou-me em baixo.
    Com três, imagino que existam momentos bem cansativos mas, lá está, olhar para eles nos outros momentos e ver o amor que têm uns pelos outros compensa tudo. 🙂
    Tens uma família maravilhosa!
    http://www.vinilepurpurina.com

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  • Eu chorei imenso quando o meu filho mais velho nasceu. A primeira semana foi terrível. Achei que a minha vida, MINHA, tinha terminado que a partir dali ia ser so dar de mamar e trocar fraldas. Não comia, não dormia… Foi muito complicado. Mas claro que com a ajuda da familia, do maridão e da minha querida médica que quando me viu percebeu logo o meu estado e me fez uma rápida intervenção, tudo se ultrapassou. Depois, com o segundo, já não houve tanto tempo para essas coisas, pelo menos, encarei-as de maneira diferente. Desespero mais agora passado ano e meio, do que na altura do nascimento dele.
    Beijos

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  • É possível chorar quando [supostamente] deveríamos estar felizes e dar todas as graças e mais algumas por ter-se um bebe saudável, sem problemas. Mas se não é o bebé que tem problemas é a mãe, e aí vai tudo dar ao mesmo porque mãe e bebé, bebé e mãe são como um só nos primeiros 2 anos de vida.
    Eu sofri de depressão pós parto nos dois partos, é tendencia genética não há nada a fazer, mas o primeiro foi pior, cheguei ao ponto de não só chorar como de gritar com um ser pequeno, de dizer que o odiava e pensar em mata-lo a mim e a ele. Sim, a depressão pós parto é um caso de saúde pública e é muito grave. Não tive a sorte de ter quem me desse a mão, a minha mãe estava a 200km e nem implorando ela veio para o pé de mim, o pai… O pai da criança era [e ainda é] um bebé grande, nem quis saber de nada a não ser da cria e do umbigo dele.
    Neste segundo filho também tive depressão mas foi mais ligeira, já sabia ao que ia! Então precavi-me logo junto com a minha psicóloga, e tudo vai indo bem, o pai é inexistente, literalmente [nem sempre há finais felizes] mas tenho aprendido que é possível ser feliz e ter filhos felizes mesmo com a experiência de depressão após o parto.
    Mas não é fácil, não é nada fácil…

    Beijinho
    http://www.blogasbolinhasamarelas.blogspot.pt

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  • É normal, Catarina. Depressão pós-parto pura e dura. Não há muito a fazer, é esperar que passe. Eu passei por isso há 21 anos, quando me nasceu a 2.ª filha. Do primeiro, estranhamente, não tive depressão pós-parto. ( Acho que foi do alívio de vê-lo cá fora, saudável e sem problemas). Mas da 2.ª foi trágico. Ela era um bebé amoroso, super fácil, comia e dormia, raramente chorava, dormiu sempre a noite toda, nem acordava para comer. E eu acordava-a para me certificar que estava viva. Dormia com ela em cima de mim para a sentir respirar. Claro que não dormia nada e passava os dias a dormir de pé, uma desgraça. Imaginava tragédias horríveis a acontecerem ao meu marido e ao meu filho mais velho. E chorava como se tivessem acontecido mesmo. Mas passou. Vai passar. Um beijinho.

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  • Obrigada pela partilha de sentimentos. Obrigada por me fazer sentir normal!

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  • Olá Catarina. Parabéns pela sua princesa! Também fui mãe há pouco mais de três meses. O meu pequenote foi o melhor que me aconteceu na vida mas foi também com ele que a minha vida mudou… e como mudou… Sou profissional independente e tive que retomar o trabalho cerca de oito dias depois de ser mãe. Para trabalhar tive que pedir aos meus pais que ficassem com o meu filho e isso implicou outra mudança: de casa; antes vivia a dez minutos a pé do trabalho, agora a uma hora em transportes públicos depois de vinte minutos de carro. Tento viver sem pensar muito e quando penso choro, choro muito. Tenho um filho maravilhoso, um marido que me apoia em todos os momentos e uma família que se desdobra para me apoiar e só assim consigo continuar a ser profissional, mãe, mulher e dona de casa. Mas as hormonas e todas as mudanças deixaram marcas e muitas vezes choro nem sei bem porquê… Imagino como será com três. Coragem e parabéns pela família fantástica que construiu!

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  • Da Mariana, que nasceu há três meses e meio, ainda não chorei… mas já tive algumas vezes à beira disso. Mentira! Lembrei-me agora que logo nos primeiros dias chorei a bom chorar à mesa, à frente do meu marido e filho de 10 anos, que não percebeu nada do que estava a acontecer. Mas dele, do Guilherme, chorei muito. Lembro-me de uma vez chorar, porque ele parecia um palhaço dentro das roupas que lhe tínhamos comprado, de tão pequeninho que era. A minha sogra teve que ir à procura de números zero. É assim… faz parte. Mas sorrir e rir… ahhhh muitas, talvez tantas quantas as vezes que olhava (e olho) para eles. Sorri o meu coração, a minha alma… e apaga-se da memória esses choros perdidos no meio das horas em que as hormonas sobem e querem fazer festa. Continuação de óptimos momentos, mesmo com lágrimas à mistura e desesperos românticos kkkkkk
    A Mulher do 31

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  • Foi um alivio ler este post. Tive a minha bebe em Maio, e ia dando em doida com as limpezas, é a primeira filha, tudo na expectativa de muita felicidade, e aparecerem os germes, a vontade de estar sozinha e a familia a querer participar em tudo… e eu a querer a casa limpa, os germes e todos longe… tem sido uma constante luta, em querer partilhar momentos com a familia mas nao todos, ou so alguns, e as vezes nada… era suposto estar feliz muito, e tenho chorado imenso…
    Pouco ou nada encontrei sobre estes tempos mais dificieis, por norma as bloggers so falam do lado bom, e de mau so se enomtram as noites mal dormidas, mas isso ja é um classico.

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  • É bom saber que somos normais!!obrigada por partilharem este sentimento…não me tinham dito que ia ser assim…só se fala de como tudo vai ser bom e diferente e bonito…ensinam nos nas aulas de preparação para o parto a distinguir os cocos,a dar banho,como dar de mamar…esquecem se de dizer que isto não se faz ou não se aprende de um dia para o outro, e que temos um baby dependente de nós do nosso estado de espírito do nosso corpo para viver…e que não é sempre fácil fazer isto tudo, que às vezes dar maminha não é fácil,que ela chora pq sim,que não vamos conseguir dormir direito nem 3h seguidas e que temos de estar de cara alegre…
    A minha baby vai fazer um mês,é linda e até posso dizer que é calminha…mas eu só chorava e não sabia pq,pq era difícil e sentia m uma falhada por estar a chorar Qd só tinha de estar agradecida por um baby tão saudável e tão linda!so me apetecia estar assim…a chorar e a não querer Q a baby se apercebesse que estava triste…só lhe pedi desculpa…
    Espero estar a ultrapassar…tenho o melhor namorado/amigo do mundo que me compreende e que me tem ajudado sempre,só não dá mama pq N pode mesmo…e eu no fim do dia(Tb deixou de existir;))só agradeço por esta baby que tem o meu melhor amor e ao meu namorado que tem o meu amor todos dos dias,a minha família linda e a minha cadela por estarem do meu lado a tentar fazer o melhor para esta baby muito amada❤️ Ser a mais feliz!
    Obrigada mais uma vez!e força!!
    (Olhar para a baby da me a força p estar para ela todos os minutos do dia)?

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  • […] palavra que gravei no corpo, nome da avó que nunca conheci, não é sinónimo de estar sempre feliz. é […]

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  • Tenho uma filha com quase 2 anos (faz em Abril) e, sim, também à dias em que só me apetece fugir, desaparecer…
    Amo a minha filha, é o melhor que tenho nessa vida, mas para dormir, é o martírio. Ela tem péssimo dormir, desde que nasceu, tem dias que dorme super bem outros em que passa semanas sem dormir uma noite inteira.
    Vocês sabem, melhor que ninguém, o que a privação do sono nos faz… chega um ponto que nem conseguimos sequer pensar direito.
    Não tive depressão pós-parto, mas quando ela tinha perto de um ano, comecei a ter um esgotamento nervoso. Comecei a trabalhar e, simplesmente não estava a conseguir gerir o ser mãe e dona de casa que trabalha, tenho medicação pra tomar até hoje, mas sou sincera, evito ao máximo tomá-la.
    Resultado, lá de vez em quando dá-me uma crise. Só me dá pra chorar, choro até mais não, limpa a alma, tomo o antidepressivo e daqui a pouco está tudo bem.
    Não gosto de falar disso com ninguém, sinto-me mal por isso, mas sei que vocês me entendem.
    Ainda ontem tive uma crise daquelas… estou desempregada e a concorrer a um emprego e ontem tinha uma prova (sim, pra além de todo o stress de dona de casa e mãe a tempo inteiro, ainda tenho o stress de estar desempregada e de por vezes não saber o que por na mesa pra comer), mas pronto. Tudo o que precisava para estar preparada para prova era uma boa noite de sono, mas foi exactamente isso que não tive. A miúda adormeceu tarde, acordou durante a noite e pra melhorar, 5 horas da manhã não queria mais dormir, não me aguentei… tive uma crise, chorei, desesperei, só queria dormir um pouco mas lá tive que engolir, e aguentar-me. A prova correu bem, mas só Deus sabe como. Há uma semana que já não tenho umas 6 horas seguidas de sono, era o mínimo que pedia.
    O meu marido ajuda-me, o mais que pode, mas ele não me entende, não percebe o porquê e a importância que tem, para nós mães e mulheres, o dormir! Principalmente porque ele é daquelas pessoas felizardas que consegue adormecer em qualquer lado e dorme que nem uma pedra. Muitas vezes nem se apercebe de todo o movimento nocturno cá em casa.
    Amo ser mãe, mas é sem dúvida o trabalho mais difícil do mundo. E o pior é que ninguém dá valor, só uma mãe entende outra mãe. Só uma mãe sabe o que é amar imenso um filho e ao mesmo tempo, ter momentos em que só queríamos não o ter. É uma contradição e um remoinho de sentimentos que por vezes nem nós conseguimos entender.
    Mas a verdade é que quando olhamos pra eles e nos dão um sorriso, ou nos chamam de mamã, tudo compensa, tudo se cura.
    Desculpem esse desabafo enorme, mas tinha que o fazer com alguém que não me irá julgar.
    Obrigado Catarina por este teu blogue é por nos fazeres sentir que somos normais. Beijinhos

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    • Andreia, um beijo imenso. Vai melhorar. Tenho a certeza que sim. Sem culpas…

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