sobre puns, diarreias, neuras e amor [isso tudo]

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nos meus tempos de terapia falávamos muito nisto: esta minha ideia de que as relações eram perfeitas, sem puns nem idas à casa de banho, sem dias menos bons e os maus nem pensar. aqui, neste estranho mundo das coisas em que pensamos, construi essa barreira. o outro podia estar doente, preocupado, com cheiro de final do dia, ou uma neura impossível de aturar. eu existia – também, para apoiar. aqui, neste estranho mundo das coisas em que pensamos, eu não podia nada disso, apenas o melhor de mim. caso contrário, que interesse teriam em mim? atenção, em defesa dos meus amores passados, que guardo em gavetas cheirosas e arrumados com muito carinho, nunca me fizeram sentir isso. eu construí essa ideia e esse enorme muro que afastava as pessoas do meu mundo mais íntimo.

não mudei. continuo a ser uma insegura perante um vómito ou uma diarreia. continuo a não perceber porque raio alguém gosta de mim nos dias em que sou apenas uma chata. não mudei mas uma coisa mudou: eu sei que a vida com o Pedro existe mesmo nos dias maus e menos bons, naqueles em que me sinto a menos interessante e atraente das criaturas. é o Pedro que procuro mesmo quando me dói a barriga ou não me apetece dizer nada. é o Pedro que quero nas noites em que só me apetece dormir. é o Pedro porque sou apaixonada nas manhãs à pressa, cheios de sono e mau humor. é ao Pedro que confesso os meus medos e lhe peço que fique comigo sempre.

 

bom dia.

 

foto: Marta Dreamaker

14 Comentários
  1. Tânia Farias says

    És tão grande Catarina!!! 🙂
    Cada vez te admiro mais, sempre tão verdadeira, crua e sem pudores.

    Beijinhos e continuação de tão boas partilhas

  2. By Deva says

    És linda Catarina! 🙂

  3. Anica says

    espetacular.

  4. Us4all says

    E é tão bom ter um “Pedro” nas nossas vidas
    Parabéns pelo texto e pelo blog 😉
    us4all.blogs.sapo.pt

  5. Catarina says

    Como eu me revejo nessas inseguranças, inquietações e amedrontamentos interiores. Revejo “às vezes” porque existem vezes em que simplesmente estou-me nas tintas para se gostam ou não.
    Já tive uma relação que acabou e tenho uma outra que renasceu. Nesta tento não me armar em perfeita e ser simplesmente Eu! E para meu espanto… não é que está a correr bem 🙂
    Obrigada Catarina 🙂

  6. Susana says

    Oh pah não há como não gostar de te ler!!!

  7. sandrajorge says

    Eu também tenho o meu ” Pedro” e isso faz me tãoooo feliz! tudo de bom

  8. Love Adventure Happiness says

    Adorei o título e eu já fui um bocadinho assim, conheço muita gente assim mas eu já não o sou…
    Toda a gente tem gases, diarreia, fica doente, tem dias bons e maus e eu não sou excepção… 😉

  9. Natália says

    Essa é a verdade do amor que só (re) conhecemos com a calma que a maturidade traz. Bjs

  10. pintasqb says

    Não sei. Não tenho o dom, nem a capacidade de conseguir transmitir com esta lucidez e simplicidade, reflexões sobre a complexidade que nos molda a vida. Fico sempre rendida. Também me identifiquei, sem saberes, às vezes ligas interruptores que acendem luzinhas. Obrigada!

  11. Jorge Grilo says

    Um grande abraço para ti e para esse grande amigo.

  12. […] me lixem, eu sei que um casal é um equipa. eu até já acredito que o Pedro possa gostar de mim mesmo que eu dê puns e vá à casa de banho, mesmo que eu seja imperfeita, acorde de mau humor e […]

  13. Miriam says

    Isso chama-se Intimidade <3

  14. […] intimidade é o melhor do mundo. Isto de adormecer em paz. Isto de não ter vergonha de dar um pum (sim, também existe um post sobre puns neste blog). Em vez de puns podem ler dores de barriga, dias de neura, febre, terçolhos, gripes e outras […]

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