Dieta das Princesas

Inspiração: “A melhor balança é um espelho.”

O clique não foi o ponteiro da balança mas o dia em que, ainda na maternidade onde tinha nascido o seu segundo filho, se olhou ao espelho. Weza Silva, 32 anos, sorri de nervoso quando relembra o momento: de pé, depois de ter a criança, que dormia no berço, uma barriga de seis meses de gravidez permanecia. “Pensei: devo estar perto dos 80kg. Vou ter de aceitar-me como uma mulher que pesa isso mesmo. Como se aquele sempre tivesse sido o meu corpo…”, conta. Mas, às vezes, a vontade finta o próprio pensamento e Weza não se revia naquele corpo reflectido no espelho.

Em 2012, grávida pela primeira vez, a angolana não fazia ideia do que era pesar demasiado. “Sempre tinha sido magra, comia para engordar. Como morava em Angola, as mulheres têm mais curvas. De repente, fui percebendo que estava a chegar a uma idade em que tinha de ter mais atenção ao que comia”. No dia em que Kendy nasceu, a balança pesava mais 20kg: metade desapareceu nos meses seguintes mas Weza ainda não se sentia bem.

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“Finalmente tinha aprendido a gostar de mim muito magra e comecei a ficar muito em baixo”, recorda. Sentiu que era hora de pôr um plano de mudança em marcha: começou a correr sempre que podia, nas pausas dos voos onde trabalhava como hospedeira. “Diziam-me: ‘não te preocupes, estás com corpo de mãe’. Como assim? Isso não existe, corpo de mãe”, brinca. Só que as corridas não deram o resultado desejado: Weza mantinha os hábitos alimentares. “Corria nos intervalos dos voos, comia mal, muitas vezes na cama. Hoje percebo que o que me faltava para ter sido bem sucedida era juntar, ao exercício, uma alimentação saudável”. O tempo passava, e nada: a “barriga de mãe” continuava.”Não bebia água, não comia de três em três horas, não tinha resultados”.

Desanimada com o corpo – e também com a cabeça, que teimava pensar em desistir, Weza tomou uma decisão: parar. “Tinha 13kg a mais do que o meu peso normal e, apesar de considerar que estava a lutar muito não estava a conseguir. Não lia sobre o assunto, não vestia o 34 – o número que eu sempre vesti. Pensava: mas se temos que nos aceitar como somos, como é que eu não me revejo neste corpo? Esta não sou eu!”, diz.

Foi nessa altura que voltou a engravidar e… a engordar. No dia em que, durante os nove meses de gravidez, a balança marcou os 90 Kg, Weza deixou de pesar-se. Depois, logo se veria.

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“As maternidades têm uns espelhos enormes nos quartos, horríveis. No dia em que a minha filha nasceu vi-me ao espelho e percebi: tu estás assim”. Dias depois saiu da maternidade, ainda inchada da gravidez, a amamentar, o corpo feito num organismo estranho para o qual exercício físico ou restrições na alimentação não seriam recomendados. “Era Verão e, dois meses depois, percebi que não tinha perdido peso nenhum”, conta. Nesse Setembro de há um ano, sentiu que precisava de outro clique: Carolina Patrocínio serviu de alavanca à decisão. “Inspirava-me o estilo de vida dela. Não queria o corpo dela mas olhava-a, via as fotografias e pensava: se ela teve um bebé em Março e eu tive o meu em Julho, e se ela já está assim, eu também consigo voltar ao meu corpo. As pessoas diziam-me que não podia basear-me no caso dela. ‘Ela é um caso à parte’, diziam. Mas eu olhava para o espelho, não gostava. Aqui dentro ainda vivia uma pessoa magra”, conta. Só que desta vez Weza estava irredutível.

“As pessoas devem estar felizes com o corpo que têm. E, se não estão felizes, devem mudar”, garante. Por isso, arrancou Setembro com uma reunião. Contactou o personal trainer da apresentadora de televisão e contou-lhe sobre os seus objectivos: ter o seu corpo de volta sem olhar ao peso. Pensou que Pedro Baptista não aceitasse mas o treinador disse-lhe: “Se queres, vamos a isso”. Dois meses depois de ter começado a treinar, Pedro sugeriu-lhe que começasse a ser acompanhada por uma nutricionista. Mas Weza recusava fazer dieta rígida. “Ela disse-me que então iria ensinar-me o que é que os alimentos fazem ao corpo”.

Conjugou treinos três vezes por semana com uma alimentação cuidada e tratamentos de drenagem linfática. Mudou as compras de supermercado, começou a comer melhor e não larga o garrafão de água de três litros, que carrega e esvazia todos os dias. E, já este ano, avançou finalmente com um projecto de empreendedorismo de moda, adiado desde há muito tempo. A Kaikura, marca que lançou, é mais um sinal de mudança: Weza quer, através da roupa de fitness, inspirar outras pessoas a mudar.

 

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“A dieta tem um prazo para acabar. Estilo de vida é até ao fim, já não tem volta. Para mim, o treino passou a ser prioritário: se posso ocupar uma hora a arranjar as unhas, prefiro ir treinar. Nem me lembro da última vez que fui fazer as unhas. E agora treino porque gosto, é um comboio sem stop. É um momento meu”.

Nos dias em que não treina com Pedro, treina sozinha e até os filhos ajudam. De uma coisa tem a certeza: apesar dos 35kg perdidos, Weza garante que a maior mudança não foi no corpo. “A minha cabeça mudou mais porque, se a cabeça não muda o corpo não segue. Quando temos fome, o corpo não diz que quer batatas fritas. Querer emagrecer para ficar igual a alguém é meio caminho andado para o fracasso. Devemos mudar sozinhos, por nós e para nós. Não é um processo fácil mas mais difícil é acordar e não reconhecer a pessoa em frente ao espelho. Hoje digo que não sei porque eu chorava. Fiz.”.

 

texto: Mariana Barbosa

fotografias: Pau Storch

 

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“inspiração”
Movimento pelo qual se leva o ar aos pulmões;
Ideia ou pensamento que surge de repente; estro.
Insinuação, conselho.
Coisa inspirada.

in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa

Comentários (11)

  • É realmente admirável o que as pessoas conseguem quando se dedicam de corpo e alma a algo.

    O Pai,
    http://soupaieagorablog.blogspot.pt

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  • Não há dúvida que merece reconhecimento. Mas sinceramente não entendo o facto de generalizarmos corpos. Acreditam mesmo que, sujeitos exatamente à mesma história (o mesmo aumento de peso, duas gravidezes, mesmo treino) os resultados seriam todos este corpo? Obviamente que não. Há aqui (para além claro de todo o trabalho) uma sorte com a genética, com o metabolismo, com a pele (muita muita sorte com a pele!!!). Muitas mulheres já iriam tarde de mais, já teriam ficado com a pele irreversivelmente recuperável. Porque nunca se fala disso? Porque continuamos a fazer comparações diretas como se a única variante dos resultados fosse o exercício e alimentação? Há mais variantes. Conheço tantas e vejo-me a mim própria, que ao contrário da Weza sempre fui magra mesmo durante as 2 gravidezes, controlei-me e mantive exercício na primeira gravidez à qual a pele da barriga resistiu mas a das pernas e rabo não, e a segunda rompeu em estrias, em barriga enorme com um bebé percentil 90,muito líquido, placenta muito grande, e culminou numa pele que não recupera, numa diástase irrecuperável (rompimento do tecido de suporte), em estrias permanentes. E mesmo sem resultados, eu continuo a manter os treinos e a alimentação. Que fiz eu a menos? Até fiz a mais, porque durante as gravidezes tive cuidado. E muita sorte tive eu, que já vi peles bem piores que a minha as quais ficam irrecuperáveis com um só bebé pequeno.

    Se aceitamos que uma mulher pode amamentar três e continuar com um peito aceitavelmente firme (que conheço muitas) e que outra com um só bebé ficou com uma ptose mamária severa, e que isto é meramente sorte ou azar genético, porque não refletimos que o modo de vida (exercício e alimentação) não controlam 100% o resultado do nosso corpo? Nem sequer 50% provavelmente. Que cada um faça por si o melhor, mas não julguem que um bom corpo é só mérito pessoal e que uma barriga pendurada é só desleixo. Há por aí muito corpo bonito que encerra nele muito menos trabalho do que um corpo que vos parece “mal tratado”.

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    • Ana Tomás,
      Lamento, mas não conhece as minhas lutas, não sabe a dificuldade que tive para chegar onde cheguei e, muito menos, acho aceitável que me venha dizer que só tive resultados por uma questão genética e de pele.
      Quem acompanha o meu percurso, desde o início, sabe que para mim a saúde está sempre em primeiro lugar. Em momento algum passei ou passo a mensagem que as mães têm que lutar para emagrecer.
      Cada um deve gostar do que vê reflectido no espelho. Se não gosta, mude.
      Eu mudei porque não gostava de me ver gorda, mas há quem não goste de se ver magra por exemplo. Cada caso é um caso.
      Tal como lhe aconteceu, ambos os meus filhos nasceram acima do percentil 90 e foram partos via cesariana.
      Ao dizer que alimentação+exercicios não dão resultados, acho que está a falar de algo que desconhece por completo.

      Pelo que li, deu a entender que está um bocadinho chateada com as estrias na barriga. Olhe, eu também as tenho e não gosto, mas não é por isso que vou desprezar ou falar mal dos méritos dos outro. O que faço para as disfarçar: uso bb cream e elas ficam disfarçadas por completo. É mais simples do que estar a escrever comentários longos.

      Beijinhos

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      • Cara Weza,
        Obrigada pela resposta. No entanto, não leu o que escrevi, por isso não posso considerar que os seus argumentos me são direcionados. Releia e verá que em nenhum momento tirei valor ao seu esforço e em nenhum momento esta sua frase “não acho aceitável que me venha dizer que só tive resultados por uma questão genética e de pele” foi dita! (pode reler, a Weza teve resultados porque se esforçou muito para eles.Toda a minha mensagem não foi sobre si, foi sobre não nos podermos comparar! Acredite que haja quem com metade do seu esforço teria ainda melhores resultados e há quem faça tanto ou mais que a Weza e se fique por resultados muito insatisfatórios. Porque os corpos reagem de formas diferentes. E porque a reversibilidade dos danos no nosso corpo varia de pessoa para pessoa.
        “Ao dizer que alimentação+exercicios não dão resultados” ???? Não leu o que escrevi! Aliás, se reler entende que eu também faço parte do grupo de pessoas que por saúde não dispensa boa alimentação e exercício (e como deve imaginar, não tendo o meu corpo recuperação por mazelas irrecuperáveis, é mais difícil manter a força de vontade).
        “Em momento algum passei ou passo a mensagem que as mães têm que lutar para emagrecer” nem a Weza, nem eu! Não sei a quem está a responder. Disse que cada um deve fazer o melhor por si, pela sua saúde, sem se comparar diretamente (não existe o “diz-me como estás, dir-te-ei o quão te tens esforçado” porque os resultados não são lineares).
        “Se não gosta, mude”. Assim como a Weza, eu faço por isso, não leu o que escrevi.
        “mas não é por isso que vou desprezar ou falar mal dos méritos dos outro.” Coisa que eu também não fiz e que me ofende estar a dizê-lo.
        Termina dizendo que devia era ir fazer algo por mim em vez de escrever comentários longos! Não leu de todo o que escrevi.
        Não posso deixar de lamentar a sua resposta porque não leu o que escrevi e respondeu-me baseada em coisas que outras pessoas lhe terão dito (acredito que já tenha ouvido muita coisa, mas eu não tenho culpa de tal). Lamento que um comentário informado de alguém que defende as mesmas coisas que a Weza, e completamente educado, tenha gerado uma resposta e interpretação erróneas!

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        • Ana Tomás,
          Eu li o seu comentário todo e a minha resposta é para si. Acredite, não fui a única a entendê-lo de uma forma crítica.
          Se não foi essa a sua intenção, então pense um bocadinho antes de fazer certos comentários na internet, podem ser mal interpretados.

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      • Weza quem foi o/a nutricionista que a seguiu? Hoje em dia existe muito engodo e às vezes a coisa não corre bem, é preciso ter atenção, e ter o acompanhamento das pessoas certas..

        Parabens

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        • Passou um ano e a validade do meu comentário será, certamente, muito relativa para ambas as partes mas ainda assim não posso deixar de o fazer.
          A Ana Tomás defende que não se deve comparar pessoas no que diz respeito à resposta do corpo/organismo ao desporto/alimentação. Expressou-o muito bem, com uma clareza e respeito que julgo não terem deixado dúvidas a nenhum leitor. Concordo plenamente.
          Já eu, digo que não há como não comparar pessoas no que toca à educação, capacidade de interpretação e arrogância. E comparando a Weza com a Ana, diria que há um universo de distância.

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  • Ana Tomás, tem toda a razão! Há diversas variáveis que infelizmente não conseguimos controlar, msm com exercício físico e alimentação equilibrada.

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  • Cara Weza,

    Obrigada pela resposta. No entanto, não leu o que escrevi, por isso não posso considerar que os seus argumentos me são direcionados. Releia e verá que em nenhum momento tirei valor ao seu esforço e em nenhum momento esta sua frase “não acho aceitável que me venha dizer que só tive resultados por uma questão genética e de pele” foi dita! (pode reler, a Weza teve resultados porque se esforçou muito para eles.Toda a minha mensagem não foi sobre si, foi sobre não nos podermos comparar! Acredite que haja quem com metade do seu esforço teria ainda melhores resultados e há quem faça tanto ou mais que a Weza e se fique por resultados muito insatisfatórios. Porque os corpos reagem de formas diferentes. E porque a reversibilidade dos danos no nosso corpo varia de pessoa para pessoa.
    “Ao dizer que alimentação+exercicios não dão resultados” ???? Não leu o que escrevi! Aliás, se reler entende que eu também faço parte do grupo de pessoas que por saúde não dispensa boa alimentação e exercício (e como deve imaginar, não tendo o meu corpo recuperação por mazelas irrecuperáveis, é mais difícil manter a força de vontade).
    “Em momento algum passei ou passo a mensagem que as mães têm que lutar para emagrecer” nem a Weza, nem eu! Não sei a quem está a responder. Disse que cada um deve fazer o melhor por si, pela sua saúde, sem se comparar diretamente (não existe o “diz-me como estás, dir-te-ei o quão te tens esforçado” porque os resultados não são lineares).
    “Se não gosta, mude”. Assim como a Weza, eu faço por isso, não leu o que escrevi.
    “mas não é por isso que vou desprezar ou falar mal dos méritos dos outro.” Coisa que eu também não fiz e que me ofende estar a dizê-lo.
    Termina dizendo que devia era ir fazer algo por mim em vez de escrever comentários longos! Não leu de todo o que escrevi.

    Não posso deixar de lamentar a sua resposta porque não leu o que escrevi e respondeu-me baseada em coisas que outras pessoas lhe terão dito (acredito que já tenha ouvido muita coisa, mas eu não tenho culpa de tal). Lamento que um comentário informado de alguém que defende as mesmas coisas que a Weza, e completamente educado, tenha gerado uma resposta e interpretação erróneas!

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  • Olá!!!! Acabei de ver a Weza na tvi e a sua história deu-me motivação!!! Fiquei curiosa, conseguiu perder tanto peso sem ficar com estrias? É esse o meu receio…
    Grande esforço! Parabéns!!!

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  • […] “A melhor balança é um espelho.” […]

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