Tendências

existirão objectos que devemos mesmo guardar?

existirão objectos que devemos mesmo guardar?

Ainda a propósito das minhas mudanças, num dos momentos de desespero perante dezenas e dezenas de caixotes, pensava no que é essencial. Sei exatamente aquilo que preciso para viver, mas existirão objectos que devemos mesmo guardar?

Vivi até aos 19 anos na mesma casa. Uma casa comprada pelos meus pais: a nossa casa de família. Na casa dos meus pais, assim como na casa dos meus avós, existia esse mundo fascinante das memórias. As memórias estão guardadas em gavetas e armários altos e transportam-nos para as histórias da nossa vida, e um bocadinho mais atrás, para a história da nossa família.

Em casa dos meus pais existiam gavetas cheias de negativos e fotografias antigas, os jornais para os quais o meu pai tinha escrito, os jornais infantis onde publiquei, a caixa de costura da avó que nunca conheci e todas as colchas de croché que o meu avô (sim, o pai da minha mãe) fazia. Os nossos objectos. A minha mãe ainda hoje guarda isso tudo e os livros com que cresci, os legos, e os bonecos com que brinquei. Em casa do meu avô Beato estavam livros que tinham sido impressos antes de qualquer guerra mundial, os restos de tecidos da minha avó costureira (que hoje guardo numa manta que adoro), enormes e pesadas molduras com retratos de parentes muito distantes.

Guardo cada instante em que me perdi a mexer nestas memórias como uma parte importante de mim, daquilo que sou. E percebo que algumas coisas que escolhi dar, deitar fora e trocar têm mais valor do que imaginava quando as encontro à venda em lojas de antiguidades. Mais alguém tem uma coisa em plástico para o arroz feijão e açúcar que girava? Não deitem fora, vale uma fortuna!

Eu acho que as memórias são essenciais. E não falo daquelas que guardamos no computador-cabeça, mas daquelas em que podemos tocar.

E ser minimalista é compatível com isto? Que memórias escolho guardar? O que faço aos caixotes com desenhos e pinturas (sem jeito nenhum) que os miúdos fizeram enquanto cresceram? Eu gosto de ver e rever as centenas de folhas A4, com todos os meus desenhos. O que faço aos jornais onde vi o meu nome impresso? Os bilhetes de cinema e dos primeiros espectáculos? O que faço a todas as coisas em que gosto de me perder, a remexer e a revisitar memórias? Serão essenciais? Ou posso carregar menos caixotes na próxima vez que mudar de casa?

Comentários (8)

  • Este é o livro a ler, Catarina:

    http://www.wook.pt/ficha/arrume-a-sua-casa-arrume-a-sua-vida/a/id/16283631

    Casa nova, vida nova, é de aproveitar 🙂

    Responder
  • Olá, sim acho que sim que existem objectos que temos mesmo de guardar, porque são nossos, são as nossas memórias, são pedaços nossos, da nossa historia, que conta em simultaneo tantas outras historias, e que vivem fora de nós. e depois exioste sempre aquele dia em que temos vontade de ir buscar todas esses "pedaços de nós" e sabe tão bem tocar, olhar…
    Não sou uma acumuladora, mas assumo que preciso dessas minhas coisas junto a mim.

    Responder
  • Olá Catarina,

    Em relação às obras de arte das crianças, tenho uma sugestão: http://unlockkidsart.com/2015/05/18/tesouros-escondidos-a-espera-de-serem-encontrados/

    O projecto é de uma amiga querida e é muito bom. Basicamente transforma os trabalhos em quadros personalizados.

    Fica lindo, menos volumoso e dá para colocar na parede 😀

    Beijinhos,

    Patricia

    Responder
  • Não é a mesma coisa, bem sei. Mas pode sempre digitalizar e guardar 🙂
    Bjinhos

    Responder
  • Por tudo isto que escreveste é que não consigo ser minimalista.
    Adoro memórias físicas. Fotos, papeis, cartas, selos. Botões de casa da minha avó, moedas de antes da república.
    Definitivamente, nunca serei minimalista!

    vidademulheraos40.blogspot.com.

    Responder
  • Faço-me a mesma pergunta e às vezes penso que as melhores memórias são as que guardamos dentro de nós.

    Responder
  • Eu também guardo muita coisa, mas depende do que realmente valorizamos.
    Eu adoro rever fotografias, vídeos e sobretudo os diários mais antigos. 🙂

    Responder
  • Estou essencialmente no último parágrafo. Faço esse exercício de questionar e no fundo essas coisas guarda se não se acumula !
    Destralhar mas sem memórias físicas/palpáveis desperdiçar.
    Carolina Melo

    Responder

Escrever um comentário