Almograve

sobre o tempo sem os meus filhos

lembro-me da primeira vez que o G. foi para o pai. lembro-me da primeira vez que o A. foi para o pai. lembro-me da angústia e do vazio. sabia que era bom para todos, sabia que fazia parte, sabia que estariam tão bem sem mim como comigo. mas lembro-me de só ter vontade de chorar e de adormecer até ser hora de eles voltarem. fui aprendendo a ser apenas mulher depois de ser mãe com o G. mas esqueci tudo quando o A. nasceu. aquelas primeiras horas sem o meu filho pequenino custaram exactamente como se não tivesse aprendido nada com o meu filho grande. não era assim que eu tinha sonhado, não era assim que eu queria que fosse. apesar de saber que estariam tão bem sem mim como comigo.

confesso, quando estão mais chatos há um certo alívio no tempo sem eles. quando estão cheios de mimo, muito doces, custa como se fosse a primeira vez. foi assim esta semana, como se me faltasse o ar e nem conseguisse respeitar sem o cheiro dos meus rapazes. aprender a existir sem eles é a mais dura e mais libertadora conquista do meu ser-mãe. sei que estão tão bem comigo como sem mim. sei que a mariquice é minha, não deles. é essa a segurança que me permite aproveitar estes dias sem filhos. é o tempo bom em que tento carregar as baterias e ser ainda melhor, com eles. e ontem foi na praia de Almograve.

 

praia de Almograve.

6 comentários em “sobre o tempo sem os meus filhos”

  1. Custa me a dezassete meses todos os fins de semana sem o meu doce de vinte meses. Não quero fazer nada. Nem dormir nem comer, aproveito e trabalho o horário máximo que consigo. Não consigo fazer nada sem o meu príncipe perfeito. Dizem que nos habituamos. Acho que não. Beijinhos

  2. Como é mto raro estar dois dias seguidos sem filhos… quando raramente acontece sinto falta de parte de mim 🙂

    Apesar de ter plena noção que nos faz muito bem a todos, de incentivar sempre que possivel, de saber que estão bem entregues com familia, mas confesso-me uma galinha desgraçada.
    Mas talvez seja o que dizes, fez-se luz para mim 🙂
    É isso que me falta, tempo … mais vezes separados para conseguir gozar esse tempo sem eles como gozava antes deles.
    Não que não consiga aproveitar o tempo livre… mas não o gozo a 100%.

  3. Catarina sei o que isso é.

    As saudades, o ocupar o tempo. E ao mesmo tempo a liberdade que também nos assiste!

    Beijinhos. ADORO o blog, e posts assim: identifico-me.

  4. Catarina sei o que isso é.

    As saudades, o ocupar o tempo. E ao mesmo tempo a liberdade que também nos assiste!

    Beijinhos. ADORO o blog, e posts assim: identifico-me.

  5. Catarina sei o que isso é.

    As saudades, o ocupar o tempo. E ao mesmo tempo a liberdade que também nos assiste!

    Beijinhos. ADORO o blog, e posts assim: identifico-me.

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